sexta-feira, 28 de julho de 2017

PREFEITO DE BREU BRANCO FOI MORTO PORQUE TERIA SE NEGADO A CONCORDAR COM FRAUDES EM LICITAÇÕES

Delegado-geral Rilmar Firmino: "provas robustas" sobre a morte do prefeito


A polícia paraense afirma ter desvendado o assassinato do prefeito de Breu Branco, Diego Colling (PSD), o "Alemão", ocorrido em maio passado, quando ele foi abatido a tiros por pistoleiros no momento em passeava de bicicleta pela cidade. Segundo as investigações, o prefeito foi morto a mando do presidente PSD no município, Ricardo Pessanha, conhecido por "Ricardo Chegado".

Foi o próprio Ricardo quem coordenou a campanha de Diego para a prefeitura. Outro envolvido no crime, Antônio Genival, também preso, confessou em depoimento ter atirado em Diego por ordem de Ricardo. Em entrevista coletiva na cidade de Tucuruí, delegados Polícia Civil e promotores do Ministério Público do Estado relatam que Ricardo queria participar de licitações do município de forma escusa, com o que não concordava o prefeito eleito. 

Durante a conversa com a imprensa, o promotor de Justiça de Breu Branco, Charles Pacheco, o chefe da Divisão de Homicídio, Carlos André, o delegado Eduardo Rollo, e o delegado geral da Polícia Civil, Rilmar Firmino, informaram que, ao todo, foram cumpridos 10 mandados de condução coercitiva, cinco mandados de prisão temporária e mais 10 mandados de busca e apreensão.

Além do executor e do mandante, foram presas mais três pessoas acusadas de terem ajudado na logística do crime e das quais ainda não foram divulgadas as identificações. A Polícia Civil e o Ministério Público garantem ter robustas provas técnicas e testemunhais que não deixam dúvidas acerca da autoria e da execução do crime.

Antônio Genival já prestou depoimento na manhã de hoje e não informou quanto recebeu para assassinar a vítima, mas também não deixou dúvida de que as pessoas que estão presas são envolvidas no crime. Ricardo ainda não havia sido ouvido antes da entrevista coletiva. Os cinco presos serão transferidos para Belém.

Um revólver calibre 38 foi apreendido em poder de Antônio Genival e será encaminhado para perícia, a fim de determinar se foi a arma utilizada no crime. A Polícia Civil agora irá confeccionar o relatório formal e a promotoria fará a denúncia ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará, para ser iniciado o processo criminal.

A descoberta dos autores do crime criou uma onda de especulações pelo Estado. Uma delas dizia que o suposto mandante do assassinato teria também coordenado a campanha para deputado federal do delegado Eder Mauro (PSD). Em nota enviada ao Ver-o-Fato, o deputado negou a informação, taxando-a de improcedente.

Deputado nega

Eder Mauro disse que não chegou a fazer campanha em Breu Branco “porque não tinha recursos para sequer chegar ao local, onde obteve pouco mais de 100 votos” e diz que o acusado trabalhou para outro deputado federal, de quem não informou o nome.

De acordo com o deputado, ele conheceu Ricardo Pessanha nas eleições do ano passado. Em nota, diz que foi procurado pelo próprio Diego Kolling, que apresentou Ricardo como presidente do PSD de Breu Branco e, posteriormente, coordenador da campanha que elegeu o candidato a prefeito. Concluindo, disse que lamentava a morte do prefeito, enfatizando que continuará acompanhando as investigações. 

Rilmar Firmino explicou que o presidente do PSD foi preso em uma fazenda, dentro de Breu Branco. "Nossas equipes o prenderam na fazenda de um amigo dele. Ele tinha uma relação com o autor do crime, que havia trabalhado como tratorista para ele", revelou. 

Ao todo, 40 policiais, entre civis e militares, participam das ações, tanto na área urbana quanto na zona rural de Breu Branco. Do Ver-o-Fato, com informações de Luciana Marschall e Denis Aragão, do Correio de Carajás.

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