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Linha de Tiro - 19/04/2018

sexta-feira, 14 de julho de 2017

POLICIAIS QUE MATARAM 10 NA FAZENDA SANTA LÚCIA PODEM PEGAR 30 ANOS DE CADEIA

As perícias produziram provas devastadoras

O blogue tem se esforçado para obter o laudo de balística das armas usadas pelos 29 policiais  e também as armas encontradas em poder dos invasores da fazenda Santa Lúcia, em Pau D'Arco. 



O objetivo é não apenas divulgá-lo, como também fazer uma análise crítica. Ocorre que o laudo não foi liberado - o que é estranho -, embora se trate de um documento que, segundo se sabe, é importante para esclarecer, entre outras coisas, quem atirou e de qual arma saiu cada bala, se o tiro foi de perto, muito perto, ou de longe, das dez vítimas que morreram no local. 

Em coletiva para qual muita gente da imprensa, principalmente correspondentes de jornais e publicações de fora do Pará, sequer foi avisada ou convidada - o que também é muito estranho -  evitou-se mostrar ou até tirar cópia do laudo para os repórteres. Tudo mal.

As informações extra-oficiais, porém, são devastadoras e reforçam o que já foi publicado: não houve nenhum confronto, mas execuções sumárias. O Ver-o-Fato apurou que o laudo de balística será a peça fundamental do inquérito policial ainda em andamento e terá peso decisivo no trabalho do Ministério Público, que já reuniu indícios comprometedores para pedir a condenação dos envolvidos na matança a penas duras, superiores a 30 anos de prisão.

De acordo com o diretor-geral do Centro de Perícias Renato Chaves, Orlando Salgado, foram feitos exames  individuais de identificação de cada uma das 53 armas apreendidas, assim como outros exames, como de mecanismos de tiro e laudo de microcomparação balística. No caso deste último tipo de exame, para identificar se os projéteis partiram de determinada arma, foram realizados 2.945 exames. 

Pela análise dos peritos, 5  das 10 vítimas foram mortas por uma única arma, que não se encontra entre as 53 apreendidas. O que se sabe é que a arma é de calibre .40, tipo que é de uso exclusivo das Polícias Civil e Militar. “Se essa arma aparecer, será periciada e poderemos confirmar se ela é a que disparou esses cinco projéteis”, disse Salgado, destacando que duas pessoas morreram com tiros  desferidos por arma da Polícia Civil. 

"Traidores"

O secretaŕio de Segurança, general Jeannot Jansen e o delegado-geral, Rilmar Firmino foram categóricos ao declarar que as mortes ocorridas no dia 24 de maio passado foram uma "execução". O general chamou os policiais de "traidores", pois estavam a serviço do Estado e deveriam ter zelado pelo resultado da operação "legal, planejada e autorizada".

“Também não foi possível identificar de onde partiu o tiro que vitimou a única mulher do grupo, por se tratar de uma arma de cano longo, o que não possibilita a averiguação por microcomparação, nem do décimo envolvido, já que os projéteis não tiveram condições de conferência, pois estavam bastante deformados”, explicou Orlando Salgado.

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