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Linha de Tiro - 19/04/2018

segunda-feira, 10 de julho de 2017

PROMOTORES CONFIRMAM DELAÇÕES E DIZEM QUE OPERAÇÃO DA POLÍCIA EM FAZENDA FOI FINANCIADA

Os promotores estiveram na coletiva trazendo fatos novos sobre as mortes

Os promotores de Justiça, Alfredo Martins, Leonardo Jorge, Ítalo Costa, José Alberto Crissi, o procurador Geral de Justiça do Pará, Gilberto Valente Martins e a procuradora da República, Tatiana Versiani, trouxeram fatos novos durante coletiva de imprensa, sobre as 10 mortes na fazenda Santa Lúcia, em Pau D’arco, e também quanto à prisão dos 13 policiais na manha de hoje. 


Ao mesmo tempo, em Belém, a Secretaria de Segurança Pública e a superintendência da Polícia Federal também promoveram coletiva de imprensa para falar sobre o mesmo assunto. Em Redenção, os promotores que comandam as investigações afirmaram que dois policiais fizeram delação premiada e passaram a colaborar com as investigações, e que foi a partir dos relatos feitos pelos dois policiais que o Ministério Público confirmou suspeitas e se convenceu em pedir as prisões. 

Os promotores disseram que não restam dúvidas de que não houve confronto e fizeram vários apontamentos de evidencias que segundo eles deixa claro que alguns policiais agiram de forma errada. Os promotores confirmaram que os 13 presos são policiais lotados em Redenção e que os policiais das guarnições de Xinguara e Conceição do Araguaia não estavam no local onde as pessoas foram mortas. 

Os promotores não revelaram os nomes dos policiais que fizeram o acordo de delação premiada e disse que os dois já estão no o Sistema Nacional de Proteção a Testemunhas e Pessoas Ameaçadas. Outras cinco testemunhas deste caso também já estão sendo assistidas pelo Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas de Crimes ( Provita), do Ministério Público do Estado. 

A reportagem apurou que consta nos autos do inquérito que somente os policias lotados em Redenção participaram do momento em que houve as mortes, por isso só eles tiveram as prisões decretadas. Os policiais lotados em Conceição do Araguaia não chegaram à área a tempo do tiroteio. Outro grupo formado por policias militares de Xinguara e Rio Maria, também não havia chegado ao local do confronto no momento em que aconteceram as mortes.

Interesses financeiros

Os promotores fizeram uma revelação que pode dar outro rumo para as investigações, segundo o promotor Alfredo Martins - a ação da polícia não era apenas cumprir mandados de prisão, era uma organização que envolvia interesses financeiros, e que pessoas estavam financiando a ação da policia. “Cumprir os mandados era só uma desculpa para entrar na fazenda”, disse Alfredo. 

O promotor Leonardo Jorge  disse que o MP vai provar que existem motivações financeiras por trás de tudo e que outras pessoas poderão ser presas. (Lourivan Gomes, de "A Notícia do Sul do Pará"). 

Informações do Ministério Público 

Um delegado e um investigador da polícia civil que participaram da operação em Pau D’Arco fizeram delação premiada ao MPPA e estão colaborando para esclarecer as ocorrências da operação policial. Na delação, os policias civis citaram episódios da operação que indicam que houve crime de execução. 
Segundo os delatores, os policiais militares fizeram um cerco aos agricultores e realizaram perseguição por uma mata fechada localizada dentro da fazenda. Estava chovendo durante a perseguição. Ao chegarem ao local do crime, os policiais civis encontraram cadáveres no chão e pessoas feridas. Algumas delas estavam algemadas e ainda vivas.
“Quando os policiais civis chegaram ao local do crime, foram abordados pelos policiais militares, que diziam ‘E aí, delegado, como é que vai ser? Não pode sair ninguém vivo daqui’, num claro sinal de intimidação”, contou o promotor Alfredo Amorim, que coordena o processo investigatório. “A intimidação era para que os policiais civis aderissem aos crimes ou poderiam se tornar vítimas também”, completou.
“Já se delineava desde o início da investigação uma execução, pela desproporção do armamento entre policiais e agricultores e por não ter havido dano à Polícia Militar. Não houve confronto. No decorrer das investigações e com a delação de dois policiais civis, nós concretizamos a hipótese inicial de execução, que foi materializada”, afirmou Amorim.
O promotor de justiça Leonardo Caldas reforçou a tese de execução ao informar que a prova técnica produzida até o momento caminha neste sentido. “Os tiros dados nas vítimas não foram à distância. Parte dos tiros foi dada à queima-roupa. A direção destes foi de cima para baixo. Tudo isso, desde que recebemos a prova pericial, indica a execução. Nenhuma das dez vítimas tinha resquícios de pólvora nas mãos. É difícil imaginar cenário de confronto se em um dos lados não houve resistência”.
Intimidação a testemunhas
Amorim destacou que o pedido de prisão temporária foi destinado a 13 policiais pois não há indícios, até o momento, de que outros agentes da segurança publicaram tiveram envolvimento nas mortes – mais de 20 policiais, lotados nos municípios de Redenção, Xinguara e Conceição do Araguaia, estavam envolvidos na operação na fazenda Santa Lúcia. Todos os presos atuam em Redenção.
A prisão é temporária por 30 dias a fim de que não haja interferências nas investigações. Havia notícias de que os policiais militares suspeitos de participação nas mortes estavam abordando e intimidando policiais civis e outras testemunhas. A prisão pode ser prorrogada ou convertida em prisão preventiva, conforme análise do MPPA, responsável pela ação penal.
As investigações do MPPA continuam para apurar novos elementos que auxiliem no esclarecimento das mortes ocorridas em Pau D’Arco. Algumas medidas ainda dependem de laudos técnicos. Uma das linhas de investigação é de que houve um suposto financiamento das mortes na fazenda Santa Lúcia.
“Serão responsabilizados não só aqueles que agiram para ceifar a vida das pessoas, como também aqueles que deveriam ter agido para evitar ou tomar providências imediatas por conta do crime que foi praticado”, antecipou o procurador-geral de justiça do Pará, Gilberto Martins.
Delação e benefícios
O procurador-geral de justiça destacou ainda a importância da delação premiada para o avanço das investigações. “A colaboração que está sendo feita, o réu colaborador, pode inclusive incluir uma confissão do crime e colaborar com a justiça. Com isso, este réu pode ter benefícios no seu julgamento, que pode importar desde a redução da pena ou mesmo o perdão judicial”, explicou. Os delatores foram incluídos em programa de proteção de testemunhas,
Martins destacou que a Procuradoria-Geral de Justiça está acompanhando de perto a apuração das mortes em Pau D’Arco. “Desde o início venho prestando apoio irrestrito à esta apuração. O acompanhamento é diário até para prestar qualquer apoio aos promotores que conduzem a investigação”, frisou o procurador-geral, que esteve em Redenção pela segunda vez num período de 45 dias.

Um comentário:

  1. A Autoridade que deveria ter evitado e não fez, cometeu crime de prevaricação..Perdeu o controle dos seus subordinados e o que a imprensa não fala, não sei se faz para não prejudicar o governador cassado, é que todos esses crimes têm que ser imputados no Secretário de de"Pijama" de Segurança e principalmente no governador medíocre e corrupto, cassado Jateve.O Ministério Público precisa chegar até esses verdadeiros assassinos desta segunda maior chacina do Pará.

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