VER-O-FATO: A ALMA DE TEMER NO BALCÃO DAS REFORMAS E O DIA SEGUINTE

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A ALMA DE TEMER NO BALCÃO DAS REFORMAS E O DIA SEGUINTE

Temer conhece sua turma: será engolido por ela?
O presidente Michel Temer talvez esteja feliz por permanecer no poder até janeiro de 2019 - se não houver por trás da blindagem que ele obteve na apertada votação de ontem uma articulação para sair candidato ao Planalto, ano que vem, surpreendendo até os céticos -, mas a vitória de Pirro por apenas 36 votos de diferença sinaliza que o melhor dos mundos possíveis, no qual ele se equilibra está além da filosofia de Voltaire e mais perto da fronteira do inferno de Dante.

Temer virou refém da Câmara dos Deputados e a partir de agora caminhará sob o fio da mesma navalha que tirou Dilma do poder. Ela, avessa ao diálogo, arrogante e imperial, caiu por ter se afastado de quem poderia sustentá-la, apesar dos apelos de Lula para que cedesse ao fisiologismo. Temer é um político matreiro, não tem escrúpulos, e sabe afagar sua turma com milhões de motivos.

O problema é que o apetite parece insaciável. Temer flerta com o perigo, pois isto é o que lhe resta. Não bastou liberar favores e emendas parlamentares para se manter no cargo. A fome é por ministérios, comando nas estatais, cargos federais nos estados, a velha moeda de troca que alimenta a surrada política nacional. 

Dormir com o inimigo não é de todo ruim para Temer, desde que esse inimigo saiba pedir e receber. O presidente, por outro lado, sabe também que o pior amigo é o que pode se transformar em inimigo para derrubá-lo. E, pior, sem precisar de nenhuma razão aparente. Afinal, o mundo político é insondável e abriga razões que a própria razão desconhece.

Restou para o acusado de corrupção e de integrar uma organização criminosa preparar-se para a maior de todas as negociações: a venda da própria alma para os lobos famintos que o cercam. Se Temer calculou o próximo lance, deve ter alguma carta na manga. Um paiol de votações o aguarda, incluindo as reformas política e previdenciária.

O preço será ainda mais alto. E o presidente, ao negociar a alma, verá que ela se desvalorizou no balcão.

Hoje, ela vale muito pouco. Quase nada.

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