quinta-feira, 31 de agosto de 2017

SENSACIONAL: LEONA VINGATIVA ATACA NOVAMENTE, VIRA TEMA DE PROJETO DE ARTE EM SÃO PAULO E LANÇA CLIPE COM PARÓDIA DO PITIÚ



A artista transsexual Leona Vingativa é destaque de um projeto nacional de arte contemporânea. Os vídeos de humor publicados na internet pela paraense compõem o projeto “Metafluxus”, lançado este mês em São Paulo. Ainda criança, aos oito anos, ela criou sua personagem que virou hit na internet. Leona é uma assassina fria e vingativa, que tenta fugir de táxi para Paris após cometer maldades. 

Sucesso na internet, a personagem chamou a atenção do curador Rodrigo Maltez Novaes, responsável pela edição 2017 do catálogo do Sesc_VideoBrasil, que traz na capa uma imagem do vídeo de “Frescáh No Círio”. O clipe, lançado em outubro de 2015, ultrapassou 900 mil visualizações. No catálogo, a curadoria relaciona os vídeos de Leona à obra do filósofo tcheco Vilém Flusser. 

“A obra (da Leona) foi incluída para dialogar com todo o conteúdo e não uma caricatura ou como ‘objeto’ de estudo de outro colaborador", destaca o curador. 

Moradora do Jurunas, periferia de Belém conhecida por ser berço de talentos da cultura popular como Gaby Amarantos e a escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná, Leona tem uma trajetória inusitada. Os primeiros vídeos da série sobre a vilã foram filmados com um celular de forma improvisada, sem roteiro. 

Anos mais tarde e com uma produção mais caprichada, Leona começou a gravar paródias de músicas, tornando-se ainda mais popular, e fez aparições em diversos programas de televisão pelo Brasil. 

Por toda essa inventividade em meio à precariedade de recursos técnicos para a produção, o curador defende que Leona ficou famosa graças ao contexto de comunicação atual, no qual tecnologia e os canais de acesso e distribuição causam uma “revolução cultural”, prevista pelo filófoso Vilém Flusser na década de 1960. 

Para Rodrigo Novaes, os vídeos de Leona são conceituais e muito se relacionam à obra de Flusser. “A maneira como o trabalho dela foi produzido e colocado na rede através de plataformas de vídeo ilustra muito bem a lógica operacional dos meios digitais”.

‘Conhecidíssima’

Para Leona, participar do projeto de arte contemporânea “foi uma honra”. Em entrevista exclusiva ao G1, ela comentou que “é uma coisa bela estar sendo cada vez mais conhecidíssima como a noite de Paris”. “Foi tudo! Ficou um projeto maravilhoso que é mais um resultado da fé, mais uma graça de Deus”, afirma. 

Os vídeos de Leona já somam milhões de visualizações em seu canal na internet. O sucesso, segundo ela, vem do bom humor e da vontade de levar alegria para as pessoas. Leona diz que o mundo precisa muito de riso, de amor e de paz. 

“Pra mim é um grande orgulho ser essa celebridade trans paraense e mostrar as riquezas do nosso Pará. Só tenho a agradecer aos internautas que venham aí (sic) me seguindo nas redes sociais desde que eu era erecazinha [gíria para menina], e o povo vê que a gente não chegou lá no alto de qualquer maneira, foi com muita luta, muitos vídeos, com elogios e críticas”.

Força da periferia

Além da participação do catálogo, Leona comemora o lançamento de mais um clipe, realizado em parceria com a cineasta paraense Priscilla Brasil, diretora dos documentários "As Filhas da Chiquita" e "Serra Pelada - Esperança não é Sonho". 

O vídeo “Não Pode Esquecer o Guanto” faz paródia de "No Meio do Pitiú", de Dona Onete. As imagens foram gravadas no centro comercial de Belém. O trabalho viralizou nas redes sociais e ultrapassou de 95 mil visualizações após duas semanas no ar. 

Para Priscilla Brasil, Leona representa a resistência da periferia e a necessidade de expressar “aquilo que é diferente, misturando com a realidade que vive”.
“A Leona é do Jurunas, um bairro que pulsa, com características muito próprias. 

Ela é uma performer com potencial incrível. Pra gravar é só deixar as coisas irem acontecendo, porque o talento dela é indiscutível”, comentou a cineasta.
“Eu recebi várias mensagens do povo me perguntando: ‘ê, Leona, o que é ‘guanto’?. Bom, gente, ‘guanto’ é camisinha. Vamos se prevenir que doenças tem horrores, meu amor! (sic)”. 

O vídeo, segundo a performer, também é uma homenagem aos feirantes do Mercado do Ver-o-Peso. “Eu admiro muito essas pessoas que se acordam quatro, cinco horas da manhã com aquele sorrisão no rosto, com um belo bom humor, gente isso pra mim é uma coisa bela. Com aquela alegria disponível participaram do nosso vídeo, brincaram com a gente… Todos nós precisamos disso!”, finalizou. Fonte: G1 Pará.

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