VER-O-FATO: "CAIXA PRETA", CENTRALISMO, DÍVIDAS E SUBORDINAÇÃO A POLÍTICOS LEVARAM ROMINHO À QUEDA

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

"CAIXA PRETA", CENTRALISMO, DÍVIDAS E SUBORDINAÇÃO A POLÍTICOS LEVARAM ROMINHO À QUEDA

 Rominho: gestão muito centralizada. Os 5 irmãos querem agora "governança corporativa"

Depois de no último sábado, durante assembleia extraordinária, afastar Rômulo Junior, o Rominho, do comando da Delta Publicidade - empresa que engloba os jornais "O Liberal" e "Amazônia" -, os irmãos Ronaldo, Roberta, Rosângela, Angela e Rosemary Maiorana, agora com ações na empresa que, juntas, somam 51,5%, decidiram tomar várias providências para colocar a casa em ordem.

A principal delas é contratar uma auditoria independente para abrir a "caixa preta" que Rominho manteve durante os longos anos no exercício da vice-presidência do grupo de comunicação mais importante da Amazônia, um cargo que, na verdade, não passava de mera nomenclatura, porque embora ele não fosse o presidente de direito, o era de fato.

Essa auditoria - que numa gestão aberta deveria ser permanente - terá a missão de identificar supostas irregularidades, débitos e créditos firmados em nome da Delta. Não se sabe o tamanho real das dívidas, o que é um mistério para os próprios sócios. 

Outra medida de peso foi afastar o diretor industrial João Pojucan de Moraes Filho, muito ligado ao presidente executivo. Os cinco irmãos detectaram que Rominho havia delegado demasiados poderes a Pojucan. Juntamente com essas e outras medidas, como o resgate da credibilidade do grupo junto ao público, os irmãos pretendem implantar um novo modelo de gestão.

Trata-se da governança corporativa, um sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle.

O Ver-o-Fato apurou que a maneira fechada e centralizadora, negando-se a  dar satisfações de seus atos aos irmãos, além da subordinação do grupo a interesses políticos e outras influências externas, foram as causas da queda de Rômulo, que embora notificado da assembleia, realizada no sábado, não compareceu. Na verdade, na vépera da reunião dos sócios-irmãos, Rominho viajou para Miami, onde possui residência.

União e rejeição

Nos últimos tempos, o clima entre Rominho e os irmãos, que já não era bom, piorou de vez diante da postura intransigente dele. Ronaldo, que sempre foi muito ligado ao irmão, sentiu o peso da falta de diálogo e decidiu por uma aliança com Rosângela, Roberta, Rose e Angela para recolocar a empresa nos trilhos e evitar a bancarrota. 

Isto é algo normal em empresas familiares, sobretudo quando as coisas não seguem pelo caminho da transparência. A matriarca do grupo, dona Déa, com 25% das ações, anda adoentada e não interferiu na decisão dos filhos de afastar Rominho da direção da Delta, embora ela própria, individualmente, seja detentora da maior fatia da sociedade.

Roberta, Rosângela, Rose e Ângela, juntas, detém 28% das ações que, somadas aos 23,5% de Ronaldo, alcançam a maioria de 51,5%. Rominho, que havia comprado os outros 7 %, anos atrás, da irmã Rosana, tem hoje apenas 23,5% das ações da Delta. A perda do apoio de Ronaldo lhe foi fatal. 

O ex-todo poderoso, contudo, não aceita o afastamento e já mobilizou seus advogados para tentar anular a assembleia que o apeou do poder. Ele já perdeu o primeiro round, quando o desembargador Roberto Moura, do Tribunal de Justiça, acolheu um agravo de instrumento de suas duas irmãs, mantendo a assembleia no sábado.

Aguardemos o que virá. 

4 comentários:

  1. A elite cabocla em derrocada. Esses são uma referencia em sugar o Estado do Pará. Mas o tempo deles está chegando de mansinho. O povo paraense agradece....

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  2. É lamentável que só agora os sócios majoritários perceberam o envolvimento politico do Grupo Delta. Inclusive financiando governos corruptos para o município de Belém e do Estado do Para. Se continuarem assim melhor mesmo é ir a bacarrota. Seria uma maravilha! Ja não dou ibop ao grupo ha muitos anos. Não compro jornal e nem assisto a TV Liberal.

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  3. Este senhor está milionário é dono de mansões e apartamentos pelo Brasil e nos Estados Unidos, mas deixou os prejuízos para os irmãos pagarem. Triste situação.

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  4. Ninguém até agora tentou olhar a forma totalmente cruel com que foram tratados as centenas de colaboradores do grupo Liberal, onde foram humilhados e impedidos de voltarem as suas atividades, pelo simples fatos de estarem exercendo suas funções, mas que a nova presidência os vêem como inimigos, e uma verdadeira caça às bruxas iniciou nos últimos dias na ORM. Lamentável ver colaboradores que serviram ao grupo Liberal há mais de 10 anos serem tratados como apoiadores do Rômulo Jr, quando na verdade estavam dedicados ao crescimento das empresas ORM. Está sendo Humilhante.

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