quinta-feira, 24 de agosto de 2017

NAUFRÁGIO NO PARÁ JÁ TEM 21 MORTOS e 23 SOBREVIVENTES; TROMBA D'ÁGUA TERIA VIRADO O BARCO


O barco "Capitão Ribeiro" já foi totalmente içado do fundo do rio Xingu


Carlos Mendes (O Estado de São Paulo) - Mais onze  corpos foram resgatados no rio Xingu esta manhã, após o naufrágio do barco Capitão Ribeiro, elevando de 10 para 21 o número de mortos no acidente, segundo confirmação da Defesa Civil do Pará. O número de sobreviventes também subiu, de 15 para 23. Outras 16 pessoas, cujo paradeiro é reclamado por familiares, estariam desaparecidas.


As equipes de busca continuam vasculhando extensas áreas e margens do rio em busca de desaparecidos, enquanto uma polêmica se desenrola: o dono do barco diz que havia 48 pessoas a bordo e não 70, como foi divulgado. Ele começou a ser ouvido pela polícia no final da manhã.

Segundo a Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon-Pa), o barco não tinha autorização para fazer o transporte de passageiros e estaria irregular, o que pode complicar a vida do proprietário. A perícia na embarcação poderá determinar se havia segurança para os passageiros.

Relato de sobreviventes levanta a suspeita de que o barco tenha sido atingido por uma tromba d'água, um fenômeno semelhante a um tornado, segundo alguns depoimentos colhidos pelo delegado Élcio de Deus. Os tripulantes coincidem nessa descrição.

Havia no horizonte algo com o formato de um funil no céu, acompanhado de muita chuva e vento forte, e que teria pego o barco pela popa e o afundado. “Os tripulantes afirmam que a embarcação girou e afundou em seguida”, disse Élcio de Deus, que atua na polícia de Porto de Moz.

Um comentário:

  1. Esses naufrágios de barcos na Amazônia são como tragédias anunciadas, tal a falta de fiscalização nas navegações piratas e que navegam, em sua maioria, sem licença e com excesso de passageiros. Mas a negligência que tem causado tantas mortes decorre simplesmente da falta do uso dos coletes salva vidas. Outro dia viajando em um barco moderno e veloz com destino a Ponta de Pedras estranhei que os coletes salva vidas fiquem todos presos no teto e ainda amarrados. Perguntei a um tripulante por que os coletes não eram distribuídos aos passageiros antes da partida em Belém. Lembrei-lhe que há normas sobre a obrigatoriedade do uso de coletes salva vidas em viagens fluviais com mais de 30 minutos. A viagem até Ponta de Pedras dura duas horas. E ele: "ora, doutor, o senhor sabe que essas leis não vingam até mesmo porque os passageiros não querem usar os coletes salva vidas e nós não podemos obrigá-los". Então, todos atribuem a uma questão de "usos e costumes" o fato de não se portar o colete salva vidas porque os próprios passageiros não querem usar. Então é assim: todos acham que vão perder tempo com a distribuição e uso dos coletes salva vidas. Preferem continuar perdendo vidas, pois na hora do pânico em razão do naufrágio imprevisto ninguém consegue pegar um colete salva vidas. Estão todos presos no teto do barco. Servem somente para enfeite.

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