VER-O-FATO: PROFESSOR SUSPEITAVA QUE SERIA ASSASSINADO EM IGARAPÉ-AÇU

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

PROFESSOR SUSPEITAVA QUE SERIA ASSASSINADO EM IGARAPÉ-AÇU



Paulo Jordão 


No dia 26 de julho último, um mês antes de ser assassinado a tiros na porta de sua casa, em Igarapé-açu, o professor Paulo Henrique Souza Silva, de 42 anos, provavelmente suspeitando de que corria risco de morte, postou em seu perfil no Facebook a seguinte mensagem: “Antes de morrer, espero cantar em versos minha alma”. Este post de 26 de julho foi compartilhado 26 vezes até 28 de agosto.


Paulo Henrique, o PH para os amigos, membro do Conselho Municipal de Saúde de Igarapé-açu, sabia da importância que o conselho tinha na gestão dos recursos públicos da saúde e denunciava o desvio de verbas públicas destinadas ao atendimento médico da população. Ele também usava a rede social para postar mensagens políticas, em sua grande maioria criticando a gestão do prefeito Ronaldo Lopes de Oliveira (SDD).

No dia seguinte ao assassinato, uma das amigas do professor, Ana Lúcia Rodrigues dos Santos, respondeu ao post: “E você cantou. Cantou e encantou. Cantou a vida da maioria do povo brasileiro que chora e clama por justiça. Cantou versos que vão desde a violência contra a mulher até o extermínio de povos que são obrigados a entregar o que com lutas e sofrimentos arduamente conseguiram. Você criou inquietação por onde passava: em alunos porque os levava a refletirem sobre a realidade na qual vivem, num mundo de intolerância onde não há respeito pela humanidade.”

“Você, com esse seu jeito sério e brincalhão ao mesmo tempo, os levou a criarem seus próprios pensamentos e a não se deixarem levar pela ganância pelo poder político que aí está em forma de "igualdade". Incomodou os que se incomodaram com a sua forma de lutar. Esses, por não serem honestos e terem uma cartilha própria, conhecem apenas uma arma: a covardia. É assim que eles lutam, mandando tirar a vida de todo aquele que atravessa seus caminhos. Hoje você se foi. Mas sua luta não foi em vão.”

Na sequência, em letras maiúsculas, Ana Lúcia demonstrou seu grito: “Você plantou a semente que certamente já germinou. Nós a regaremos e não a deixaremos morrer. Agora cante e encante ao lado de Deus. Vocês formando uma dupla, não há nada que os façam calar. Aos autores de tamanha crueldade, a consciência pesará.”

Fama de violento

A suspeita da família e de moradores da cidade é de que PH tenha sido executado por estar denunciando irregularidades na gestão da saúde pública em Igarapé-açu. Trabalhadores municipais apoiados por parte da população do município, principalmente professores e amigos de PH, fizeram uma manifestação pedindo justiça. A manifestação tinha alvo: o prefeito Ronaldo Lopes de Oliveira, delegado licenciado da Polícia Civil, tido como um homem arbitrário, violento, dominador, temido na cidade.

E não é para menos. Em outubro de 2008, quando era delegado de polícia de Santo Antônio do Tauá, Ronaldo Lopes de Oliveira matou com tiro na cabeça um homem desarmado que participava de uma revolta popular após o estupro e morte da garota Jaqueline Barros da Silva, de 10 anos. O delegado alegou que a vítima tentava invadir a Delegacia de Polícia juntamente com outras pessoas. Desferiu um tiro na cabeça de um homem desarmado e mesmo assim foi absolvido.

Em maio de 2014, Ronaldo Lopes de Oliveira foi denunciado pelo Ministério Público do Estado por abuso de autoridade, por fatos ocorridos de novembro de 2008 a janeiro de 2009 e maio de 2009 a julho de 2012. Na época, o delegado executou uma operação contra traficantes locais, efetuando várias prisões em flagrante. No entanto, ele deixou de encaminhar ao cartório judicial os inquéritos policiais, resultando na ilegalidade das prisões. Por conta disso, os traficantes foram postos em liberdade.

No relatório final, o MPE concluiu que o delegado Ronaldo Lopes de Oliveira agiu de maneira dolosa, praticando conduta típica culpável e punível, uma vez que deixou de encaminhar os inquéritos policiais devidamente concluídos – no prazo legal – ou mesmo solicitar prorrogação de prazo para conclusão, bem como deixou de cumprir diligências requeridas pelo Ministério Público.

No início de agosto, o delegado, já no cargo de prefeito de Igarapé-açu, demonstrou novamente seu desprezo às leis e impediu que os integrantes eleitos do Conselho Municipal de Saúde tomassem posse, entre eles, o professor PH. Para isso, o prefeito nomeou por decreto os novos conselheiros para um mandato até 2019.

Dessa forma, o prefeito impediria a fiscalização dos recursos públicos do Fundo Municipal da Saúde pelo conselho eleito. “O prefeito não tem prestado conta desses recursos nem das ações de saúde que, pela lei, devem ser acompanhadas e fiscalizadas pelo Conselho de Saúde”, denunciou na ocasião o professor Paulo Henrique.



Promessa: combater a corrupção 


“Combate à corrupção e o desvio dos recursos públicos” é a primeira proposta da lista apresentada pelo prefeito Ronaldo Lopes de Oliveira em sua plataforma polícia, enquanto a segunda é “Prestar contas dos gastos e despesas da administração municipal e de suas secretarias”, justamente o que ele estava disposto a impedir ao anular a posse dos conselheiros.

Aliado do deputado federal Wladimir Costa e do governador Simão Jatene, o prefeito de Igarapé-Açu demonstra força política dentro da Polícia Civil. Logo ao tomar posse, segundo o blog de Esmael Teixeira, ele convidou o delegado de São Miguel do Guamá, Augusto Damasceno, para assumir o cargo de delegado em Igarapé-açu. “Quem conhece, sabe o estilo de Augusto”, informa o blogueiro, lembrando que o vice-prefeito é um policial militar.

Outra informação do blogueiro, ligado ao prefeito, é que Ronaldo Lopes de Oliveira convidou também a enfermeira Joyse Cristina para dar suporte na saúde do município. “Joyse era enfermeira de São Miguel do Guamá e tem um currículo bem avaliado, além de ser uma ótima profissional”, elogiou.

O morador Francisco Oliveira se manifestou pela rede social, comentando a notícia de um jornal local de Belém. Segundo ele, “o que esse grupo de comunicação comprado pelo governo, não diz, porque é pago com verba pública para se calar, que este professor denunciava desmando na prefeitura de Igarapé-açu, da atual gestão, onde a saúde, educação e outras áreas estão falidas no município.”

6 comentários:

  1. Isto é revoltante, não basta a roubalheira que o País está passando , este prefeito aliado do todo poderoso governador Jatene e do deputado vergonha do Pará, Wladimir, por sinal ambos cassados, para burlar a fiscalização, muda os conselheiros da sua cidade por decreto.Cadê o Ministério Público para processar e prender este prefeito?

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  2. É revoltante o poder do dinheiro na vida de determinadas pessoas e o valor da vida humana. Quem conhecia O PH sabe de sua honestidade e integridade. Sua voz terá eco...

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  3. O autor conta que o Delegado atirou na cabeça de uma pessoa como se houvesse uma execução, fala que ele foi inocentado, mas poderia citar que ele nem a julgamento foi. Lamentável citar algo tão grave e não se dar ao trabalho de procurar os autos. Se um juiz ler o blog já pode confeccionar o mandado de prisão. Imagino que um Delegado ou membro do MP ganhe mais que um jornalista, sugiro ao autor se dedicar a uma dessas profissões, já que parece ter desvendado o crime.

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  4. O DELEGADO FOI ABSOLVIDO NO INQUÉRITO POLICIAL, ALEGANDO LEGÍTIMA DEFESA. NÃO CHEGOU A SER JULGADO. SE O ANÔNIMO TIVER MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O CASO, QUE ENCAMINHE AO BLOG. MAS QUE SE IDENTIFIQUE, POIS O ANONIMATO É TÍPICO DOS QUE TÊM MEDO.

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    1. O senhor Paulo Jordão mostra profundo desconhecimento jurídico. Saiba que o inquérito policial não tem o poder de inocentar ninguém. É entregue à justiça, encaminhado ao MP e esse decide se processa ou não o autor. No caso o MP concordou que não houve crime, encaminhou ao judiciário o parecer e esse também concordou com a tese de legítima defesa. Ou seja, nem processo houve pois Judiciário e MP concordaram que não houve crime. Sugiro que antes de opinar sobre a ciência jurídica no minimo busque informações básicas. Evita passar vergonha.

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    2. No caso, inocentou, sim. Isso é o que interessa para os leitores. Não me venha com conhecimento jurídico inútil. O que me interessa e para os leitores é que ele foi inocentado, ou absolvido, o que dá n mesmo. Teu conhecimento jurídico, se é que existe, não me interessa.

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