quinta-feira, 24 de agosto de 2017

DIÁLOGO SURREALISTA NA PORTA DE CASA


Um senhor bem vestido, com uma pasta na mão, agora há pouco, bate insistentemente no portão de casa e ao mesmo tempo toca a campainha. Corro para atendê-lo e ele tasca na lata:

"Tenho um plano excelente de sepultura e crematório para o senhor".

Em razão do jornalismo que faço, sempre mordendo os calcanhares dos poderosos deste Estado, pensei que era alguma ameaça. O senhor, porém, puxou da pasta um papel de plano funerário. Nem deixei que ele começasse a leitura:

- Muito obrigado, meu amigo. Estou muito ocupado. No momento só estou pensando na vida, que já tá difícil pra caramba neste país.

E sapequei, com ele já dando cara de desistência:

- Quando eu morrer avisarei o senhor, tá?

E ele, devolvendo a peteca, com um sorriso sacana:

"Tá, vou aguardar".

ÉGUA !

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