VER-O-FATO: PLACAR DA VIOLÊNCIA: NOVO CANGAÇO 7 X 1 PM DO PARÁ; SENHOR GOVERNADOR, ESTÁ NA HORA DE ACORDAR

terça-feira, 17 de outubro de 2017

PLACAR DA VIOLÊNCIA: NOVO CANGAÇO 7 X 1 PM DO PARÁ; SENHOR GOVERNADOR, ESTÁ NA HORA DE ACORDAR

O promotor militar esteve no quartel do COE e  verificou o armamento usado pela tropa
Médias e até pequenas cidades do Pará estão literalmente à mercê de grupos criminosos, bem treinados e fortemente armados - com logística de guerra e preparo para fugas espetaculares -, que invadem e explodem agências bancárias, dispostos a matar ou morrer. Até outubro deste ano, já foram mais de 10 ataques e cerca de 53 casas bancárias assaltadas, deixando um rastro de morte e destruição pelo caminho.
 

Pior do que isto é verificar que a Polícia Militar do Pará, última cidadela da nossa segurança pública, hoje cambaleante, foi imobilizada pela inércia de um governo que sabe que a guerra contra a criminalidade está sendo perdida, mas não sabe mais o que fazer para dar a volta por cima. 

De nada adianta negar os fatos que desfilam diariamente diante dos olhos de um povo amedrontado e acuado, enquanto o banditismo organizado, naquilo que se denomina de Novo Cangaço, dá as cartas e toca o terror por onde passa.  

É lastimável, por exemplo, a situação em que se encontra o Comando de Operações Especiais (COE) da PM. Faltam equipamentos indispensáveis para essa tropa de elite, hoje sucateada, com armamento obsoleto, encarar missões de alto risco contra criminosos que empunham armamento superior e grande poder de fogo. 

Faltam óculos de visão noturna, pois os que estão no COE não prestam, além de equipamentos de rádio. Os fuzis também são insuficientes e faltam mais viaturas para o trabalho de campo, além de helicóptero. É bom não esquecer que o COE é a última retaguarda da PM. Se ele continuar como está, o governador Simão Jatene terá de fazer o que fez o governador Pezão, do Rio de Janeiro: chamar o Exército para enfrentar o Novo Cangaço. 

Essas quadrilhas estão sendo sufocadas em outros estados, mas acabaram migrando para o Pará porque sabem do sucateamento do aparelho policial-militar. Tanto sabem que decidiram matar policiais de elite, como fizeram na semana passada em Curuçá, após desafiarem a PM, crivando de balas a entrada do quartel, para impedir a ação do bando no assalto a uma agência do Banco do Brasil. 

Durante a operação da PM para prender os assaltantes, o sargento Antônio Carlos Magalhães, de 47 anos, foi morto na madrugada de sábado (14) após troca de tiros próximo de Curuçá. Outro militar, o cabo Dorimário Pantoja Borges, também da COE, foi baleado durante a mesma missão. Ele está internado em um hospital particular de Belém.
 
Promotor faz inspeção ao COE

O promotor militar Armando Brasil, hoje pela manhã, esteve no COE, realizando uma "inspeção extraordinária" no quartel daquela unidade de elite e apurando denúncias de sucateamento da tropa. Brasil disse ao Ver-o-Fato que, além das deficiências que encontrou, vai recomendar ao coronel Hilton Benigno, comandante-geral da PM, para que seja dobrado o efetivo e criadas  unidades da COE nos municípios de Santarém, Castanhal e Marabá. 

"Quando há assaltos do tipo Novo Cangaco, que é aquele em que meliantes invadem cidades do interior e causam pânico na população, a fração de tropa é deslocada aqui da capital e o tempo-resposta fica comprometido", explicou o promotor, enfatizando que o efetivo tem sentido o desgaste desses deslocamentos para o interior e "está cansado de tantas missões".

Brasil chama a atenção para o fato de que os bandidos sabem manusear fuzis, pois  boa parte deles servem, durante o serviço militar, por um ano, às Forças Armadas e aprendem com desenvoltura a empunhar e atirar com fuzi. " Já vi um inquérito policial militar que resultou na morte de um capitão da PM durante assalto a banco em que o meliante, autor do disparo, era um ex-snipper do Corpo de Fuzileiros Navais", lembrou o promotor, citando que essa morte do oficial da PM ocorreu em 2011 na cidade de Novo Progresso, no oeste paraense. 



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