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Linha de Tiro - 19/04/2018

segunda-feira, 10 de julho de 2017

EXCLUSIVO - EMPRESÁRIO VAI AO MPF, ENVOLVE ZENALDO EM DENÚNCIAS E DIZ QUE QUER "COLABORAR SE JACOB BARATA FIZER DELAÇÃO PREMIADA"

 
 


Caso haja interesse da Polícia Federal e do próprio Ministério Público Federal, no rastro da operação Lava Jato que prendeu o empresário Jacob Barata e o mantém encarcerado no Rio de Janeiro, haverá farta colheita em Belém sobre irregularidades que ocorrem no transporte público municipal, uma verdadeira "caixa preta" que sobrevive a vários prefeitos. Semelhanças entre o que acontece no Rio de Janeiro e Belém não faltam.

Na seguência das duas matérias anteriores e exclusivas aqui do Ver-o-Fato sobre o assunto, encerramos com uma novidade: no último dia 5, quarta-feira da semana passada, o empresário Washington Luiz Dias Lima, o mesmo que gravou conversas sobre suposto pagamento superior a R$ 2 milhões para a campanha do prefeito Zenaldo Coutinho, compareceu ao Ministério Público Federal (MPF) protocolando um documento no qual reitera as denúncias já feitas e se dispõe a "colaborar nas investigações" para esclarecer fatos nebulosos. 

Diz Washington Dias Lima ao MPF, em documento exclusivo obtido pelo Ver-o-Fato, que as "fraudes praticadas no sistema de transporte público em Belém são semelhantes às ocorridas no Rio de Janeiro, amplamente noticiadas recentemente na mídia". Segundo Lima, ele buscou o MPF porque na própria reportagem do G1, que noticiou a prisão do empresário Jacob Barata, o MPF e a Polícia Federal "já atuam no caso".

Por vender combustíveis para empresários do ramo de transporte em Belém, ele tomou conhecimento, inclusive registrando várias conversas em áudio, de que há "um grande esquema de corrupção sendo praticado depois que o vale-transporte passou a ser digital".

Mensalmente, o empregador desconta do empregado 6%  para aquisição do vale-transporte, conforme o decreto federal 95.247, de 1987, bem como complementa esse valor de acordo com necessidade de uso do transporte público do empregado. A cada início de mês, o empregador transfere o dinheiro para o Setransbel, o sindicato das empresas de ônibus de Belém, que por sua vez disponibiliza o crédito no cartão Passe Fácil do trabalhador. 

Mas, em razão de vários trabalhadores não fazerem uso desse crédito sobra nas contas do Setransbel o montante de R$ 150 milhões por ano, aproximadamente. Essa sobra, de acordo com a denúncia de Lima, é usada para os mais variados "fins ilícitos", tais como "pagamento de propina ao prefeito de Belém para garantia de aumento da tarifa de ônibus, pagamento do mensalinho aos vereadores de Belém, propina aos órgãos fiscalizadores do transporte público, etc".

Modus operandi

Ainda segundo Lima, após diversos pagamentos de propina, "o restante é dividido entre os empresários da Setransbel". Ele disse ao MPF ter também conhecimento de "muitas outras irregularidades" envolvendo, por exemplo, as concessões de linhas de ônibus para o empresário Jacob Barata, com apoio de dirigentes da Semob - enfatiza possuir áudios gravados de empresários, confessando tais práticas".

Por fim, Lima se coloca à disposição para "colaborar com as investigações, não só de Belém, como do Rio de Janeiro, pois as irregularidades praticadas aqui e lá possuem o mesmo modus operandi e caso o empresário Jacob Barata, preso recentemente na Operação Ponto Final (RJ) faça um acordo de delação premiada, é provável que muitas práticas ilícitas realizadas em Belém venham à tona também". 

Nota da prefeitura 

O Ver-o-Fato procurou o prefeito Zenaldo Coutinho para ouvi-lo sobre as denúncias de Washington Lima. Foram enviadas ao prefeito seis perguntas, mas nenhuma foi respondida. 

Por meio de nota, o gabinete do prefeito disse que até o momento "a Prefeitura de Belém não foi notificada oficialmente pelo Ministério Público Federal sobre os relatos feitos na data citada". 

Segundo a nota, "todo o processo realizado em 2014 foi feito com absoluta transparência e legalidade, como comprovam os documentos apresentados voluntariamente ao Ministério Público".


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