VER-O-FATO: "ALERTA VERMELHO NA HYDRO NO BRASIL", DIZ JORNAL DA NORUEGA, SOBRE OS CRIMES AMBIENTAIS EM BARCARENA

domingo, 17 de dezembro de 2017

"ALERTA VERMELHO NA HYDRO NO BRASIL", DIZ JORNAL DA NORUEGA, SOBRE OS CRIMES AMBIENTAIS EM BARCARENA


Trecho da reportagem, publicada na edição deste domingo, 17, do jornal norueguês


O jornal norueguês "Dagens Næringsliv" (Negócios de Hoje), em sua edição deste domingo,17, aborda os protestos de 60 comunidades de Barcarena contra a multinacional Norks Hydro - natural daquele país - e os crimes ambientais dos quais ela é acusada, degradando rios, igarapés, florestas e, principalmente, a saúde de milhares de pessoas pobres que vivem no entorno das bacias de rejeitos das empresas Albrás e Alunorte, pertencentes à Hydro. 

Enquanto a grande imprensa paraense dorme o sono profundo da omissão, alimentado pelos milhões de publicidade enganosa da Hydro, a imprensa européia toma conhecimento - por meio de matérias exclusivas publicadas pelo Ver-o-Fato - do que ocorre em Barcarena. Jornalistas franceses e noruegueses já pautam o assunto e divulgam matérias.

Veja, abaixo, a tradução da matéria do "Dagens Naeringsliv", do norueguês para o português, respeitando-se as poucas e devidas incorreções:

"Em Barcarena que fica fora de Belem, no Brasil, estão localizadas as duas principais usinas da Hydro, a fábrica da Albras e fabricante de alumina Alunorte. Juntos, a Hydro tem mais funcionários aqui, direta e indiretamente, do que na Noruega.

Há longas lacunas entre empresas e comunidades. Antes do fim de semana, 60 comunidades protestaram contra a Hydro, bloqueando as estradas fisicamente em torno da empresa. Foram utilizados pneus e árvores ardentes sob as ações. Barcarena está localizada na bacia amazônica, então as vias navegáveis ​​também foram abordadas pelos barcos. 

O aterro de Hydro para lodo vermelho em Barcarena cresce em cerca de 10 milhões de toneladas por ano. Agora, a empresa quer construir uma nova. Os cidadãos exigem compensação por danos ambientais. Entre outras coisas, eles afirmam que a água potável está tão cheia de metais que é um problema de saúde.

É a produção de alumina que eles acham prejudicial para a saúde. Para cada quilo de alumínio derretido na Noruega, quatro quilogramas de lodo vermelho residual serão armazenados em Barcarena. Este aterro cobre uma área enorme e já é o ponto mais alto do município. Quando está seco, os habitantes experimentam grandes nuvens de poeira vermelha. Houve também uma grande descarga a partir de 2009 antes de a Hydro assumir a posse maioritária. Em seguida, Alunorte foi condenado a uma multa de cerca de 30 milhões. Uma multa que ainda está sendo processada no sistema de justiça do Brasil.

Agora, a Hydro está construindo um novo aterro para o armazenamento de lamas vermelhas. A partir de agosto, houve várias ações contra a Hydro, com a tentativa de bloquear o acesso às instalações da fábrica. Estas foram principalmente ações porque a Hydro usou ajuda contratada e não usou mão de obra local. 

Barcarena é uma das maiores piscinas industriais do Brasil, mas tem um ótimo desemprego local. Grandes partes da força de trabalho são retiradas da comunidade local. Portanto, as pesquisas mostram que muitos acreditam localmente que só adquirem as desvantagens da indústria e não os benefícios.

Lama vermelha

 O lodo vermelho é o maior problema de resíduos da indústria do alumínio. Por cada quilo de alumínio, são produzidos quatro quilos de lodo vermelho. A Alunorte, onde a Hydro é o proprietário maioritário, é a maior refinaria de alumina do mundo, com uma capacidade de 6,2 milhões de toneladas por ano.  O lodo vermelho contém alguns metais pesados, mas não é considerado muito tóxico. É o alto valor de pH que pode causar danos imediatos às emissões. Houve uma grande descarga de lodo vermelho em Barcarena em 2009.

Por exemplo, uma pesquisa conduzida por Prio no verão afirmou que durante décadas houve um profundo conflito entre a indústria em Barcarena, as autoridades locais e a sociedade civil e que a população local tinha tão poucos benefícios para a indústria apesar da alta atividade econômica.

Sem contato direto

O diretor de informação Halvor Molland em Hydro foi informado sobre a situação ontem. "Após o que entendemos, os protestos estão relacionados a afirmações de que a Hydro viola várias obrigações ambientais. Algumas dessas reivindicações também foram expressas através de litígios. Os que protestam, como eu sei, não estiveram em contato direto com a Hydro e o propósito da demonstração não foi formulado claramente contra nós", escreve Molland em um e-mail.

Ele acrescenta que a Hydro procura operar no Brasil, como na Noruega, de acordo com as licenças e licenças que temos para a operação de nossas instalações. Além disso, a Hydro estabeleceu metas para reduzir os efeitos negativos das operações industriais, ao desenvolver e aperfeiçoar processos e usar novas tecnologias, escreve Molland.

Pouca fé

Um dos manifestantes em contato com o DN expressou pouca confiança de que a Hydro respondesse às demandas dos manifestantes. "A Hydro nunca fez nada para resolver esse conflito", disse ela. Ela prefere ser anônima com medo de represálias.

A ação durou quinta-feira, desde o início da manhã até às 16:00, hora local. Depois, foram reunidas grandes forças policiais em torno das várias barreiras. Mas depois de conversações entre policiais e manifestantes, tudo resolveu pacificamente.

O líder dos sindicatos da Alunorte, Gilvandro Brigida, não descarta novas ações. Particularmente em conexão com os planos da Hydro para uma nova instalação em Barcarena. Brigida acredita que a Alunorte nunca entrou em um diálogo real com as comunidades ao redor da empresa.

"Eu disse à gerência da Hydro quando estava em Oslo em fevereiro. Muitos tiveram que se mudar de suas casas quando as fábricas foram fundadas. Aconteceu durante a ditadura. Em conexão com extensões e planos para uma nova fábrica, as pessoas locais não se vêem incapazes de serem ouvidas, diz Brigida."


Veja o link original da matéria aqui.


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