VER-O-FATO: FREI HENRI MORRE EM PARIS, MAS SEU EXEMPLO DE LUTA POR JUSTIÇA CONTINUA A INSPIRAR OS AMAZÔNIDAS

domingo, 26 de novembro de 2017

FREI HENRI MORRE EM PARIS, MAS SEU EXEMPLO DE LUTA POR JUSTIÇA CONTINUA A INSPIRAR OS AMAZÔNIDAS


Ele era de família rica, mas abandonou tudo na França para se dedicar de corpo e alma à luta contra as injustiças sociais, a violência no campo, no sul e sudeste do Pará, além do combate incansável ao trabalho escravo na Amazônia. 

Aos 87 anos, porém, já com a saude muito debilitada, frei Henri des Rosiers, frade dominicano e advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) faleceu neste domingo, em Paris.

Fui amigo pessoal de frei Henri, um homem bom, digno, que com muita coragem e determinação defendeu trabalhadores rurais e agricultores sem terra, pregando a verdadeira reforma agrária que nunca, na prática, viu implantada no Brasil. Sempre que vinha a Belém, telefonava para minha casa, marcando entrevista na sede da CPT, onde narrava suas escaramuças com fazendeiros e madeireiros da região mais conflagrada do país. Conversávamos por horas a fio.

Em 2005, frei Henri recebe o prêmio internacional de direitos humanos

A luta de frei Henri lhe rendeu prêmios, mas também muitas ameaças de morte. A própria OAB do Pará, por meio de seu então presidente, Sérgio Couto, chegou a divulgar um manifesto ao então presidente Lula, pedindo proteção policial para ele. Por alguns dias, frei Henri aceitou a companhia de policiais militares, mas depois dispensou a segurança. "Quem precisa de segurança são os agricultores e aqueles que vivem ameaçados de perder seus lotes de terra", justificou.

Dentre as tantas matérias que escrevi sobre ele no jornal "O Estado de São Paulo", destaco a do dia 21 de novembro de 2007, que provocou a intervenção do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para que as autoridades do Pará dessem proteção a frei Henri. Para matá-lo, fazendeiros chegaram a oferecer R$ 100 mil a pistoleiros. (veja a matéria, acima). 

Frei Henri atuou na condenação dos assassinos dos líderes sindicais João Canuto, morto em Rio Maria (PA) em 1985, e de seu sucessor, Expedito Ribeiro de Sousa, assassinado em 1991. Em 1994, o dominicano foi condecorado com a Legião de Honra da França, e recebeu vários prêmios nacionais e internacionais por sua atuação em prol dos direitos humanos.

Devido a graves problemas de saúde, que dificultaram sua mobilidade, frei Henri retornou a Paris em 2013. Em 2016 a editora Du Cerf, de Paris, lançou o livro de Sabine Rousseau, ainda inédito no Brasil, “Apaixonado por justiça”, que retrata a trajetória de frei Henri des Roziers.

Descanse em paz, frei Henri. Seu exemplo continua a inspirar os que clamam por justiça na Amazônia.

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