VER-O-FATO: GRILEIROS E MADEIREIROS INVADEM PDS CRIADO POR IRMÃ DOROTHY, ASSASSINADA EM ANAPU

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

GRILEIROS E MADEIREIROS INVADEM PDS CRIADO POR IRMÃ DOROTHY, ASSASSINADA EM ANAPU

A situação é de terror na área e está fora do controle das autoridades

O município de Anapu, no oeste do estado do Pará, ficou marcado pelo brutal assassinato da missionária norte-americana Dorothy Mae Stang, em fevereiro de 2005. Mas apesar da repercussão internacional do crime, a grilagem de terras, o desmatamento ilegal e as ameaças de morte contra as famílias de trabalhadores rurais continuam recorrentes. 

No último dia 15 de novembro, o assentamento agrário do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Virola-Jatobá, legado da missionária, foi invadido por cerca de 200 homens, entre grileiros e madeireiros ilegais. Armados, eles demarcaram lotes de terra medindo de 100 a 200 hectares, e estão oferecendo a posseiros.
 
A informação da invasão ao assentamento é da Associação Virola-Jatobá do PDS Anapu e da Cooperativa de Produtores Agrícolas Orgânicos e Florestais do PDS Virola-Jatobá. Segundo as organizações, um pedido de segurança e solicitação de providências para retirada dos invasores da área foram enviados ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e à Polícia Federal no Pará, mas não obtiveram respostas até o momento.

A associação diz que a maior parte dos invasores do PDS Virola-Jatobá é de madeireiros e grileiros dos municípios de Anapu e de São Geraldo do Uruguaia. Integrantes da associação contam que os invasores ameaçam queimar um alojamento, construído pelos comunitários, onde estão armazenados equipamentos para o manejo florestal e as madeiras exploradas de forma sustentável, aguardando o transporte e comercialização.

Um dos comunitários, que preferiu não ter o nome divulgado, disse que boa parte dos invasores anda armado no PDS Virola-Jatobá. Com a situação, segundo ele, os assentados pedem segurança no local. “A área está toda loteada [cerca de 22 mil hectares] cheia de grileiros. Esse é o local que íamos utilizar para o manejo florestal do ano que vem. A gente queria mesmo é que tirassem o povo de lá, porque estamos com medo do que pode acontecer”, afirma o comunitário.

O PDS Virola-Jatobá é um assentamento regularizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, em 2002. As atividades de manejo florestal comunitário, que eram os ideais de Dorothy Stang, são desenvolvidas atualmente pela Associação e Cooperativa do PDS, com apoio financeiro do Incra e assessoria da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Embrapa. Fonte: AmazôniaReal

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