quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

EXCLUSIVO - O FRACASSO DOS DIRETORES DO LIXÃO DE MARITUBA PARA CALAR ANDRÉ NUNES E FECHAR SEU RESTAURANTE

As prisões preventivas dos diretores da empresa Guamá Tratamento de Resíduos Ltda, CPTR-Marituba, Lucas Rodrigo Feltre, Lucas Dantas Pinheiro e Diego Nicoletti, decretadas pela juíza Tarcila Souza de Campos, provocaram um rebuliço nos meios empresariais e políticos, onde o Grupo Solvi, dono da própria Guamá, Revita Engenharia e Vegaí, possui influência. 

O presidente do grupo, Carlos Leal Villa, chegou a ter sua prisão preventiva solicitada pela promotora de Justiça, Marcela Christine Ferreira de Melo, mas a juíza não viu elementos suficientes para justificar a medida, embora incluísse Villa no decreto de condução coercitiva - quando a pessoa é obrigada a comparecer para prestar depoimento -, juntamente com os diretores Carlos Eduardo de Lima Aguilar, Paulo Henrique Cansian Pontes e Cláudio de Figueiredo Toscano, além de Eleusis di Creddo.

No total, 41 policiais e 16 promotores de justiça participaram da operação nas cidades de Belém, Marituba, São Paulo, Salvador e Feira de Santana, as duas últimas na Bahia. 

Além de graves crimes ambientais, os denunciados exerciam forte pressão sobre pessoas que faziam oposição aos desmandos por eles praticados em Marituba, mobilizando a população contra o mau cheiro que envenena o município, proveniente do chorume depositado a céu aberto em 16 lagoas. 

Em trecho de depoimento abaixo, o ambientalista André Nunes, proprietário do Restaurante Terra, declarou no inquérito aberto pela Delegacia de Meio Ambiente (Dema), que o diretor da Guamá, Cláudio Toscano, e um diretor do Grupo Solvi, Mauro Renan, tentaram convencê-lo a parar com as críticas ao projeto de aterro sanitário da Guamá-Revita. Ambos ouvem uma dura resposta de André Nunes e desistem.  

No diálogo interceptado por ordem judicial, entre os diretores da Guamá, Lucas Feltre - um dos presos, residente em Salvador (BA) - e Carlos de Lima Aguilar, arrolado na condução coercitiva determinada pela juíza, tramam para fechar o restaurante de André Nunes, localizado em uma área próximo do projeto da empresa.

Segundo a autoridade policial o prenome Cláudio surgiu na investigação a primeira vez ao ser mencionado durante o depoimento de André Avelino da Costa Nunes Neto, testemunha ouvida durante o inquérito policial da Delegacia de Meio Ambiente (Dema), que afirmou que Mauro Renan e "Toscano" teriam ido até sua casa na tentativa de mudar a opinião de André a respeito da Revita, influindo negativamente na busca da verdade real:


“(...) Que há um mês o Sr. Mauro, diretor do grupo Solvi, juntamente com o advogado Toscano entrou em contato com o declarante pedindo pra conversar, no que informou que estaria com virose e febre; Que Mauro insistiu no encontro, pois disse que retornaria no dia seguinte para São Paulo; Que a reunião ocorreu em sua casa, em Belém; Que na ocasião Mauro perguntou o que o declarante teria contra a Revita, no que respondeu: “Tudo” (textuais).
Que ato contínuo Mauro perguntou “O que a Revita poderia fazer para o declarante mudar de opinião”, tendo respondido: “pra começar, parar a catinga e depois se mudar” (textuais): Que a conversa durou cerca de 30 (trinta) minutos; Que a conversa foi presenciada por Glória, sua motorista; Que fez questão que Glória presenciasse a conversa.
Que durante a conversa Mauro justificou o aumento do odor, em razão de uma capivara ter andado em cima de uma bacia de chorume coberta por manta de Pead e ter danificado referida lona, razão pela qual o odor teria aumentado; Que perguntado se chegaram a oferecer dinheiro ao declarante respondeu que não, pois não deu abertura para tanto; Que como Mauro e Toscano viram que o declarante não ia mudar de opinião, foram embora prometendo que iam acabar com fedor (...)”

Segundo o relatório, Cláudio demonstra influir na verdade real de forma negativa, como forma de prejudicar e coagir testemunhas a não falarem mais contra a Guamá-Revita e o aterro, como ocorre na conversa mantida no dia 23/06/2017 às 18:47:48h entre Lucas Feltre e Carlos Aguilar, é possível verificar que Cláudio é pessoa de extrema confiança, responsável por tratar de assunto delicado e ardiloso envolvendo “investigação” a respeito da área de propriedade de André (proprietário do Restaurante Terra do Meio), que estaria em área de preservação da vida silvestre.
Lucas: E tem que buscar fazer uma ação contra esse cara (André) ai, viu cara?

Aguilar: Aqui dentro eu tô, através dos interventores, existe uma desconfiança que o restaurante dele está numa área de preservação da vida silvestre e se tiver, realmente for, é totalmente ilegal. E ai eu já conversei com o Cláudio (Toscano). Ele vai conversar com o antigo secretário amigo dele pra investigar isso, como a gente chega, pra saber se o, se realmente o empreendimento dele tá lá dentro dessa área. Se tiver, cara, aí a gente vai pegar um ponto fraco dele. A gente vai pra cima. Fazer denúncia. Vamo bater nele, entendeu? 

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