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Linha de Tiro - 19/04/2018

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

X I N G A M E N T O

Rodolfo Lisboa Cerveira - Economista


A brincadeira entre jovens e adultos vem desde a pré-história, ou quando talvez os primeiros membros de nossa espécie ensa iava deixar o seu continente natal. Todo ajuntamento de pessoas, das crianças aos adultos, sejam elas civilizadas – considere-se neste rol certos usuários das redes sociais – ou habitantes de locais porventura ainda inacessíveis, costumam criticar-se uns aos outros e até íncolas de paragens ainda não modeladas, no feitio do nosso século, também têm por hábito intricar-se entre si por diversas maneiras, inclusive por uma simples diversão, que é a forma mais usual de reunir grupos.
Fiz esta breve introdução com o objetivo de ressaltar que nos dias atuais, estes alegres e passageiros divertimentos foram banidos dos plácidos convívios interpessoais, em virtude de um gradativo sistema de intriga, seja por questões raciais, seja por diferenças de gêneros, seja por fundamentos homofóbicos e enfim qualquer parâmetro indiscreto passageiro é motivo para armar um discurso tumultuado – nas redes sociais a coisa é séria – e chegar-se a entreveros primitivos, com ferimentos graves e mortes, desagravos inconsistentes e separação definitiva.

Para esse tipo de brincadeira comum que se praticava no passado e era raríssimo chegar-se às vias de fato, mesmo quando ela se inclinava a exibir certos defeitos físicos e morais da pessoa visada, os nossos dicionários registram vários vocábulos para nomeá-los, tanto o ato como o seu efeito. 
Assim temos: chalaça, chufa, caçoada, gracejo, graçola, gozar, pilhéria, etc e suas variações, que exprimem uma ofensa moral ou física intencional e repetitiva que podem levar ao desvario final como aconteceu recentemente no colégio goiano, quando crianças foram assassinadas e feridas por um menor estudante que vinha sofrendo repetidos ataques de gozação.
Exemplos dessas tragédias estimuladas por impropérios repetitivos temo-las em todos os quadrantes do mundo moderno. Porém, o que se pretende ressaltar entre os brasileiros é a denominação que se usa para apontar esse tipo de tormento que mexe com a mente e o corpo: Bullying. Um galicismo imperdoável, quando existem vocábulos apropriados para designá-los, conforme se discriminou linhas atrás. 
Os brasileiros se sentem atraídos pela sonoridade dos termos da língua inglesa, como os nossos antepassados foram seduzidos pela leveza e elegância do idioma francês. Era um charme especial expressar-se, principalmente nas tertúlias sociais, no vernáculo do autor de Madame Bovary (Gustave Flaubert). 
Para não fugir do modismo geral a maioria de nossos estabelecimentos comerciais, não importa o ramo de atividade, adota o nome fantasia na língua inglesa, de preferência, mas neste caso costuma utilizar também o francês, o italiano, o japonês, o chinês, pela ordem. Não se trata de xenofobia exagerada, o propósito, se tanto, é contribuir para manter a primazia do nosso idioma, ou dito de outra maneira, de ele ser o protagonista e não de ser um mero coadjuvante. 
Destarte, por que não usar o verbo “xingar” e o adjetivo “xingamento”, para designar violência física/psicológica repetitiva dirigida a uma pessoa ou várias pessoas, por um ou mais indivíduos, como se vê no título deste comentário.

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