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Linha de Tiro - Economista Eduardo Costa - 26/04/2018

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

IMPLANTES PODEM AJUDAR NO TRATAMENTO DE DERRAMES

Quando estamos dirigindo e nos aproximamos de um cruzamento, pisamos no freio ao ver a luz vermelha do semáforo fechando. Isso ocorre graças a uma cadeia de eventos dentro da nossa cabeça.

Seus olhos transmitem sinais aos centros visuais no cérebro. Depois que estes são processados, trilham o caminho até outra região, o córtex pré-motor, onde o cérebro planeja os movimentos.

Imagine ter um dispositivo implantando na cabeça capaz de “injetar” informação diretamente no seu córtex pré-motor. Dois neurocientistas da Universidade de Rochester, no estado de Nova York, disseram ter descoberto uma forma de introduzir informação diretamente no córtex pré-motor de macacos.

Os pesquisadores especulam que o aprofundamento das pesquisas pode levar a implantes destinados a pessoas que sofreram derrames.

“Seria teoricamente possível evitar as áreas afetadas do cérebro, trazendo o estímulo diretamente ao córtex pré-motor”, disse Kevin A. Mazurek, coautor do estudo. “Isso poderia funcionar como uma ponte entre duas áreas do cérebro impossibilitadas de se comunicar entre si.”

O Dr. Mazurek e o colega de estudo, Dr. Marc H. Schieber, ensinaram dois macacos a jogar um jogo. Os macacos se sentaram diante de um painel com um botão, uma maçaneta em forma esférica, uma maçaneta cilíndrica, e uma manopla em forma de T.

Cada objeto era decorado com luzes LED. Quando as luzes eram ativadas, os macacos tinham que tocá-las para receber uma recompensa (no caso, um refrescante jato d’água). Se o botão brilhasse, os macacos tinham que apertá-lo. Se a esfera brilhasse, eles tinham que girá-la. Se a manopla em T ou o cilindro se acendessem, eles tinham que puxá-los.

Os cientistas fizeram os animais brincarem com uma versão eletrizada. Colocaram 16 eletrodos no cérebro de cada macaco, no córtex pré-motor. Cada vez que os LEDs se acendiam, os eletrodos transmitiam uma fraca corrente elétrica. Os padrões eram variados.

Conforme os macacos jogavam mais rodadas, a luminosidade dos anéis foi diminuindo, coisa que inicialmente levou os macacos a cometerem erros. Mas o desempenho deles melhorou.

No fim, as luzes se apagaram completamente, mas os macacos ainda eram capazes de usar apenas os sinais dos eletrodos no cérebro para escolher o objeto correto, manipulando-o em troca da recompensa. O desempenho foi igual ao obtido com as luzes.

Isso indica que regiões sensoriais do cérebro, que processam a informação do ambiente, podem ser dispensadas. O cérebro pode responder recebendo informação diretamente, via eletrodos.

Os neurologistas sabem que a aplicação de corrente elétrica a partes do cérebro pode fazer as pessoas movimentarem involuntariamente partes do corpo. Mas não foi esse o efeito observado nos macacos.

O Dr. Mazurek e o Dr. Schieber excluíram essa possibilidade ao perceber o quanto os impulsos elétricos poderiam ser breves. Basta apenas um quinto de segundo de eletricidade para que os macacos dominem o funcionamento do jogo sem usar as luzes. Um pulso tão breve não é suficiente para causar movimentos involuntários nos macacos.

“O estímulo deve produzir algum tipo de percepção consciente”, disse Paul Cheney, neurofisiologista do Centro Médico da Universidade do Kansas.

O Dr. Mazurek e o Dr. Schieber implantaram pequenos relés de eletrodos nos macacos. Os engenheiros estão trabalhando em implantes que podem incluir até mil eletrodos. Talvez seja possível um dia transmitir pacotes de informações muito mais complexas ao córtex pré-motor.

O Dr. Schieber disse que cientistas podem usar eletrodos avançados desse tipo para ajudar pessoas com danos no cérebro. Os derrames, por exemplo, podem destruir partes do cérebro por onde passam os estímulos de regiões sensoriais até as regiões que tomam as decisões e enviam comandos ao corpo. 

Os eletrodos poderiam receber estímulos de neurônios de regiões saudáveis e encaminhar essas informações ao córtex pré-motor.

O Dr. Scheiber disse, “pegamos a informação de uma parte saudável do cérebro e a injetamos na área que nos diz o que fazer com essa informação”. Fonte: Estadão.

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