terça-feira, 26 de setembro de 2017

ABORDAGEM PERTINENTE DE LÚCIO FLÁVIO: A OVERDOSE DO FILHO DE UM DOS DONOS DO GRUPO LÍDER E O SILÊNCIO GERAL DA IMPRENSA


Antes de minha viagem para Campinas (SP), onde proferi palestra sobre os 40 anos da Operação Prato e as luzes misteriosas que assustaram o Pará entre 1977 e 1978 - aguardem matéria sobre o assunto - eu pensava em escrever, quando retornasse da viagem, sobre a denúncia feita pela promotora de Justiça, Rosana Cordovil. 

No domingo, dia 24, porém, o jornalista Lúcio Flávio Pinto matou a pau o assunto, poupando-me de escrever artigo aqui no blogue, porque tratou  no próprio blogue dele ( https://lucioflaviopinto.wordpress.com) o caso de forma brilhante e oportuna, dizendo algumas coisas que eu diria, justamente por também não acreditar na tese da "overdose encomendada", sobre a morte do jovem João de Deus Pinto Rodrigues, filho de João Rodrigues, um dos proprietários do Grupo Líder, e sobrinho de Oscar.  

Diz Lúcio Flávio: "O suposto assassinato de um dos herdeiros do grupo Líder e sua contribuição para a crise interna da empresa no topo do comércio varejista do Pará estão fora do noticiário da imprensa. É inacreditável que O Liberal e o Diário do Pará (ao menos por razões jornalísticas) tenham absorvido a versão oficial de que João de Deus Pinto Rodrigues foi vítima de um crime de encomenda por overdose, cometido em fevereiro de 2015, A versão não resiste ao mais simples questionamento, que os jornais costumam fazer quando envolve pessoas sem o destaque dos donos do grupo Líder.

A promotora Rosana Cordovil não apresentou qualquer prova da materialidade do delito atribuído a Jeferson Michel de Almeida Barbosa, ao pedir a sua prisão preventiva. Ele teria matado João de Deus dando-lhe uma dose letal de uma substância química produzida a partir do LSD, a mais agressiva em uso por quem pode assumir seu alto custo. Algo inconcebível para um traficante de drogas, que tinha na vítima do seu atentado, talvez, o seu principal cliente, ao lado de outros jovens do mesmo círculo de amizade, que, a partir desse episódio, passaram a denunciá-lo.

O incrível assassinato se explicaria porque Michel agiu como matador de aluguel. Alguém teria encomendado (a dinheiro, certamente) a morte. Quem? A promotora admite que não sabe. Com qual motivação? Menos ainda. Mesmo assim, sem o cumprimento de regra elementar da lei penal, a denúncia foi feita pelo seu substituto interino,  José Rui de Almeida Barboza. A própria Rosana Cordovil, assumindo a vara, pediu a prisão do acusado por homicídio qualificado e o juiz Moisés Flexa a concedeu. Michel, que estava sendo processado por tráfico, se apresentou espontaneamente. Agora será submetido ao tribunal do júri.

Não bastasse a tosca denúncia, cheia de falhas e incorreções, o tio de João de Deus, Oscar Rodrigues, o principal executivo do grupo Líder, afirmou em seu Facebook que não houve homicídio, mas sim morte acidental por overdose. E que o irmão, João Rodrigues, estava forçando a justiça a assumir a tese inverossímil, talvez com o propósito de limpar a nódoa da morte do filho, viciado em mais drogas do que simplesmente a maconha, segundo o tio, ou agravar a crise da família na empresa.

São elementos suficientes para derrubar a versão oficial e provocar uma nova reabertura do caso, ampliado do alegado homicídio por overdose (registro inédito nos anais criminológicos mundiais) a irregularidades administrativas do grupo Líder.

A semana terminou com o silêncio da grande imprensa, da justiça, do Ministério Público e da Secretaria de Segurança Pública. Essa omissão se manterá na semana que começa?".

Lúcio Flávio, no dia 21, quinta-feira, havia postado a troca de acusações entre os dois irmãos-empresários, após Oscar Rodrigues ter feito críticas contundentes a João, ao afirmar que o sobrinho era viciado em drogas e teria sido vítima de overdose, descartando a tese de homicídio do Ministério Público. Vejam o que Lúcio escreveu no blogue dele:

Tio nega assassinato: foi overdose

João de Deus Pinto Rodrigues não foi assassinado: morreu acidentalmente por overdose, porque era viciado. Quem diz isso é o seu tio, Oscar Rodrigues, o principal executivo do grupo Líder, irmão de João Rodrigues, pai do jovem, que morreu em fevereiro de 2015. 

A tese do assassinato é obsessão de João, diz Oscar. Ele acusa o irmão de usar dinheiro da empresa para contratar advogados e tentar convencer a justiça do que considera ser “uma loucura”. João reagiu atacando Oscar, ameaçando revelar segredos da empresa e acusando o irmão de tirar benefício pessoal de retirada de dinheiro praticada pelo filho.

Como a troca de mensagens extremamente duras pela internet se tornou pública e traz à tona a grave crise que ameaça a empresa, como resultado da cisão interna na família, reproduzo a polêmica entre os irmãos, travada através de Facebook, por ter passado a ser de interesse público, em função do significado do grupo Líder para a economia paraense. 

O risco de uma implosão pela desunião familiar pode repetir, agravada, o que aconteceu com o grupo Yamada, servindo de advertência para os irmãos Rodrigues e seus herdeiros. Primeiro a manifestação de Oscar Rodrigues (mantendo-se a íntegra do documento, inclusive com todos os seus erros):

Meu nome é Oscar Rodrigues, estou usando o telefone de outra pessoa porque não sou amigo deste elemento. João Rodrigues está louco, Cai na real cara, e não envolve o nome do LÍDER, nestas tuas loucuras, ninguém matou teu filho, teu filho morreu de Overdose, porque era viciado, e foi dês de muito jovem, começou com maconha, e terminou como terminou, no segundo ou terceiro ataque de Overdose, toda a nossa familia sabe disso, e vc ao inves de gastar milhoes como estás fazendo, saqueando a empresa pra pagar Advogados pra convencer a justiça desta tua loucura, devias era vir trabalhar, o que não fazes a muitos anos, aí irias saber quanto custa pra manter uma empresa desta, com todos seus compromissos, e onde só apareces pra vir buscar dinheiro, cada vez em maior quantidade, é assim que se acabam as empresas, mas aqui vai ser difícil porque eu estou atento, defendendo ela e o emprego de mais de 13.000 funcionários, o culpado pela morte do seu filho foi vc mesmo que não soube impor limites, deu dinheiro de mais, e dinheiro não resolve tudo, o que resolve é disciplina e trabalho, coisa que seu filho nunca gostou de fazer, porque vc não o ensinou, ensinou a inresponsabilidade, que a prova aí está, nos filhos que que ele foi deixando por onde ia passando, e vc está criando e que nem sabia que existiam, estou lhe processando por todas as calúnias que vc fala sobre eu e meus filhos, e vc fugindo da justiça como é seu feitio, mas a condenação vai chegar, a justiça tarda mas um dia chega, ja lhe afastei uma vez da empresa e vou afastar de novo, porque vc não vai com suas loucuras acabar com ela, enquanto eu tiver vida pra trabalhar e lutar, coisa que a anos vc não faz eu estarei a postos, nossa cunhada mulher de nosso irmão que faleceu a poucos meses, passou a noite passada toda no hospital, se recuperando dos ataques que vc lhe desferiu, porque uma de suas netas reslveu publicar, que seu filho morreu de overdose numa festa regada a drogas, e vc sabia de tudo e nada fez pra impedir, como a justica pode acreditar numa asneira destas??? Que loucura, não vales nada João Rodrigues.

A resposta de João Rodrigues:

Meu filho amado viveu muito pouco tempo no plano terrestre. Partiu por maldade de terceiros, não deixou nem um caso desonesto.

Enquanto OSCAR RODRIGUES teu filho João Augusto Lobato Rodrigues nos roubou milhões de reais no cartão Liderzan constatado por auditoria da PGR (processos e gerenciamento de risco).

Passou os bens para teu nome, até hoje não nos ressarciste o prejuízo que sofremos!!

Essa ação encontrasse na justiça aguardando desfecho!!

Na próxima postagem encaminharei tais denúncias.
Não tenho medo de ti!!

Tu és capaz de tudo, te conheço bastante, não me provocas tenho mais denúncias a fazer vc sabe muito bem.. minhas mãos são limpas!

Oscar apaga ataques ao irmão e pede desculpas

O Ver-o-Fato encontrou na página de Oscar Rodrigues, que aliás apagou do Facebook os ataques feitos aos irmão, João, um pedido de desculpas aos seus colaboradores e amigos do Grupo Líder. Leiam a seguir:

"Meus Amigos, Funcionarios do GRUPO LIDER, minha familia e público em geral que acessa o facebook, estou aqui para humildemente pedir perdão e desculpas, por ter perdido o controle emocional e ter publicado coisas tão terríveis que jamais um dia imaginei que iria publicar. 

Só tenho uma desculpa para este gesto insensato, por trás de minha aparente alegria carrego diariamente um fardo muito pesado. Sou um ser humano igual a todos, tenho minhas fraquezas, mas tudo tem limites, a pressão é enorme e chega um momento que, por mais que queiramos segurar, o descontrole nos domina. 

Peço a Deus que dê a paz ao meu irmão, e o perdoe por todas as maldades e calúnias que me acusa. À Deus entrego tudo, e peço a Ele que não me tire a fé e a coragem".

2 comentários:

  1. resumindo: Senhor fazei-me instrumento de vossa paz.Onde houver odio , que eu leve o amor. Onde houver ofensa , que eu leve o perdão. Onde houver discordia, que eu leve a união. Onde houver duvidas, que leve a fé. Onde houver erro, que leve a verdade. Onde houver desepero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas , que eu leve a luz.O João como levava no nome, è de Deus e com Deus está .Que a Paz reine na familia Rodrigues.A Justiça será feita.

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  2. O que me causa curiosidade também é ninguém estranhar o empenho da referida promotora. Alguém já viu algum PIC (procedimento de investigação do MP) pra homicídio? O caso foi investigado e reinvestigado pela Polícia, que é especialista nisso. Nada foi encontrado além de um jovem que perdeu a dose. Mas o MP resolveu estranhamente reabrir o caso 2 anos depois para chegar a essa brilhando conclusão. Pena que por aqui não se esqueçam gravadores ligados.

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