VER-O-FATO: CAUTELA NAS RESERVAS MINERAIS

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

CAUTELA NAS RESERVAS MINERAIS

Rodolfo Lisboa Cerveira - economista

A anunciada extinção da área ambiental Renca – Reserva Nacional do Cobre e Associados, com 4,6 milhões de hectares, através do decreto nº 9.142, no final do ano passado, causou um grande reboliço, uma explosão de protestos, diga-se, em todo o país.
Depois de marchas e contramarchas, o governo voltou atrás e, até o momento, nenhum movimento pró ou contra se manifestou. Apesar da celeuma causada, na realidade, somente 1,8 milhão de hectares seriam liberados, porque aquilo que os especialistas denominam de Unidades de Conservação já ocupam os 2,8 milhões de hectares restantes da reserva. 
Ora, na área total, segundo se comenta já existem dezenas ou centenas de invasores com muito trabalho de garimpagem e outros afazeres, bem como representantes de empresas de nacionalidades diversas, como sempre acontece nessas paragens amazônicas, com a finalidade de conseguir informações de existência de afloramentos minerais (qualidades e dimensões) para serem transmitidos aos seus respectivos patrões. 
Por que houve esse alarme estrepitoso com a Renca? Se no território nacional pratica-se toda a sorte de arbritariedades e desmandos nesse setor sem que tenha havido maiores contestações. 
No rio Tapajós, emendando com o Teles-Pires e Paraguai em Mato Grosso, o garimpo sempre foi aberto e livre (de ouro e diamante). No rio Xingu, às proximidades da Hidrelétrica de Belo Monte, abrangendo terras indígenas, está instalada a canadense Belo Sun desde 2012. 
Diz-se à boca pequena que o governo antes de anunciar o fim da reserva Renca, comunicou antecipadamente o fato às mineradoras canadenses, não se sabe qual foi o propósito. Geralmente esses conflitos de interesses econômicos e financeiros são gerados por lobistas de empresas junto a políticos influentes e cada qual sai levando a sua parte no butim nacional da mineração.
Não obstante o alarido causado com o acontecimento Renca, no dia 19 de dezembro do ano recém findo, o Sr. Sarney Filho, eterno Ministro do Meio Ambiente – na verdade sua capitania hereditária – “vendeu” três milhões de hectares da Amazônia Brasileira, por U$ 60 milhões de dólares, nesta hipótese, um hectare na Amazônia vale 20 dólares, aproximadamente R$ 65,00. 
Na realidade trata-se da expansão de um antigo “acerto” conhecido como Corredor Triplo A, que sofreu, na época, rigorosa oposição das forças armadas e foi rebatizada de “Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia”. Até o presente momento as autoridades militares não se posicionaram sobre o assunto. 
A “trama”, cujo objetivo principal é criar um corredor de áreas protegidas e soberania relativa na calha norte do Rio Amazonas, ligando o Pacífico ao Atlântico, sob a coordenação do senhor Sarney Filho, envolve o Banco Mundial, a ONG Funbio e a ONG internacional Conservation Internacional (CI). 
Os recursos virão do Global Environment Facilty (GEF). Como está em pleno vigor a fase de privatização, venda e fatiamento dos ativos nacionais é preciso alertar a sociedade sobre a impetuosidade dessas ONGs alienígenas , com filiais no território nacional, aliados a pessoas inescrupulosas que acabarão por vender a Amazônia a preços de banana, como diríamos no passado. 
Alerta, povo da Amazônia!

Nenhum comentário:

Postar um comentário