quinta-feira, 20 de julho de 2017

EXCLUSIVO - "A AMAZÔNIA CACAU É DO XAVIER", DIZ ANTIGO DONO DA EMPRESA

César de Mendes, que montou a Amazônia Cacau:"não recebi nem R$ 100 mil"


O presidente da Federação da Agricultura do Pará (Faepa), Carlos Xavier, segundo denúncia de opositores, é dono de uma empresa, a Amazônia Cacau, com sede em Santa Bárbara, que foi registrada em nome do genro dele, Alexandre Távora, e do “laranja” Antônio Carlos Figueiredo, funcionário do setor de compras da Faepa. O investimento foi de mais de R$ 3,5 milhões e está cercado de algumas suspeitas.

De acordo com as denúncias, o maquinário da fábrica de chocolate de Santa Bárbara teria sido comprado com dinheiro desviado da Faepa, antes do financiamento bancário ter sido liberado. Há ainda supostas irregularidades na compra da empresa Amazônia Cacau, que antes atuava em outro ramo, o de indústria e comércio de derivados da mandioca, em Ipixuna do Pará.

O Ver-o-Fato localizou e entrevistou o químico César de Mendes, especialista em cacau e chocolate e reconhecido internacionalmente como chocolatier, que era o dono da empresa e da marca Amazônia Cacau para que ele esclarecesse as dúvidas sobre a transação com Carlos Xavier. 

A empresa e a marca foram criadas por ele em 2005, após Mendes ter realizado várias experiências e consultorias, desde 1994, sobre cacau e chocolate produzido com matéria prima regional. Algumas das pesquisas foram em comunidades tradicionais, onde ele constatou que “cacau é endêmico no Pará em sete biomas, cinco já comprovados cientificamente”. 

Daí a viabilidade da fabricação e comercialização do produto no Estado, onde ele mantém uma fabrica artesanal, mais precisamente na Colônia Xicano, em Santa Bárbara. Eis, abaixo, os principais trechos da entrevista de César de Mendes:

Ver-o-Fato Nós queríamos saber sobre a cadeia produtiva do cacau no Pará. Pensávamos que essa fábrica (Amazônia Cacau) era sua.
 
CM -  Em 2013, o presidente da Faepa, Carlos Xavier, e o genro dele, Alexandre Távora, me fizeram uma proposta para negociar a empresa Amazônia Cacau; na verdade, o doutor Carlos Xavier estava beneficiando a filha dele, através do genro Alexandre Távora... Acho que é deles, da família deles. Negociamos (Xavier, Alexandre e César) a empresa, em que eu ficaria responsável pelo produto, essa coisa de mercado, o papel técnico. Eles investiram pesado na estrutura física e o meu capital era intelectual e a marca.

Ver-o-Fato - Como o sr. conheceu o Carlos Xavier?

CM - Conheci o doutor Xavier em 2011 e 2012, quando fui fazer uma palestra sobre cacau na Faepa. Acabei tentando aprofundar o conhecimento dessa cadeia do cacau. Era para eu fazer parte da sociedade, mas nunca fiz porque na época eu tinha uma restrição e depois acabei desistindo”.

Ver-o-Fato – O investimento é alto?
 
CM – São 104 metros de frente por 758 metros de fundo, são sete balcões e deve ter uns R$ 3 milhões e pouco. Para o perfil financeiro deles (Xavier e Távora) era natural, mas para o meu é que não era. Eles foram estruturando o negócio no molde do capital deles e eu estava pensando em sair, queria fazer uma coisa diferente, então disse que não queria mais e eles (Xavier e Távora) disseram que iam me indenizar (pela marca Amazônia Cacau). Foi pouco dinheiro que me deram, não foi tudo o que estava acertado.

Ver-o-Fato – Quanto foi?

CM – A minha participação na empresa foi negociada em R$ 550 mil, mas eles (Xavier e Távora) não chegaram a me pagar nem R$ 100 mil”.

Ver-o-Fato – Você foi enganado?
 
CM – De certa forma, sim. O pouquinho de dinheiro que sobrou eu montei a minha fabriquinha, comprei aquela casa onde vocês foram, pois já queria sair da cidade. O Xavier vem sempre aqui, ele almoça aqui, eu (também) converso com o Alexandre, ainda tenho uma relação boa com eles, mas não presto mais serviços para eles. Ele (Xavier) é “entrão”, eu tenho um bom relacionamento com ele. Naturalmente você fica com resistências a uma abertura maior, mas ele vem aqui.

Ver-o-Fato – Foi você que despertou o interesse do Carlos Xavier pelo chocolate?
 
CM – “Foi. Na verdade, o Xavier é inteligentíssimo, ele é muito articulado e percebeu uma oportunidade, viu o mercado incipiente, que está crescendo, que tem prospecção de crescimento de 30 anos. Ele tem dinheiro, tem capital. (...)‘Vamos investir nesse negócio’ (...)”. Só que o genro dele, que é o Alexandre Távora, ele não tem competência. Tem dinheiro, o pai dele, a origem da família.

Ver-o-Fato – Mas ele (Alexandre Távora) tem cacife para bancar a fábrica de chocolate?
 
CM – Não, não teria. O Alexandre é de uma incompetência danada. Já teve sete negócios e todos os sete faliram.

Ver-o-Fato – Então, o capital é do Carlos Xavier?
 
CM – É do Xavier, com certeza. Ele é insatisfeito e também tem uma fazenda aqui (explicou a localização, tendo o lado esquerdo de um balneário como referência, quatro quilômetros para dentro de uma vicinal). Ele comprou essa fazenda quando estava acabando de construir a fábrica de chocolate. Ele planta cacau lá. O Xavier fala no círculo íntimo dele que "é engraçado, o Mendes com aquela fabriquinha lá no meio do mato consegue produzir e o chocolate dele está em todo lugar, e esse negócio gigante em que a gente investiu R$ 3 milhões não sai do lugar há três anos.”


A fábrica de chocolate, em Santa Bárbara, na rodovia Belém-Mosqueiro

  Obs: A empresa norte-americana Santa Bárbara Chocolate, localizada em Ventura, California (USA) não está associada com a empresa de chocolate de Santa Barbara, no Pará, Brasil.

Leia a seguir: Carlos Xavier rebate acusações e diz que investiu dinheiro dele dentro da Faepa

2 comentários:

  1. Se eu fosse esse senhor cobrava a dívida na Justiça pois ele levou um catrepa.

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