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Linha de Tiro - 19/04/2018

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

EXCLUSIVO - "CABO LENO", PRESO EM OPERAÇÃO POLICIAL, LIDERAVA MILÍCIA DA PEDREIRA, SEGUNDO INVESTIGAÇÕES

O "cabo Leno", no hospítal: investigações apontam que ele chefiava "Milícia da Pedreira" e o carro prata
 
O Ver-o-Fato teve acesso aos bastidores da investigação que redundou nas prisões, ontem, de  14 integrantes de grupos de extermínio que atuam em Belém, desarticulando parte importante do braço armado das chacinas. São muitas informações que o blogue ainda não pode divulgar para não prejudicar a apuração em andamento, já que outras prisões devem acontecer. 

Entre os sete militares presos está o cabo Heleno Arnaud Carmo Lima, do 20º Batalhão de Polícia Militar, localizado no bairro do Guamá. Segundo as investigações, Heleno Arnaud, ou "cabo Leno", como é mais conhecido na tropa, seria o chefe da milícia que atua na Pedreira - a "M da Pedreira" - e um dos líderes do famoso e temido carro prata. Essa milícia tem a fama de ser a mais violenta entre todos os grupos de extermínio que atuam na Região Metropolitana de Belém. 

Conversas interceptadas por ordem dos juízes Heider Tavares, do Tribunal de Justiça do Estado, e Lucas do Carmo de Jesus, no exercício da Justiça Militar, revelam que seus integrantes falam sempre em "matar" e "matar", citando nomes de pessoas que precisariam ser eliminadas. Vários dos citados já não fazem mais parte deste mundo, mas as comparações de balística dos projéteis  encontrados em seus corpos durante necrópsia, com as armas e tipos de balas usadas pelos milicianos, devem confirmar as suspeitas dos investigadores sobre as execuções.  

A "M da Pedreira" está envolvida em vários homicídios, além de extorsão e extorsão mediante sequestro. O "cabo Leno", de acordo com informação repassada ao Ver-o-Fato, foi baleado em agosto passado por uma milícia rival. O noticiário dos jornais "O Liberal" e "Diário do Pará", do dia 2 de agosto, informa que Heleno Arnaud tinha acabado de estacionar a motocicleta dele em frente a uma oficina mecânica na travessa Timbó, próximo à Antônio Everdosa, no bairro do Pedreira, quando foi surpreendido por dois suspeitos que se aproximaram num carro, modelo Fiat Palio, cor vermelha. 

Um dos suspeitos – que aparentava ser adolescente – desceu do carro e efetuou vários disparos contra o policial, que reagiu e trocou tiros com os suspeitos. O militar foi atingido na perna direita. Ferido, o "cabo Leno" foi levado para um hospital particular. Ao ser preso ontem, o cabo usou o "direito de ficar calado" na hora de prestar depoimento. Foi a mesma postura adotada pelos outros treze presos.

Foto e ameaça

Em uma fotografia estampada em grupos de Whatsaap, o cabo aparece deitado em uma cama de hospital, fazendo sinal de positivo. Ao lado dele, em pé, apontando o dedo indicador em sua direção, está o vereador da Câmara Municipal de Belém, sargento Silvano Oliveira, além de três PMs fardados. 

Os PMs, segundo uma fonte, não têm nenhum envolvimento com o cabo. Já o vereador Silvano, procurado pelo repórter do Ver-o-Fato, para esclarecer sua presença no hospital, disse que foi visitar o "cabo Leno" como sempre fez com outros colegas da PM, mas sem saber que ele integrava uma milícia. Silvano afirmou que se soubesse que o cabo tinha envolvimento com milícia não teria ido ao local. 

Durante a conversa por telefone com o repórter, Silvano fez ameaças, prometendo que iria processar o jornalista caso a foto em poder do blogue fosse publicada. "Sou candidato a deputado e isso é coisa para me prejudicar", justificou o sargento-vereador. Lógico que o repórter reagiu diante da intimidação, dizendo que não tinha nenhum interesse político em prejudicá-lo, acrescentando que estava cumprindo com seu dever profissional, mas Silvano manteve a ameaça. "Não autorizo o uso da minha imagem, você pode fazer o que quiser, fique à vontade", disse.


Escutas do Zap em Brasília

Outra informação exclusiva do Ver-o-Fato: todas as conversas interceptadas  pelas investigações que redundaram nas 14 prisões de integrantes de grupos de extermínio que atuam em Belém, já estão em poder da Polícia Federal, que enviará tudo para Brasília, onde a PF possui moderno equipamento para ouvir e recuperar conversas do "Zap". Em Belém, o Centro de Perícias Renato Chaves não possui equipamento para analisar conversas desse tipo de aplicativo.

Nas outras formas de comunicação entre os grupos de extermínio, algumas conversas postadas entre os criminosos recomendavam para que tudo fosse tratado "pelo Zap", pois não era seguro falar pelo celular ou messenger. Um dos investigadores disse ao blogue que o exame meticuloso dessas conversas deve contribuir para desmatelar outras organizações que agem em toda a Região Metropolitana de Belém.

Para o engenheiro Brian Acton, que também é cofundador do Whatsaap, durante recente reunião no Supremo Tribunal Federal (STF) com procuradores da República e técnicos da Polícia Federal, todas as conversas, áudios e fotos trocadas através desse aplicativo estão seguros por causa da criptografia. Sobre isto, Brian deixou claro que as chaves que integram o sistema criptografado não podem ser interceptadas: "As chaves relativas a uma conversa são restritas aos interlocutores dessa conversa. Ninguém tem acesso, nem o WhatsApp", resumiu. 

Ao ouvir essas alegações, a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República discordaram do engenheiro cofundador do aplicativo. Segundo as autoridades, é possível adotar medidas para monitorar conversas específicas realizadas no WhatsApp — e, dessa maneira, auxiliar no esclarecimento de crimes. A PF acredita que o WhatsApp poderia fornecer metadados.

A tese de que o WhatsApp pode ter uma medida de vigilância foi entregue pelo perito criminal Ivo de Carvalho Peixinho, que atua na Polícia Federal. Peixinho notou que as informações trocadas no mensageiro passam pelos servidores da empresa e, por isso, ela poderia fornecer metadados para resolução de investigações.
O perito comentou o seguinte: "A criptografia fim a fim [ou ponta a ponta] impossibilita o servidor [do Whatsapp] a ver as mensagens, mas o servidor poderia fazer a troca de chaves diferentes e conseguir ter acesso a essas mensagens. Isso seria viável para ter interceptação telemática posterior".

Por outro lado, Fernanda Domingos, que é integrante do Grupo de Apoio no Combate aos Crimes Cibernéticos da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (MPF) levantou suspeitas sobre o uso da criptografia. Segundo Domingos, ainda não é possível ter certeza de que a tecnologia é empregada "porque não houve auditoria nos sistemas do WhatsApp, e talvez nem seja possível auditar".


10 comentários:

  1. Agora as milícias vao cair todinhas nas garras da lei! Parabéns a policia e a promotoria militar

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  2. Finalmente essa corja de bandidos fantasiada de justiceiros caiu nas garras da Polícia.
    Pelo número de pessoas assassinadas por esses criminosos e bem possivel, que eles peguem mais de 100 anos de cadeia.
    Dois fatos lamentáveis nessa situação toda primeiro a vereador militar visitando o subordinado criminoso, segundo; saber que o Renato Chaves, não está preparado para tecnicamente para elucidar muitos crimes que acontecem na cidade.
    Luís Decarlos

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  3. O povo não tem nem direito de escolher com quem ficar, se com bandidos de farda ou sem farda?

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  4. O povo espera que esses facínoras sejam julgados e se purifiquem por muitos anos na cadeia, evidentemente, com muitos sofrimentos e todos os tipos de dores.

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  5. Esperamos que o Vereador militar seja investigado também,pelo fato de ter já ameaçado outro vereador na câmara dos vereadores de Belém,sobre milícia..

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  6. Agora estamos nas mãos dos bandidos.

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  7. Incrível como uma expressão consideravel da sociedade ainda apoio esses milicianos, representação que a insegurança público é um mercado lucrativo. Por isso não nos enganemos com os falsos moralismos que lemos e ouvimos por aí.

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  8. O vereador intimidou e o Blog aceitou? A foto não estava nas redes sociais? Cadê a foto?

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  9. infelizmente vivemos em um país onde a lei é benevolente com o criminoso e ineficiente na proteção da sociedade.
    aí surge a milícia e faz o que o estado não faz, que é dá segurança.
    o bandido só respeita aquilo que ele teme, a força.

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  10. Meu nome é Zaine El Kadri - sou advogada no TO e estou aqui em Campo Grande - MS, manifestando na busca de direitos humanos e aplicabilidade correta da lei. Gostaria que publicassem os nomes dos envolvidos, principalmente os sete nacionais civis, um deles João Paulo Ferreira de Brito se encontra preso na Penitenciária Federal de Campo Grande - MS sem saber o real motivo! Poderiam me prestar essa informação porque não fornecem os nomes dos envolvidos e onde estão presos respondendo acusação ou foram todos soltos e somente este nacional João Paulo se encontra preso? Mãe de João Paulo, após seis meses pode fazer visita virtual semana passada e foi impedida de falar e dar notícias sobre seu processo pela DPU de Belém e assim também o preso João Paulo aqui na PFCG - MS, mesmo assim o preso disse que recebeu notícias ruins de sua família e a mãe desmentiu. Quem passou essa notícia foi a assistente social daqui do Presídio Federal. Pode? Uma servidora pública federal mentir para fazer tortura psicológica ao interno? Isso é uma afronta à Carta Magna! Por favor, sejam caridosos e me informem do necessário para auxiliar o nacional paraense!

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