VER-O-FATO: EDITORA PARAENSE QUER RESGATAR A OBRA DO GENIAL DALCÍDIO JURANDIR; AJUDE, DÊ SUA CONTRIBUIÇÃO

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

EDITORA PARAENSE QUER RESGATAR A OBRA DO GENIAL DALCÍDIO JURANDIR; AJUDE, DÊ SUA CONTRIBUIÇÃO


A Pará.grafo Editora, do Pará, está com uma campanha de financiamento coletivo para recolocar no mercado obras do escritor paraense Dalcídio Jurandir (1909-1979). Considerado um dos grandes autores brasileiros do século 20 por nomes como Benedito Nunes, Ignácio de Loyola Brandão e Antonio Olinto, Jurandir recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras em 1972 pelo conjunto da obra.

A campanha pretende reeditar os livros Três Casas e um Rio e Os Habitantes, fora de circulação há décadas (uma edição chega a custar R$ 250 na Estante Virtual). Jurandir nasceu na Ilha de Marajó, no Pará, em 1909, e publicou seu primeiro romance em 1940, depois de trabalhar como garçom, professor, revisor e jornalista em Belém, no Rio de Janeiro e na própria Ilha. Comunista declarado, enfrentou perseguição política e foi preso nos anos 1930.

Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural, a obra de Dalcídio se destaca pela “complexa construção interior de seus personagens, individualizando a trama e valorizando as transformações pessoais em seus romances”.

A Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, é sede do Instituto Dalcídio Jurandir, com todo o seu acervo particular, com mais de 750 livros de sua biblioteca, além de suas correspondências com Jorge Amado, Graciliano Ramos e com o pintor Cândido Portinari.

Três Casas e um Rio foi lançado em 1958, com capa de Portinari, e teve outras duas edições, sendo a última em 1994. É o terceiro livro do chamado Ciclo do Extremo-Norte, série de romances que acabou lhe rendendo o Prêmio Machado de Assis. Os Habitantes, de 1976, nunca foi reeditado. Fonte: O Estado de São Paulo, edição de sábado, 20 de janeiro de 2018.

Quem foi

Dalcídio Jurandir nasceu em Ponta de Pedras, Ilha do Marajó, e faleceu no Rio de Janeiro. Escreveu onze romances, dos quais dez formam o chamado Ciclo do Extremo-Norte. Recebeu com eles o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra, em 1972, além de outros prêmios nacionais com os livros Chove nos Campos de Cachoeira, Marajó e Belém do Grão-Pará. Teve edições em Portugal e na Rússia. 

O paraense Dalcídio: reeditado
Colaborou como jornalista e cronista em diversos jornais e revistas regionais e nacionais. É considerado por muitos o maior romancista da Amazônia e um dos principais autores brasileiros do século XX. 

Compõem o Ciclo do Extremo-Norte:
  • Chove nos Campos de Cachoeira (1941)
  • Marajó (1947)
  • Três Casas e um Rio (1958)
  • Belém do Grão Pará (1960)
  • Passagem dos Inocentes (1963)
  • Primeira Manhã (1967)
  • Ponte do Galo (1971)
  • Os Habitantes (1976)
  • Chão dos Lobos (1976)
  • Ribanceira (1978)

Nos livros do Ciclo, através da saga do menino Alfredo, o autor, com grande intensidade narrativa, descreve o horizonte amazônico a partir do contexto humano e geográfico com a riqueza de suas imagens, suas expressões linguísticas típicas, a cultura e, até mesmo, as concepções sociopolíticas. Retrata com plasticidade a existência humilde de personagens que são pequenos proprietários de terra, barqueiros, ribeirinhos, pescadores, vaqueiros, enfim, a matéria humana a que Dalcídio chamava a sua "criaturada do Marajó". 

“Durante trinta anos tem Dalcídio lavrado a sua incomparável lavoura, com obras que vão atravessar os tempos, porque têm a eternidade do povo, a fala do povo, o jeito do povo. Se não é badalado como merece, é porque o tempo não descobriu Dalcídio Jurandir. Mas esse Cristóvão Colombo virá, hoje ou amanhã, dar alto-relevo a romances como Linha do Parque, Três Casas e um Rio, Belém do Grão-Pará e o belíssimo Primeira Manhã, com que Dalcídio engrandeceu a ficção deste país. É um Dalcídio para os dias que virão. [...] Um romancista tão grande quanto a sua ilha.”
José Cândido de Carvalho
 
“Mas a ilha moderna, de vaqueiros, de fazendeiros e de bois, parecia não ter alma. [...] Esse condão reservara-o a ilha para Dalcídio Jurandir. Ele foi o redescobridor e o intérprete do Marajó. Ele foi, não só para o Marajó, mas para o Estado do Pará, o que Jorge Amado, Lins do Rego, Raquel de Queiroz e outros grandes romancistas tinham sido nos anos 30, para os Estados do Nordeste brasileiro.”
Ferreira de Castro
 
"Trabalhando o barro do princípio do mundo, do grande rio, a floresta e o povo das barrancas, dos povoados, das ilhas, da ilha de Marajó, ele o faz com a dignidade de um verdadeiro escritor, pleno de sutileza e de ternura na análise e no levantamento da humanidade paraense, amazônica, da criança e dos adultos, da vida por vezes quase tímida ante o mundo extraordinário onde ela se afirma."
Jorge Amado

Os Habitantes foi lançado em 1976 pela Editora Artenova e nunca mais reeditado. É o oitavo livro do Ciclo, seguindo o Ponte do Galo, financiado com sucesso na campanha anterior e já reeditado pela Pará.grafo Editora. Devido à falta de novas edições, se tornou raro e de difícil acesso aos leitores. 

“— Ouvi dizer que escureceu de mosca na cidade, quase comem a população. Que deu nas crianças uma tal peste. Que só de anjo que foi, São Pedro teve de dizer: por ora, chega. Que passou de muda uma tulha de tucano. Que era só abrir a boca, olha, bote mosca dentro da goela. Foi? Como foi

Três Casas e um Rio foi lançado em 1958 (Martins Editora, com capa de Cândido Portinari) e reeditado em 1979 (Editora Cátedra) e 1994 (Editora CEJUP). É o terceiro livro do Ciclo, considerado por muitos o mais belo romance do autor. Por estar sem nova edição há mais de 20 anos, tornou-se objeto de luxo nos sebos do país. Esta edição comemora os 60 anos da primeira. 

“… esse romance lembra-me certas músicas em órgão, lentas e profundas.” 
Jorge Amado
 
“... é um livro, principalmente, que deixa uma impressão funda – daqueles que, ao encerrar-se, continuam vibrando dentro de nós.”
Renard Perez

O link para aderir à campanha: https://www.catarse.me/dalcidiojurandir
 

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