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Linha de Tiro - 19/04/2018

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

AOS 45 ANOS, MORRE PAULO FONTELES FILHO, UM COMBATENTE DAS CAUSAS POPULARES



No dia 7 de outubro, portanto há 19 dias, Paulo Fonteles Filho postou a seguinte mensagem em sua página no Facebook: "com Pneumotoráx, de Manoel Bandeira, agradeço todas as manifestações de apreço, sugestões, copaíbas, rezações e comentários espirituosos diante dessa broncopneumonia, resultado de muito trabalho, madrugadas de estudo e escrita, boêmia, luta pela memória, viagens longas e um tabagismo que necessita ser encerrado. Não tocarei um tango argentino, não nos próximos 30 anos. Gracias."

O tango argentino já é tocado, em sua homenagem, mas sem ele. Não só o tango, mas Bob Dylan, Vandré, Chico, Caetano Gil, além do bom e velho rock and roll que tanto adorava, dividindo tempo com a literatura.  Isto sem falar numa paixão especial, que fazia questão de exaltar: o glorioso Papão da Curuzu. 

Paulo Fonteles Filho, aos 45 anos, precocemente, partiu nesta manhã de quinta-feira,26. Subiu, levado por um infarto fulminante decorrente dos problemas pulmonares que vinha sofrendo.

O perseverante lutador, idealista, radical - no sentido mais literal da palavra, de escavar até a raiz - venceu sua última batalha, a da liberdade plena, sem dor e sofrimento. Nunca desanimou na busca da verdade sobre o que ocorreu com seus companheiros do PC do B, mortos durante a Guerrilha do Araguaia. Pesquisava o caso à exaustão.

Puxou o pai - assassinado em 1987 pelos barões do campo que ainda dominam o Pará - e jamais se deixou intimidar por arroubos e ameaças de poderosos, defendendo suas ideias com firmeza e convicção. Podia-se até discordar de Paulo Fonteles Filho, mas jamais acusá-lo de desonestidade intelectual ou ideológica. 

Ele tinha lado político e era capaz de se envolver nas maiores polêmicas para defender seus pontos de vista.  Acima de tudo, porém, era um homem íntegro e genuíno, coisa cada vez mais rara nesses tempos sombrios em que vivemos. 

Nunca fugiu do combate, e no exercício de mandato político abraçou as causas dos trabalhadores urbanos e camponeses, como o pai, ou no apoio familiar à mãe, Hecilda, uma batalhadora cujas torturas sofridas nos porões do autoritarismo não arrefeceram seus ideias de Justiça. 

Nos últimos tempos, Paulo dedicava-se, mais uma vez de corpo e alma, a um projeto que deve sobreviver sem ele, se assim for encarado por quem o admirava e compartilhava de suas lutas : o Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos.

Vá em paz, Paulo Fonteles Filho.


2 comentários:

  1. Mais um lutador deixa a arena. Esperamos que outros se habilitem com igual ou mais destemor, intrepidez, ousadia ...

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