quarta-feira, 26 de julho de 2017

PARABÉNS, CAMPEÃS BRASILEIRAS: ESSE TÍTULO É DE VOCÊS


Elas ainda são amadoras, mas com futebol de profissionais: falta apoio


No futebol feminino do Pará, onde poucos ajudam e muitos só fazem atrapalhar e cobrar, é assim: o Pinheirense tinha vaga na Série B do Campeonato Brasileiro, mas não tinha time. Então, a solução foi utilizar quase todas as jogadoras que, ano passado, defenderam o Paysandu e foram vice-campeãs do estadual. Um time montado e dirigido pela experiente Aline Costa, uma papa-títulos.

Deu certo: o Pinheirense bateu todo mundo e conquistou a vaga na Série A, da elite nacional. E fez ainda melhor: foi o campeão brasileiro, ganhando da Portuguesa (SP) na capital paulista, por 2 a 1, embora perdendo o jogo da volta em Belém, nesta tarde, na Curuzu, por 1 a 0. 

Quer dizer, as meninas paraenses jogaram com o regulamento na mão e se deram bem, conquistando um título inédito da modalidade não apenas para o futebol do Pará, mas para o norte do país. Ganhou o título com mérito e raça. 

As comandadas de Aline Costa provaram que, se houver investimento de empresários e até mesmo do Estado no futebol feminino local, outras conquistas virão. Antes de mais nada, se faz necessário profissionalizar essas meninas, pagando a elas salários que lhes permitam dedicar-se ao futebol.

Hoje, muitas das campeãs brasileiras pelo Pinheirense lutam com extrema dificuldade para sobreviver. Algumas são mães, cuidam da casa e dos filhos ao mesmo tempo em que exercem algum tipo de trabalho para alimentar e educar seus dependentes. 

Outras, estudam e dão aulas em academias. Ou seja, se viram como podem. E nos finais de semana dedicam-se ao futebol, uma de suas paixões. 

Os mais de 5 mil torcedores que foram à Curuzu torcer pelas meninas vibraram e sairam satisfeitos com o empenho delas dentro de campo. Elas deram o suor, o sangue e, no final, foram às lágrimas. De emoção e alegria. Afinal, merecem. Por tudo que passaram e tiveram de superar. 

O Ver-o-Fato, que torce pela profissionalização do futebol feminino no Pará - que ainda vive no amadorismo e da "ajuda de custo", fazendo das tripas coração na ponta da chuteira, seja para derrubar as barreiras da adversidade e chutar o preconceito - só tem a dizer: parabéns, meninas. 

Esse título de Campeãs Brasileiras, mais que do Pará, é de cada uma de vocês. E daqueles que acreditaram que o sonho podia se transformar em realidade. 

Valeu.

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