VER-O-FATO: EXCLUSIVO - REVELAÇÕES BOMBÁSTICAS INCRIMINAM RESPONSÁVEIS PELO LIXÃO DA REVITA, EM MARITUBA

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

EXCLUSIVO - REVELAÇÕES BOMBÁSTICAS INCRIMINAM RESPONSÁVEIS PELO LIXÃO DA REVITA, EM MARITUBA

No relatório do pedido de prisão de um dos responsáveis pelo lixão de Marituba, Lucas Dantas Pinheiro - ele mora em Salvador (BA), onde a ordem da juíza Tarcila de Campos deveria ser cumprida -, a promotora de Justiça daquela comarca, Marcela Christine Ferreira de Melo, e a delegada da Polícia Civil, Juliana Cavalcante do Rosário, afirmam que o denunciado teria cometido crimes ambientais graves, especialmente nos dias 23 e 24 de janeiro deste ano, "chegando inclusive a ordenar que o chorume das lagoas fosse jogado diretamente no solo e para o rio, possivelmente para o Igarapé “Pau Grande".


Isso consta de depoimentos prestados no inquérito policial, especialmente das testemunhas Deyvid Leonan Nascimento, Bruno Tyaki, Diego Nicoletti e Ronivaldo Castelo. O relatório diz que Lucas Dantas Pinheiro foi gerente operacional da Guamá ainda durante o ano de 2017, tendo iniciado o trabalho no aterro sanitário em outubro de 2015 até o dia 20 de fevereiro deste ano, quando foi demitido por justa causa por ato de improbidade.

Após a demissão, Lucas moveu ação trabalhista contra as empresas Bahia Transferência e Tratamento de resíduos Ltda e Guamá Tratamento de resíduos Ltda. De acordo com o apurado na investigação, Lucas teria ordenado o despejo de chorume produzido em excesso no aterro no corpo hídrico contíguo ao aterro - possivelmente Igarapé Pau Grande -, fato que teria sido descoberto pela direção da empresa e inclusive foi objeto de discussão na Comissão de Ética e Conduta da Solví.

Além disso, no dia 19 de setembro passado, durante depoimento do engenheiro sanitarista e ambiental Deyved Leonam Guimarães do Nascimento, ele contou ter trabalhado no aterro sanitário de dezembro de 2016 a abril de 2017. Segundo Deyved, em vários momentos ele alertou Lucas sobre a necessidade de materiais, implementação de melhorias, "tendo o investigado permanecido inerte, apenas dizendo que conhecia o Grupo Solví, para quem trabalhava". 


Deyved confirmou, ainda, que foi de Lucas a ordem para direcionamento do mangote de chorume diretamente para o solo, conduzindo o efluente para o corpo hídrico mais próximo, fato ocorrido no dia 23 de janeiro de 2017. O relatório do MP e da polícia diz que, ainda assim, "agindo de forma criminosa", e tendo sido demitido por justa causa, pretende Lucas Dantas Pinheiro concorrer em processos licitatórios, juntamente com Cláudio Toscano, para implantação de aterros em outros municípios do Pará, "onde o investigado já demonstrou total incapacidade e descaso em administrar".

Veja o que disse Deyved Leonam do Nascimento, durante longo depoimento à promotora de Justiça, Marcela Christine Ferreira de Melo e delegada Juliana Cavalcante do Rosário. São revelações gravíssimas sobre o que ocorria no lixão de Marituba: 

(...)

JULIANA: Tu trabalhaste no Aterro de Marituba?

DEYVED: Trabalhei.

JULIANA: Por quanto tempo?

DEYVED: 1 ano e 3 meses, se não me engano.

JULIANA: Quais foram os meses?

DEYVED: Comecei em dezembro de 2015 e finalizei em abril de 2017.

JULIANA: Por que tu saíste de lá?

DEYVED: Porque eu não concordei com algumas posturas da empresa.

JULIANA: Que tipos de posturas?

DEYVED: Relacionado a mim como profissional, e eu desacreditei nas mudanças, digamos assim dizer, por dizer.

JULIANA: Nas mudanças que ocorreram...?

DEYVED: Nas mudanças que iam ocorrer na empresa pra melhorar toda a estrutura.

JULIANA: Tá, mas que mudanças, especificamente?

DEYVED: Posso começar toda a história, então, pra poder dizer melhor.

JULIANA: Por favor! Bora lá, a gente tem todo o tempo.

DEYVED: O que aconteceu. Eu entrei na GUAMÁ como eu falei em dezembro, 11 de dezembro.

JULIANA: Como engenheiro?

DEYVED: Não, como analista. Fui contratado como analista ambiental. Eu me formei em outubro ai eu sai da seleção e logo entrei. Nisso que eu adentrei, não tive nenhum tipo de treinamento, fui pegando aos poucos. Eu fiquei, mais ou menos, um mês em campo, só aprendendo com a equipe de campo como funcionava, porque a parte teórica é zero. Ai eu comecei a aprender e com o tempo fui pegando, observando, e não só a parte de campo. Eu comecei também a trabalhar também na parte de escritório, na parte ambiental. Quando se fala na parte ambiental, do que se trata? É fazendo uma agenda, um relatório semanal, na parte operacional do aterro, que é enviado pela SOLVÍ e ai no mensal faz um relatório de toda a operação do aterro a nível de quanto recebia, quanto gastava de chorume, que é o problema, né, como é que tava a compactação... todo o relatório geral do aterro.

JULIANA: Era tu quem fazia? Só você?

DEYVED: Eu preparava o relatório, pegava os dados, porque eu não gerava os dados, eu compilava os dados de cada setor; arrumava os dados, verificava se tinha coerência e apresentava aos gestores.

MARCELA: Para SOLVÍ apresentava de quanto em quanto tempo?

DEYVED: Todos os dados. Eram dois tipos de relatório. Um era a agenda semanal, que é a coisa mais básica, não tinha grandes coisas, e o outro era o relatório mensal. Nesse relatório mensal, tenho todos os documentos guardados, se vocês quiserem..., tinham todas as informações relacionadas a quanto recebia de aterro, se tava compactado, se tinha reciclável, qual a geração de chorume, qual a vida útil do aterro, entendeu? Todo o processo. Como que era feito: eu preparava esses dados e passava aos meus gestores, eles dão o ok, ou então eles enviavam ou então eles enviavam diretamente para o grupo SOLVÍ, era assim que era feito. ,

MARCELA: Quem eram esses teus gestores na época?

DEYVED: Quando eu entrei, o meu gestor principal, a quem eu tinha que responder, era o LUCAS DANTAS, e o secundário, que era o gestor da unidade era o PAULO GAAL. Só que o PAULO não tinha muito... não tava muito próximo da operação, ficava mais fora. E eu mandava tudo pro LUCAS, ele validava ou não, e ele enviava pra São Paulo.

(...)

DEYVED: Quando eu comecei a estudar, eu peguei tudo... não sabia de nada, peguei tudo; comecei a estudar as licenças, o plano básico ambiental, comecei a estudar tudo! E eu verifiquei com o decorrer do tempo que algumas coisas tavam erradas, por exemplo: a vida útil do aterro, como deveria ser, não tava seguindo a risca... o aterro perdeu praticamente metade da vida útil dele...

JULIANA: Mas por qual motivo?

DEYVED: Na minha opinião, não posso afirmar 100%, porque não houve um zelo com quanto realmente o aterro tem a capacidade de receber, como é que ele ia receber, ou seja, a geração per capita de resíduo, só que isso aqui é um achismo meu, e uma coisa certeira: não houve assim uma preocupação em analisar realmente o clima. Na minha opinião, uma coisa é você pegar e fazer um aterro na região nordeste por exemplo, onde chove pouco e quando chove é 120mm; na região sudeste onde não tem umidade; e outra coisa totalmente diferente é tu pegar e fazer um primeiro aterro na região norte, onde a pluviometria é de 13 000, quando não chove todo dia, chove o dia todo; o nosso resíduo ele é composto em grande parte por umidade, em matéria orgânica, não é que nem na região nordeste, sudeste, que é muito industrial...

JULIANA: Por qual motivo exatamente, por que aqui não tem coleta, tu dizes?

DEYVED: Olha... seria mais complicado de se falar porque é a nível de governo, mas, as características da nossa população, ela é mais consumidora de produtos in natura, natural... então a população, querendo ou não, em comparação com a região são paulo... A classe daqui ainda não é elevada né, digamos assim, então tudo isso, levou o aterro a perder vida útil. Em que sentido: muito chorume; o próprio material ali tu compacta, mas vem a chuva... pra tu fazer bons acessos, boa compactação, podias fazer por exemplo colocar num acesso 060, não colocava por exemplo 060 num acesso que é compactado. Tu colocava um 20, as vezes dois... ou seja, foram uma serie de problemas que resultaram...

JULIANA: Pera, volta aí pra esse 60 que eu não entendi.

DEYVED: é uma parte técnica...

MARCELA: O certo era...?

JULIANA: Que 60 era esse, de altura?

DEYVED: Era.. de material compactado...

JULIANA: Aí colocaram 20, em cima da matéria orgânica é isso?

DEYVED: Mais ou menos... muitas vezes, pra tu ter uma condição de ter uma sustentação no maciço onde coloca o lixo, tinha que ter colocado muito mais... Imagine: tu ta operando um aterro... nessa região, pra operação de um aterro é muito complicado, porque além de ser uma região que chove muito, chove o tempo todo, e o principal inimigo do aterro é a chuva, é a coisa que eu aprendi logo de cara... a segunda coisa é tem que ter materiais pra operar o aterro, e quais são esses materiais? A primeira coisa, for ter material para cobrir, tem que ser argila compactada, que é impenetrável, digamos assim.... tem que ter pedra matacão, por exemplo, aquela pedra robusta, e essa pedra praticamente, o fornecedor mais próximo se não me engano, está a 200km, e ele cobra muito caro, na minha opinião, fora isso, não tem ninguém na redondeza com boa condição...

JULIANA: Mas tu tá falando da pedra no maciço, não? Na drenagem, né?

DEYVED: Calma, cê já vai entender... então, tem que ter a pedra, tem que ter o tubo, tem que ter o pedin... houve uma serie de materiais que eram necessários, que por muitas vezes, faltou... e o que me passavam eram problema financeiro. Toda vez que a gente passava um coisa, “ah, problema financeiro.”..

JULIANA: ‘a gente’ passava pra quem?

DEYVED: Quando eu passava, pros gestores... quando eu falo “a gente”, quando eu em operação...

MARCELA: Principalmente pro LUCAS, né?

DEYVED: É... era o gestor principal... era o gestor da operação, era engenheiro da operação. Ai, por exemplo, pra que tu usa uma pedra? A pedra tu usa pra drenagem. Pra que serve a drenagem: tu fez uma camada... bora falar assim, como é que funciona o aterro: existe as etapas, que é a parte básica, o fundo da base, e tem as camadas, que são as células. Entre essas partes, fazia tipo um sistema de circulação, como uma corrente sanguínea, ai tem que colocar o tubo e a pedra serve para que o chorume, lixiviado, em decomposição, penetre lá pra base, pegue suas infiltrações e vão para as bacias e o gás vá pra fora. Sempre faltou pedra. Então, ou seja, a parte principal do sistema de circulação, muitas vezes não tinha. Começou a ter de verdade quando o ADRIANO LOCATELLI chegou, isso aí é mais pra frente, eu vou falar depois. Então não tinha esse material. “e com o que vocês faziam?” as vezes colocava pneu, analisando em nível ambiental, em alguns lugares existem se faz com pneu; fizeram com pneu, fizeram as vezes com coco. Usou varias técnicas nas experiências. Então não tinha pedra. Como se faz um acesso em um local que chove? A região aqui colocam seixo, mas seixo num aterro que sofre recalque... um aterro, ele vai decompor, e vai diminuindo o chorume, só que ele não vai diminuindo o tamanho no mesmo tanto. Num local pode ter matéria orgânica, entra em decomposição, recalque maior; então o seixo não serve pra nada. Tentamos usar o seixo diversas vezes, porque era o que tinha em mais quantidade na região. Mas o principal era a brita, oriunda do matacão, e a pedra. Segundo que consumiu muito desse material, do pouco que já tinha pra tentar manter a disposição de lixo da região. Os diversos protestos que teve por parte dos coletores foi por que não se tinha um acesso com segurança...

(...)

JULIANA: O que tu analisaste do projeto?

DEYVED: O projeto tá em formatação... e nesse ponto o projeto tá muito bem elaborado. Isso aí é a primeira coisa... Isso tudo eu comecei a observar, e eu já não sabia de nada, ‘meu deus isso aqui é muito diferente’. Ai depois quando vem o verão, é maravilha, porque não tem chuva, se não tem chuva, pode ter pouca pedra, mas tu consegue trabalhar perfeitamente.

JULIANA: Não tem a produção de muito chorume?

DEYVED: Nem só isso. Com chuva, tu não consegue ter acesso, sem chuva tu coloca um acesso so com argila compactada e arenoso, piçarra. Só. Então tu vai falar ‘diminui a produção de chorume?’, diminui, mas pouco, a nível do lixo. O que diminiu é a contribuição da chuva na geração do lixo, porque se tu não consegue cobrir aquele material, tu não tem argila seca, vai ficar com o lixo exposto, vai entrar mais agua, quanto mais agua, mais chorume. O negão é poderoso, como o pessoal fala. Então comecei a observar todas essas coisas... mas no verão, no meu primeiro verão, houve aquela preocupação de todo mundo, até dos gestores nesse ponto...

JULIANA: Que gestores? Os locais?

DEYVED: ...Os locais em tentar resolver o problema.

JULIANA: Após o primeiro inverno, tu dizes?

DEYVED: Isso, após o primeiro inverno... quando se saiu do inverno, foi pro verão, houve aquela preocupação da operação, quando eu falo operação, eu falo eu, analista ambiental, NILSON CONCEIÇÃO que era o encarregado, que praticamente era eu e ele que verificava os problemas e apresentava... ‘LUCAS, tá acontecendo isso... LUCAS, tá acontecendo isso...’.

JULIANA: Mas o LUCAS não conseguia ver sozinho também?

DEYVED: Eu vou, digamos assim... O LUCAS é o gestor. Ele tinha 7 anos de aterro, JÁ VINHA DE OUTROS ATERROS... que eu fazia, qual era minha rotina de trabalho na GUAMÁ, depois que eu comecei a entender algumas coisas.. Eu chegava no aterro 7h, e a primeira coisa que eu ia fazer era rodar campo. Muitas vezes eu saia só no campo. Porque tu consegue ver os problemas quando tá andando, sozinho, de carro é inviável. Então andava no aterro, verificava alguns problemas, operacionais, normais, ou não.. Chamava o NILSON... ‘NILSON, ta acontecendo isso, como é que aconteceu? Como é que surgiu? Qual foi o horário, qual foi o problema, qual foi o turno?’. A gente verificava, tentava solucionar o problema, se conseguisse, SE NÃO CONSEGUISSE, MAS MESMO ASSIM, PASSAVA PRO LUCAS.

(...)

MARCELA: E os problemas que não eram normais...?

DEYVED: Que eu verifiquei... Bacias extremamente cheias... o aterro no seu projeto inicial previa...

JULIANA: Bacias de chorume...?

DEYVED: é... o percolado que é o material impermeável, que era o material tratado era só uma bacia. O PROJETO INICIAL PREVIA QUATRO BACIAS e isso... EU NÃO SEI QUANTAS BACIAS TEM HOJE (JULIANA: 16..) ... MAS NA MINHA ÉPOCA ERAM SÓ 7 BACIAS ADICIONAIS. Então foram feitas varias bacias, varias... só que acontece... NÃO ADIANTA SÓ TU COLOCAR BACIA... isso é uma conclusão minha... não adianta só armazenar, armazenar... POR QUÊ? VAI CONTINUAR ESCORRENDO... TU TEM QUE TRATAR! Independente se há osmose, OSMOSE REVERSA, que É A MAIS INDICADA, tem que tratar... A ÁGUA MAR, QUANDO EU TAVA LÁ, BUSCOU PARCERIA COM A COSANPA, pra verificar se existia a possibilidade, mas foi constatado que não, que não tinha condições de tratar..

MARCELA: Por que não?

DEYVED: Por causa que não é no-hall dela... o no-hall dela é esgoto... De todos os contaminantes de nós, seres humanos, o chorume é o pior.

MARCELA: Então ela não tem como tratar?

DEYVED: Ela não tinha condições técnicas de tratar...

JULIANA: A nível de esgoto, é muito, muito pior?

DEYVED: O esgoto é água perto do chorume... Chorume é terrível... E ai o que acontece: feitas tentativas de parcerias, não conseguiu... Uma das coisas que foi alertada pela operação, por mim, pelo NILSON, até mesmo pelos outros funcionários, é que a osmose, não tava dando conta...

JULIANA: Por conta da característica do chorume...?

DEYVED: Não só isso... Foi constatado que o chorume da Água Mar, dessa região, é extremamente ácido... por quê? Se nós temos um solo com características ácidas devido ao excesso metais, primeiro ponto. Então se a gente tem uma água com metais, solo com metais, com certeza o chorume vai ter metais e vai ser ácido... A osmose ela trabalha com parâmetros... o que são parâmetros: são variáveis fixas para cada quantidade; por exemplo, alumínio, ela não pode performar ela até tantos valores... cálcio, pode performar até tantos valores... Ou seja, quando ela não performa ela não trata bem; ou ela trata bem, ou ela não trata. Então foi verificado por relatórios, que a Guamá possui...

MARCELA: Você que fez o relatório?

DEYVED: Não... Como é que fazia os relatórios... Eram terceirizados...

MARCELA: Quem era que fazia esses relatórios?

DEYVED: Houve várias empresas... BIOAGRI... teve a... foram tantas... de cabeça não posso lhe falar, mas eu tenho tudo, todos os relatórios.. a GUAMÁ também tem... Como que a gente fazia essas analises... Pegava a coleta do material, e via os resultados. Sempre buscando levar essas analises para laboratórios que fossem registrados...

MARCELA: E esses relatórios, eles constatavam isso...?

DEYVED: Eles constatavam que... Digamos, tem uma máquina... a máquina fala que ela pode performar até nesse, nesse e nesse.. pegava as variáveis e comparava com que o que vinha no relatório e tu verificava que tava bem maior...

JULIANA: O que a máquina podia ser capaz de tratar, e o chorume, componentes desses nosso chorume era muito difícil de ser tratado..

DEYVED: Bem maior...

JULIANA: Isso desde quando tu começou a iniciar.. não?

DEYVED: Desde o inicio verificou que...

JULIANA: ... Nosso chorume não ia conseguir ser tratado adequadamente...

DEYVED: De forma eficiente pela FLUIDBRASIL... mas no primeiro mês a equipe FLUID se empenhou e buscou aumentar a eficiência da planta. Como, eu não sei, que eu não entendo a parte técnica da osmose, mas eles conseguiram tratar de uma forma melhor. Só o que acontece: Com o tempo a planta começou a ter problemas.. uma única planta não era adequada... porque uma única planta não ia ter condições de tratar todo o chorume

JULIANA: Quanto o chorume era produzido por dia...?

DEYVED: Olha... porque variava muito...

JULIANA: Mas esses relatórios, um dos elementos desse relatório era isso, né?

DEYVED: Tem tudo guardado, era isso.. a produção de chorume diária... o controle da produção de chorume diário foi feito a partir do finalzinho do verão, após o primeiro inverno, que antes não havia 100% controle dessas informações.. e ai eu comecei junto com o ADRIANO MAIA, o topografo, que fazia o levantamento das bacias.. digamos assim, a planta tratava de maneira aquosa, não sei dizer agora, faz 5 meses que eu to fora... ela tratava, sei lá, 500m³/dia, era gerado 1500m³/dia... era gerado. Não era assim, geração do lixo... saia do maciço uma média de 1500, mas esse que saia não era o que era gerado, porque o maciço tava cheio de chorume... desde que eu cheguei na GUAMÁ, na metade do verão mais ou menos assim, foi constatado que o maciço tava cheio de chorume...

JULIANA: POR QUE ESSE CHORUME NÃO SAIA DE LÁ...?

DEYVED: PORQUE NÃO TINHA LOCAL PRA COLOCAR.

JULIANA: ISSO GEROU UMA INSTABILIDADE NO MACIÇO?

DEYVED: Não... Até hoje, não. Eu espero que no futuro eles não tenham problemas... Mas se não evacuar o chorume, é possível... é como se fosse uma esponja, vai absorvendo, absorvendo, pode-se ocorrer, não to afirmando, que... enfim... o resto vocês podem imaginar...

MARCELA: Então esses 1500... são hipotéticos...

DEYVED: São... são hipotéticos... não tem valores exatos... mas o que eu posso te falar é que era maior, e com o tempo foi ficando muito maior... e aí, o que acontece. Você fala ‘DEYVED, mas se tu começou a observar tudo isso, porque tu não avisou eles?’ Tudo que aconteceu na GUAMÁ, eu vou colocar a operação, a operação alertou antes. Tudo! Tá tudo registrado em e-mail...

JULIANA: Alertou ao gerente de operação?

DEYVED: Ao gerente de operação!

JULIANA: Tu tomaste conhecimento de que providência o gerente tentava ou não tentava nada, tentava e não conseguia...?

DEYVED: Olha...eu vou por pontos... A PRIMEIRA PARTE DO QUE ERA AVISADO: ERA AVISADO POR EXEMPLO QUE SE TAVA TENDO GRANDE PRODUÇÃO DE CHORUME, E QUE O MACIÇO PARA O PRÓXIMO INVERNO NÃO IA AGUENTAR, IA SE TER, DIGAMOS ASSIM, ECLOSÃO...

JULIANA: MAS ISSO ERA AVISADO INFORMALMENTE, OU POR RELATÓRIO?

DEYVED: Informalmente e por e-mail também, mas, mais informalmente... ‘LUCAS, isso aqui não vai dar...’. O próprio NILSON que era o encarregado: ‘LUCAS, isso vai dar problema’...

JULIANA: Mas quando você falava isso pra ele, você diz que ele tem 7 anos de experiência de aterro, ele verbalizava que ele concordava com você ou não, ou ele concordava, ou ele ficava calado?

DEYVED: Já vou chegar nesse ponto... ENTÃO O QUE ACONTECE: TUDO ISSO ERA REPASSADO... QUE PRECISAVA DE BACIA, QUE A OSMOSE NÃO TAVA PERFORMANDO, QUE TAVA FALTANDO MATERIAL... SE NÃO TEM MATERIAL... É EFEITO EM CADEIA.. VAI TUDO AUMENTAR, TUDO! SE TU NÃO TEM MATERIAL ADEQUADO PARA COBERTURA E MATERIAL PARA FLUIR ESSE CHORUME, NÃO TEM BACIA, NÃO TEM TRATAMENTO... TU NÃO TEM EQUIPE SUFICIENTE, E ISSO FOI ALERTADO, TA TUDO EM E-MAIL... E EU LEMBRO QUE EU FIZ ESSE E-MAIL. FIZ UM ESTUDO DE QUANTO QUE ERA NECESSÁRIO TER NA OPERAÇÃO DE GENTE, DE QUANTO...

MARCELA: Você que fez e enviava pra quem...?

DEYVED: eu que FIZ, TA TUDO EM E-MAIL... PRO LUCAS DANTAS, ÁS VEZES PRO GUSTAVO TAMBÉM, que foi o outro gestor... e teve TAMBÉM O MICHEL BACELAR, QUE FOI O OUTRO GESTOR... Então isso FOI REGISTRADO. FOI FEITO UM ESTUDO DE QUANTO ERA NECESSÁRIO DE EQUIPE... FOI FEITO UM ESTUDO QUE FOI NO ANO QUE A OSMOSE NÃO TAVA PERFORMANDO... FOI FEITO UM ESTUDO PARA VERIFICAR O QUANTO DE MATERIAL ERA NECESSÁRIO PARA CONTINUAR A OPERAÇÃO E O MATERIAL NECESSÁRIO PARA PASSAR DE FORMA TRANQUILA DURANTE O INVERNO... TUDO ISSO FOI FEITO... VERBAL E TAMBÉM MANDEI E-MAIL...

MARCELA: QUANDO FOI QUE VOCÊ AVISOU ESSA SITUAÇÃO...?

DEYVED: VÁRIAS VEZES...

MARCELA: A primeira vez, quando foi.. que tu avisaste, que tu viu realmente...?

DEYVED: eu comecei a ter conhecimento foi no verão, após o primeiro verão, quando eu tive aquele choque...

MARCELA: Mais ou menos assim abril/maio de 2016...?

DEYVED: é... mais ou menos por ai...

JULIANA: Ainda em 2016?... ou seja, daria tempo pra se fazer algo durante o verão pra que....

DEYVED: Daria... com certeza... Tudo isso era repassado, e sempre que eu escutava, ou então o NILSON escutava, mas era mais eu, porque era eu que era o porta-voz entre os dois, entre a operação e o LUCAS... era “NÃO TEM DINHEIRO.. PREFEITURA NÃO PAGA... PREFEITURA DE ANANINDEUA NÃO PAGA, VAI FAZER COMO?... TEM QUE FAZER COM O QUE PODE...”.. Aí Eu Falava: “NÃO É QUESTÃO DE FAZER COMO PODE. É QUE NÃO VAI CONSEGUIR FAZER... UMA COISA É TU OPERAR NO MÍNIMO, NO BÁSICO... OUTRA COISA É TU OPERAR NA PRECARIEDADE, NÃO VAI TER CONDIÇÕES!”. ISSO FOI ALERTADO INÚMERAS VEZES.

JULIANA: Não era nem no minino, era na precariedade mesmo...?

DEYVED: ERA NA PRECARIEDADE, EXATAMENTE... E AI QUANDO FOI VERIFICADO QUE NÃO IA FAZER NADA, EU FALEI “LUCAS, NÃO É MELHOR ENVIAR ESSAS INFORMAÇÕES PRA SÃO PAULO? NÃO É MELHOR FALAR PROS TEUS CHEFES?”

JULIANA: Mas tu não informavas isso, não mandavas por e-mail pro ELEUZIS, pra LUZIA...?

DEYVED: Já vou chegar nesse ponto também... então.. “não é melhor tu informar essas coisas pra fora?... ele me falou umas várias vezes:

“DEYVED, tu tem quanto tempo de aterro?

“5, 6 meses...”

“EU TENHO 7 ANOS DE ATERRO. EU SEI MUITO BEM COMO É FUNCIONA ESSA EMPRESA, EU SEI MUITO BEM QUE ELES NÃO QUEREM SABER; QUEREM SABER DA COISA FUNCIONANDO. SOU EU QUE SOU RESPONSÁVEL POR ISSO, É MINHA CABEÇA QUE VAI ROLAR. Faz tua parte E DEIXA QUE EU RESPONDO, É MINHA RESPONSABILIDADE.”

Várias vezes eu escutei essa frase... Alertava, alertava... Fiz estudos... alguns estudos, o GUSTAVO quando chegou, vou falar essa parte; quando o GUSTAVO chegou “ei, DEYVED, é melhor tu fazer estudo pra saber o quanto precisa de material”, de geradores por exemplo, eu fiz. Mas não é isso que foi pra frente. Então, tá. Comecei a ganhar experiência, e junto comecei ganhar experiência, diante do Grupo SOLVÍ, porque a gente mandava relatórios básicos, eu fiz um curso lá de geração de resíduos, um mês sim um mês não ia pra Bahia... então digamos assim, eu fui ganhando respeito no Grupo SOLVÍ e partir do momento em que eu ganhei esse respeito no grupo, digamos assim, ganhei algum nome, eu comecei a bater de frente com o LUCAS, foi aí que eu falei “LUCAS, não é desse jeito , não é assim que tem que fazer...” e eu comecei a entrar em confronto. Toda equipe de operacional pode comprovar isso. “isso não vai dar certo, não concordo com isso”, “DEYVED, faz tua parte, deixa que eu respondo pelo resto”. O VERÃO ACABOU A GENTE NÃO CONSEGUIU TERMINAR O ATRASADO, NEM FAZER O PLANEJADO. E AI COMEÇOU A CHUVA. CHOVE, CHOVE... POR EXPERIÊNCIA NOSSA, DO PARÁ: “ESSE INVERNO, VAI SER PIOR... NÃO TEM MATERIAL...”, “DEIXA ISSO COMIGO”. CHEGOU O SEGUNDO INVERNO, E AI O PAULO FOI DESLIGADO DA EMPRESA E CHEGOU O GUSTAVO...

(...)

MARCELA: Todos esses dados que dava pra notar que realmente não tava funcionando o aterro...?

DEYVED: NÃO TAVA PERFOMANDO... QUANDO CHEGOU EM DEZEMBRO... DETALHE... EU PAREI DE FALAR DOS ALERTAS, MAS TODO TEMPO A GENTE TAVA “ISSO VAI DAR PROBLEMA, ISSO VAI DAR PROBLEMA...”... ENTÃO O QUE ACONTECE: COMO EU COMECEI A ENTRAR MUITAS VEZES EM ATRITO COM O LUCAS, EU COMECEI A ME RESPALDAR. FALEI “VOU COMEÇAR A MANDAR TUDO POR E-MAIL”. DATAS ESPECIFICAS EU NÃO SEI, MAS A PARTIR DE JUNHO/JULHO... TUDO POR E-MAIL PORQUE AS PALAVRAS VOAM E A CORDA QUEBRA SEMPRE PRO LADO MAIS FRACO, QUE ERA A OPERAÇÃO. ENTÃO REGISTREI TUDO POR E-MAIL. “ALERTO AOS SENHORES QUE ESTA ACONTECENDO ISSO ISSO E ISS”, “ALERTA PARA O NÍVEL DE VOLUME..”, “ALERTA PARA O NÍVEL DAS BACIAS...”, COMECEI A ALERTAR TUDO. TODA HORA EU MANDAVA E-MAIL, VÁRIOS E-MAILS. E NENHUM ERA RESPONDIDO, NINGUÉM FALAVA “BELEZA.”

JULIANA: Só pro LUCAS, que tu dizes?

DEYVED: Não, isso eu mandava pro LUCAS, pro GUSTAVO, quando tinha o GUSTAVO... algumas vezes eu mandei pro RONIVALDO, mas eram coisas pequenas porque o RONIVALDO não tinha influencia na operação...pra eles passarem pra frente! Porque eu não tinha autoridade, nunca tive autoridade pra passar direto pra um ELEUZIS da vida... LUZIA... não tinha essa ligação...

MARCELA: Mas tu dissestes que tu tinha esse e-mail corporativo que tinham acesso...?

DEYVED: Tinham...

MARCELA: E pra ele tu remetia e tinha acesso ao ELEUZIS e a LUZIA por esse e-mail...?

DEYVED: O que eu passava pro e-mail corporativo eram apenas os relatórios. Os e-mails de alerta eram pros meus gestores, somente isso... ai eu comecei a entrar em confronto e nisso que eu entrei em confronto, ta faltando material, as coisas estão começando a sair ‘100% do controle’, porque antes já era meio fora do controle, não tem dinheiro, não tem pedra, ou seja, era um estresse geral... eu cansei de receber ligações à noite, sendo informado dessas situações...

JULIANA: Por quem?

DEYVED: Pelo encarregado que era o NILSON, por quem tava na frente...

JULIANA: O NILSON ainda trabalha lá?

DEYVED: sim, trabalha... NILSON CONCEIÇÃO o nome dele... tudo que eu falei aqui., acho que ele pode dar continuidade... e aí o que acontece... então houve essa situação.. eu comecei a bater de frente e ai uma vez ele me falou assim: “DEYVED, teu chefe sou eu. Quem te avalia pros demais sou eu...”

MARCELA: quem te falou isso?

DEYVED: O LUCAS. Então... “quem tem mais experiência aqui no aterro sou eu. Então faz a tua parte que as coisas vão andar”. Tipo: “fica na tua”.

JULIANA: Tu falastes que passava pro LUCAS as situações e ele dizia assim “eu conheço esse grupo...eu sei como funciona, minha cabeça que tá em jogo...”, quando ele falava isso, tu entendia que ele não estava repassando a situação pros superiores lá de São Paulo?

DEYVED: Já chegar nesse ponto. É mais lá pra frente... isso era claro, PORQUE TU VE UM ATERRO QUE TA ESTOURANDO E NÃO TÁ SENDO FEITO NADA PELO CORPORATIVO, CORPORATIVO NÃO DA ATENÇÃO, CADÊ A LIGAÇÃO? Não tem a ligação! QUANDO O MAURO RENAN IA LÁ EU NÃO VIA UMA CONVERSA, UMA MELHORIA. EU NÃO VIA CHEGANDO MATERIAL, O PRÓPRIO GRUPO CORPORATIVO TIRANDO DO SEU BOLSO.. A GENTE NÃO VIA TIPO “TOMA O MATERIAL QUE VOCÊS PRECISAM!”. NÃO VIA ISSO, NÃO VIA ESSE MATERIAL CHEGAR. Aí em dezembro de 2016, o grupo SOLVÍ resolveu fazer um projeto de eficiência, que era o projeto FOCUS, que era um consultor chamado FÁBIO, que deve tá agora ai de novo, fazendo o trabalho... o trabalho era buscar eficiência... e ele veio lá... ELE VIU O PROBLEMA QUE ERA A SITUAÇÃO E COMEÇOU A TENTAR FAZER MELHORIAS NÉ... E NISSO, EU FALEI ASSIM PRO NILSON “ESSA É NOSSA OPORTUNIDADE DE TENTAR PASSAR REALMENTE PRO GRUPO AQUILO QUE A GENTE ACHA QUE NÃO TA ACONTECENDO, O QUE REALMENTE TA ACONTECENDO ALI, ELES NÃO TAO SABENDO”. E A GENTE TENTOU PASSAR UMAS COISAS. Nesse mesmo período chegou o ADRIANO LOCATELLI que ele veio como se fosse um consultor do grupo, não contratado, mas do grupo, ele já tinha experiência, acho que uns 10 anos de aterro no sul, pra fazer o processo. E NISSO QUE CHEGOU MAIS GENTE, A SITUAÇÃO FICOU MUITO ESTRESSANTE ENTRE OS GESTORES. “TEM QUE FAZER ISSO!” , “NÃO, TEM QUE FAZER AQUILO!!”. OU SEJA, ERA MUITO CHEFE PRA POUCO ÍNDIO, E JÁ NÃO TINHA ÍNDIO. FAZ ISSO, FAZ AQUILO OUTRO. FOI UMA COISA DE LOUCURA. E NISSO EU COMECEI A TER CERTEZA PELA REAÇÃO DELES QUE SÃO PAULO NÃO SABIA DE NADA. E AÍ EU FALEI: “NÃO, VOU COMEÇAR A FALAR...”, AÍ COMEÇAVA: “ADRIANO, TÁ ACONTECENDO ISSO...” E ELE ACHANDO INTERESSANTE... E NISSO EU FUI CHAMADO DE MODO BEM CLARO E OBJETIVO pelo LUCAS, dizendo:

“o que tá acontecendo?”.

E eu: “por quê?”

“to percebendo que tu não faz mais aquilo que eu to mandando...”

“Eu nunca fiz o que tu manda. Eu tento fazer o que é certo.”

“Mas o que tá acontecendo, DEYVED? DEYVED, sou eu que te avalio. Sou eu que sou teu chefe. Se tu vai continuar aqui ou não, sou eu que te elogia aqui, sou eu. Então bora manter a parceria!”

Foi essa a palavra que ele usou. Ou seja, ou tu faz o que eu faço, ou... rua... e ai eu conversei e falei “NILSON, olha o que o LUCAS veio falar...”

MARCELA: E o que ele fazia? “faz o que eu faço”? ou ele só se omitia, fingia que não via, ou ele tinha uma conduta ativa com relação a alguma coisa no aterro?

DEYVED: Olha... digamos assim... Eu acho que ele queria fazer as coisas da maneira certa, eu acho, mas ao mesmo tempo ele não queria se comprometer com o grupo e dizer que não ta andando, porque se não tá andando, troca-se o gestor.. tipo, a base não se troca com tanta frequência, mas gestor a cabeça rola rápido. Então ele não queria se comprometer. E nisso, quando tinha as visita, eu percebia, era claro e evidente, quando tinha visita técnica, que ele ficava com muito medo de alguma coisa. Foi quando começou a ter as visitas, que eu tive a certeza, e foram varias, de que eles não sabiam de nada.

JULIANA: Eles que tu diz, esse grupo...

DEYVED: É... a LUZIA...

MARCELA: E quando eles começaram a visitar?

DEYVED: Olha, teve uma visita em fevereiro, no primeiro inverno, mas ai não sabiam de nada... era o que tava acontecendo...

MARCELA: fevereiro de 2016

DEYVED: Fevereiro de 2016... a LUZIA veio mais duas vezes, MAURO foi várias vezes lá...

(...)

MARCELA: BACIA QUE SUMIA O VOLUME TODO DA BACIA...?

DEYVED: NÃO... ERAM VAZAMENTO...

JULIANA: É QUE NÃO TINHA ONDE COLOCAR O CHORUME, AI VAZAVA... É QUE PRODUZIA MAIS E TINHA MENOS CHORUME NAS BACIAS DO QUE PRODUZIA; OU SEJA, VAZAVA.

DEYVED: ISSO...

MARCELA: PRA ONDE QUE VAZAVA?

DEYVED: VAZAVA PRO CHÃO... ISSO AÍ TEM FOTOS, TEM REGISTROS...

JULIANA: Quando eu fui lá em março tinha inclusive uma drenagem que levava até a REVIS...

DEYVED: Olha.. quando a senhora foi lá... digamos assim... todas as vezes que tinha uma visita importante, eu não tinha autorização pra ir pra campo, justamente por quê eu era quem? O analista ambiental. Então eles não me deixavam chegar perto... então tem os dados... é bom contratar uma pessoa que entenda do assunto e cê vai verificar que sumia chorume. E ai, o que acontece: HOUVE ESSA BRIGA, HOUVE ESSA DISCUSSÃO, HOUVE ESSE VAZAMENTO E FOI O ESTOPIM PRA MIM ALI. EU PEGUEI COLOQUEI NUM GRUPO JUNTO QUE TAVA GUSTAVO, tava LUCAS, tava ANDRE LOCATELI, tava o FÁBIO... “SENHORES, SÃO 01H DA MANHÃ, AS BACIAS ESTÃO TODAS CHEIAS, EU NÃO TENHO ONDE COLOCAR CHORUME.” E NISSO A ORDEM QUE A OPERAÇÃO RECEBEU FOI DE JOGAR CHORUME PRA FORA. A ORDEM CLARA E DIRETA.

JULIANA: PRA FORA ONDE?

DEYVED: PRA FORA... PRA FORA!

JULIANA: MAS EM QUE LUGAR? NO MEIO, NO SOLO...?

DEYVED: TEM UMA BACIA AQUI COLOCA PRO PÉ DELA... A PALAVRA CERTA NÃO SERIA DIZER RIO, PORQUE TEM RIO EM TUDO QUANTO É CANTO ALI. TEM RIO NESSA E NAQUELA REGIÃO. COMO É QUE FUNCIONA A PARTE TOPOGRÁFICA DO SOLO. O LÍQUIDO VAI BUSCAR UM LOCAL DE VALE, UM LOCAL DE MENOR NÍVEL.. TEM O MAIOR NÍVEL E MENOR NÍVEL.. E ESSE MENOR NÍVEL CONSEQUENTEMENTE É O RIO. Não posso dizer ‘rio’, pelo menos nesse ponto a GUAMÁ tava certa, na minha opinião. Mas ia, indiretamente ia.

JULIANA: Mas ele sabiam que ia. Se tu tens esse conhecimento, eles também têm.

DEYVED: SIM, E FOI ALERTADO...

MARCELA: QUEM FOI QUE TE DEU ESSA ORDEM DE QUE PODIA JOGAR PRA FORA DAS BACIAS?

DEYVED: FOI O LUCAS QUE DEU ESSAS ORDENS. CLARA E OBJETIVA, PRA OPERAÇÃO.

JULIANA: MAS ISSO POR WHATSAPP, NO GRUPO?

DEYVED: NÃO, FOI POR LIGAÇÃO. EU CHEGUEI ATÉ, OLHA COMO TAVA TAO CRITICA A SITUAÇÃO, QUE EU CHEGUEI A QUERER GRAVAR AS LIGAÇÕES, DEPOIS JOGUEI TUDO FORA, FALEI PRO “ISSO AQUI É COISA DE DOIDO, NÃO QUERO PAPO COM ESSE NEGOCIO”. TÁ FICANDO UMA COISA MUITO INVESTIGAÇÃO, NÃO QUERO NÃO, TO FICANDO DOIDO. QUANDO ELE MANDOU ISSO A OPERAÇÃO CUMPRIU NA PRIMEIRA NOITE... NA SEXTA FEIRA EU RESOLVI DENUNCIA O LUCAS E O GUSTAVO. O GUSTAVO SABIA DE TUDO TAMBÉM E ELES FICAVAM NAQUELA BRIGA DELES E NÃO RESOLVIA O PROBLEMA... EXISTIA UMA FORMA DE MANDAR DENUNCIA E EU DENUNCIEI OS DOIS. EU MANDEI VÍDEOS MOSTRANDO O ATERRO, MANDEI FOTOS DO ATERRO E FALANDO QUE SE ELES FIZESSEM REALMENTE UMA ANALISE CRITICA DOS RELATÓRIOS QUE EU TAVA ENVIANDO, ELES IAM PERCEBER QUE DE CERTA FORMA, JÁ QUE EU NÃO TINHA AUTORIZAÇÃO PRA FALAR, NAS ENTRELINHAS DAS COISAS, PRA DIZER QUE O ATERRO NÃO TAVA CERTO.

JULIANA: E ISSO FOI O QUE? 25 DE JANEIRO, QUE ESTAS FALANDO?

DEYVED: 25 DE JANEIRO... EU DENUNCIEI... EU FALEI “NILSON, EU VOU DENUNCIAR ESSES CARAS.”

JULIANA: POR E-MAILL?

DEYVED: NÃO... QUE EU FIZ... EU CONVERSEI COM O NILSON, FALEI “VOU DENUNCIAR OS CARAS. SE EU TIVER QUE SER DEMITIDO, QUE EU SEJA DEMITIDO, MAS NÃO DÁ MAIS. ISSO AQUI PERDEU O CONTROLE, E OS CARAS NÃO TAO FAZENDO NADA.”

JULIANA: QUANTAS LAGOAS TINHAM NESSA ÉPOCA?

DEYVED: Eram umas quatro normais... e 5 bacias adicionais.

JULIANA: JÁ TINHA AQUELA... A 6A... JÁ TINHA?

DEYVED: não, isso ai foi o ADRIANO LOCATELLI que determinou que fosse feito e jogaram logo lá. Isso foi obra do ADRIANO, não foi do LUCAS, que nessa época já perdido o poder... Porque eu já tinha feito a denúncia... como é que eu havia feito a denuncia: eu liguei pra LUZIA. Como a LUZIA, digamos assim, depois do LUCAS, era a pessoa... o chefe superior que instruía as palestras... Eu liguei eram umas 7h da noite... falei “LUZIA, eu queria conversar com a senhora porque eu acho que a gestão não esta sendo 100% transparente. Olha... AS BACIAS ESTÃO TODAS CHEIAS, O MACIÇO TÁ CHEIO DE CHORUME... E ISSO NÃO TA SENDO REPASSADO PRA VOCÊS. A VIDA ÚTIL DO ATERRO TÁ COMPROMETIDA...” FALEI: TÁ ACONTECENDO ISSO! “TENHO FOTOS QUE EU ENVIEI POR WHATSAPP...” ACHO QUE CHEGUEI ATÉ A FILMAR DOIS VÍDEOS E MANDEI E ELA FALOU: “MINHA NOSSA SENHORA! EU SABIA QUE O PROBLEMA ERA GRAVE, MAS NÃO TAO GRAVE..”. “E EU GOSTARIA DE SABER COMO A SENHORA FAZ PRA RESOLVER ESSE PROBLEMA AÍ, SEM COMPROMETER A MIM QUE SOU QUEM TÁ FAZENDO A DENUNCIA – PORQUE A PRIMEIRA PESSOA QUE SOFRE É QUEM TÁ FAZENDO A DENUNCIA NE -, e o NILSON, que nos estamos com umas posturas que as pessoas não tao querendo resolver.” Se os grandes não fazem, bora tentar fazer alguma coisa né? ELES FALARAM: “VAMO TENTAR FALAR COM O ELEUZIS” – QUE É O CHEFE MAIOR -, “EXISTE UM GRUPO DE DENUNCIAS ANÔNIMAS E A GENTE VAI TENTAR PROTEGER VOCÊS, PODE FICAR TRANQUILO. A GENTE VAI TENTAR FAZER ALGUMA COISA COM ESSES DOIS”. AI, OU SEJA, UM DIA ANTES HOUVE A ORDEM DE SE MANDAR O CHORUME PRA FORA, DIRETO...

JULIANA: E TU FALASTE ISSO PRA LUZIA?

DEYVED: Falei! Ai ela falou “DEYVED, suspende essa operação.” Mas ai eu falei: “LUZIA, eu não tenho poder, de falar ‘operação, faz isso’, eu não tenho esse poder.”, “NÃO, EU TO TE DANDO ESSE PODER. QUALQUER COISA, PODE FALAR QUE FUI EU QUE MANDEI. SUSPENDE.”; AI EU FALEI: “TÁ, MAS CÊS VAO MANDAR ALGUÉM AQUI NÉ? PORQUE SÓ SOU EU.”, “NÃO, DEIXA QUE A GENTE VAI RESOLVER ISSO. SUSPENDE”. AI EU: “NILSON, CONVERSEI COM A LUZIA, É PRA SUSPENDER TUDO.”

JULIANA: NO DIA 25 DE JANEIRO?

DEYVED: ACHO QUE FOI NO DIA 24... NÃO TENHO A DATA CERTA.

JULIANA: QUANDO TU DISSE QUE ELE FALOU ‘MANDA JOGAR’, VOCÊS REALIZARAM UMA DRENAGEM...? COMO FOI QUE VOCÊS FIZERAM ISSO?

DEYVED: Pega O Mangote, Que É Tubo, Aquela Mangueira Grande, Flexível, E Põe Pra Fora Da Bacia...

(...)

MARCELA: Por que o MAURO tava sendo desligado?

DEYVED: Eu não sei... essa parte aí.. não tenho esse conhecimento... aí ele veio, olhou lá tudinho, conversou, com LUCAS... os dois gestores já estavam bem nervosos... o ADRIANO começou a ter mais poder de fazer as coisas... e o MAURO chegou pra mim “DEYVED, bora ter uma conversa de amigo para amigo”. O DIRETOR DA REGIÃO NORTE/NORDESTE, ‘CONVERSA DE AMIGO’... “Bora...”. Eu já esperava por isso.

“DEYVED, EU FIQUEI SABENDO QUE VOCÊS TAVAM TENDO PROBLEMAS AÍ... E QUE TÁ TENDO ALGUNS VAZAMENTOS, ME CONTA ISSO...”

“Olha... O ATERRO NÃO TÁ DO JEITO QUE ERA REPASSADO PRA FRENTE. TÁ ACONTECENDO ISSO, ISSO, ISSO... E SEMPRE O QUE A OPERAÇÃO ESCUTOU FOI: ‘NÃO TEM DINHEIRO, BELÉM NÃO PAGA, ANANINDEUA NÃO PAGA...’, E TÁ DESSE JEITO AÍ... HOUVE VÁRIOS ALERTAS... MAS OS GESTORES, ACHO QUE NÃO DERAM CONTINUIDADE AO PROCESSO...”

“MAS TU ACREDITA EM MELHORA?”

“ACREDITO! TEM QUE TER DINHEIRO. VOCÊS DAO SUPORTE, A OPERAÇÃO TRABALHA MAIS...” – E DETALHE: TODA A OPERAÇÃO, NESSE PERÍODO TRABALHOU ALÉM... NÃO TINHA GENTE SUFICIENTE... EU TINHA UMA HORA EXTRA ABSURDA LÁ. TODOS TINHAM HORA EXTRA LÁ.. DIGAMOS ASSIM, A OPERAÇÃO TENTAVA SE AJUDAR, JÁ QUE OS OUTROS NÃO FAZIAM NADA, A GENTE TENTAVA SE AJUDAR.. AI TÁ. ELE CHEGOU E: “TU ACREDITA EM MUDANÇA?”, EU DISSE “SIM, ACREDITO, EU ACHO QUE O GRUPO SOLVÍ TEM CONDIÇÕES FINANCEIRAS PRA ARRUMAR ISSO. COM CERTEZA”. Depois disso, NÃO DEMOROU UM TEMPO, COMEÇOU A VIR VARIAS VEZES.. LUZIA VEIO, VISTORIOU TUDO... nesse processo, que a LUZIA veio, eu não me aproximei da LUZIA, pra não deixar as coisas nas caras e tal. Ela só olhou pra mim, me cumprimentou, eu cumprimentei ela... e o LUCAS chegou à conclusão de que eu que tinha falado. Quem é que tinha acesso à LUZIA, fora LUCAS, DANTAS e MICHEL?! Era eu que mandei. Eles chegaram a insinuar que eu falei as coisas. O LUCAS chegou assim pra mim: “tá vendo, DEYVED, tu foi abrir o bico, olha só o que dá. O CHEFE AQUI, VÃO FALAR FALAR FALAR, NÃO VAO RESOLVER NADA. TU DEVIA TER ACREDITADO EM MIM”. Falei pra ele: “LUCAS, EU FIZ MINHA PARTE. JÁ QUE NINGUÉM FAZ A PARTE, EU VOU FAZER”. Foi o que eu falei. Isso em cima do maciço... “TU VAI VER... TU VAI VER, VOU SAIR DAQUI E TU TAMBÉM”... “LUCAS, eu vou fazer a minha parte.” E aí, DEMOROU MUITO MAURO RENAN VEIO COM OUTRAS DUAS PESSOAS, PRISCILA, QUE FAZ PARTE DA DIRETORIA, UM ADVOGADO DO GRUPO E DEMITIU NA HORA POR JUSTA CAUSA o LUCAS e o GUSTAVO, pelas acusações, eu não sei quais. E depois disso eu fui chamado nessa sala e falaram “DEYVED, tu tá sabendo que houve uma denúncia na GUAMÁ e que por esse motivo o LUCAS e o GUSTAVO foram demitido por justa causa. TU VAI RECEBER UMA PENA LEVE, UMA SUSPENSÃO...” EU QUE DENUNCIEI RECEBI UMA SUSPENSÃO!! TÁ AQUI A SUSPENSÃO, FIZ QUESTÃO DE TRAZER. Eu assinei... Sabia que isso aqui ia servir pra alguma coisa um dia.

JULIANA: Uma cópia né...

DEYVED: Com assinatura da PRISCILA. Se vocês puderem ler... Vocês podem ficar, só quero uma cópia pra mim...

JULIANA: Não, a gente pega depois... AQUI DIZ QUE FOI UMA SUSPENSÃO DE DOIS DIAS, MAS QUAL O FATO QUE MOTIVOU ISSO? ELES FALARAM?

DEYVED: É, eles não falaram de forma aberta.... Eu creio que eles sabiam que eu era o denunciante, digamos assim. Mas eles queriam me dar uma pena, eu acho que meio pra intimidar... não sei... quando eu recebi essa pena eu... quebrou pra mim...eu denunciei, isso me dá uma suspensão, já me compromete, porque eu acredito... Na GUAMÁ eu não vou dizer se eu acredito, não, no GRUPO SOLVÍ, eu acredito, porque eu visitei outros aterros, eu vi que funciona. Então, eu imaginava crescer na empresa. E aí quando eu verifiquei isso tudo, desandou... e ai.. LUCAS foi demitido, ADRIANO chegou, ficou aquele clima... eu fui afastado 100% da operação, não sei se porque eu sabia de tudo. Só sei que os chefes que foram chegando, não confiavam em mim. Eu fazia trabalho de escritório. Ou seja, a partir de fevereiro... por aí, não sei a data... duas três semanas depois daqui [aponta para o documento de suspensão], me afastaram de campo. Um analista ambiental... eu só fazia tipo coisas bestas...

MARCELA: E por que o senhor acha que lhe afastaram, já que eles tinham interesse, em tese, de melhorar né...

DEYVED: Pois é! Foi por isso que eu pedi demissão.

MARCELA: Então, é isso que eu quero saber...

DEYVED: Foi por isso que eu pedi demissão... eu conversei com o NILSON, até mesmo com o RONIVALDO, falei “NILSON, eu não entendo, mano. Quem sabe das coisas aqui, quem sabe dos problemas, quem presenciou, registrou, fui eu por que me afastar?”. Se eles querem resolver o problema, que tinha que ser chamada era eu. Eu e NILSON! “Olha o problema foi esse, esse, bora revolver isso aqui? eu fiz um estudo, tá aqui o estudo, apresentei, desse jeito.” Eu fiz um estudo disso, porque a minha função é fazer estudo. Mas não, fui afastado. Eu fui afastado, colocaram uma outra pessoa, imagino eu, colocar uma pessoa em vários problemas, no meio de uma bomba, que não sabe de nada, do campo, naquele contexto, não sobre aterros. E ai, foi acontecendo, quando chegou uma outra pessoa, não lembro o nome dele...

JULIANA: UBIRACI?

DEYVED: Isso! Pra assumir meu lugar, eu pensei, coloquei isso na minha cabeça. No outro dia eu pedi demissão. Eu fiz uma carta escrita, pedi uma cópia, fiz questão de pedir registro, onde eu pedi demissão da empresa.... Só quero uma cópia pra mim... e aí o ADRIANO chegou comigo, LUCAS e GUSTAVO já estavam fora. Veio o MICHEL nessa época... ele ficou um tempo... depois que a Senhora foi lá... a Senhora queria levar alguém para o interrogatório... depois ele pediu demissão, pediu pra ser desligado da GUAMÁ.

MARCELA: Quem?

DEYVED: O MICHEL, ficou pouco tempo lá.. o MICHEL não teve participação nenhuma dos gestores... ai me chamaram... “DEYVED, por que tu quer sair?”, aí eu falei “Vocês não confiam em mim.” Eu faço uma denuncia, eu falei pra ele, contei depois que eu tinha feito a denuncia ... (MARCELA: Pra quem?) pro ADRIANO LOCATELI, eu faço a denuncia pro grupo corporativo, desde antes eu falei pra ti que se tu quiser conversar comigo eu posso provar tudo que aconteceu aí foi anotado, tudo. Eu fiz os estudos... mas não posso tomar decisão né... e aí vocês me afastam. Olha a situação que eu to aqui. Eu to cuidando de planilha de medição de fornecedor, eu não estudei 5 anos da minha vida pra cuidar de planilha né... eu falei “não, não quero mais isso pra mim... isso tá pesado... to estressado...”... “E tu vai viver de quê?”, “Cara, eu não tenho problema de me manter com um salário mínimo, até eu conseguir um concurso publico, por exemplo... eu não tenho esse problema...”. Conversei com meus pais, falei da minha situação nessa empresa, e eu quero ser desligado. “tem certeza?”, eu tenho certeza absoluta, quero ser desligado. E ai eu fui desligado. Não quiseram fazer um acordo pra eu não conseguir ter acesso a alguns direitos meus, FGTS, essas coisas... Cumpri meu aviso prévio, e cai fora. Agora resumo dessa historia toda: tudo que aconteceu nesse aterro, foi avisado. Tudo foi alertado. Seja verbalmente, seja por e-mail... são dois e-mails, se vocês quiserem anotar os e-mails que eu tinha no grupo... tem como registrar aí?

Nota do blogue: o Ver-o-Fato tem mais detalhes contundentes para publicar sobre os motivos que levaram a Justiça a decretar as prisões dos diretores do lixão. Aguarde.



Um comentário:

  1. Empresa doadora da campanha do Jatene, por
    Baixo do pano, ou seja, caixa dois

    ResponderExcluir