VER-O-FATO: DENUNCIADO POR ATOS DE HOMOFOBIA, PAYSANDU É ABSOLVIDO PELO STJD; "ALMA CELESTE" REPUDIA PRECONCEITO

quarta-feira, 19 de julho de 2017

DENUNCIADO POR ATOS DE HOMOFOBIA, PAYSANDU É ABSOLVIDO PELO STJD; "ALMA CELESTE" REPUDIA PRECONCEITO

Torcida Alma Celeste: baniu gritos homofóbicos contra o rival, Remo

Denunciado por atos homofóbicos por parte de seus torcedores, o Paysandu foi absolvido dessa acusação pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O clube paraense, contudo, foi multado em R$ 7,5 mil devido a desordens no Estádio da Curuzu ao final da partida contra a Luverdense, válida pela 11ª rodada da Série B. A decisão é da 3ª Comissão da Disciplinar e cabe recurso.



A denúncia contra o Paysandu fora baseada em confusão registrada logo após a partida disputada em 30 de junho, quando torcedores do clube paraense entraram em confronto. O motivo: um grupo quis tirar satisfação com membros da organizada Alma Celeste, que faz campanha contra a homofobia.

O tumulto rendeu duas denúncias ao Paysandu - que no dia seguinte à partida havia divulgado nota repudiando a confusão. O clube foi enquadrado pela procuradoria do STJD por deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordem, cuja pena poderia chegar a 10 perdas de mando de campo e multa de até R$ 100 mil.

O motivo da briga também foi levado em conta, transformando-se no primeiro caso de julgamento de clube no futebol brasileiro por homofobia. O Paysandu foi denunciado por infringir o artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de "praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência".

Os termos da denúncia enquadravam o clube paraense em punições que variavam de multa, perda de pontos e até mesmo exclusão de campeonato.

No julgamento desta quarta-feira, os auditores do STJD decidiram absolver o Paysandu da acusação de atos homofóbicos, mas multar o clube em R$ 7,5 mil devido à desordem. O valor será revertido em cestas básicas para a Apae de Belém.

Postura contra intolerância

A violência como instrumento de intolerância nos estádios de futebol encontrou um duro adversário na Alma Celeste, uma das facções do Paysandu, o clube do norte que possui uma das torcidas mais apaixonadas do país.

Foi preciso vencer o preconceito dentro da própria Alma Celeste e banir os gritos homofóbicos contra o maior rival, o Clube do Remo, para que sua ideologia inclusiva começasse a ser notada em todo o Brasil. Na Parada LGBT, em junho passado em São Paulo, a torcida foi homenageada por sua postura nas arquibancadas.

Sempre presente em campanhas de doação de sangue, órgãos e alimentos, além de visitas a hospitais e asilos, nem tudo, porém, são flores e solidariedade na vida dos integrantes da Alma Celeste.

No final de junho passado, durante partida no estádio da Curuzu contra o Luverdense (MT), pela Série B do Campeonato Brasileiro, o gol do adversário no final do jogo, decretando o empate, revoltou integrantes da Terror Bicolor, uma facção banida dos estádios pela Justiça paraense, mas hoje sob o nome de Torcida Bicolor.

Muitos torcedores já haviam deixado o estádio quando alguns integrantes da Alma Celeste foram agredidos fisicamente por membros da Torcida Bicolor. O caso acabou na polícia. A insatisfação contra o resultado da partida foi substituída pela intolerância contra quem repudia o preconceito.

“Nós repudiamos não apenas a homofobia, mas qualquer forma de preconceito, seja racial, religioso ou contra idosos”, disse ao Estado Suane Azevedo, da Banda Alma Celeste, que com seus instrumentos e cânticos ajuda a levar a alegria nos jogos do clube. A torcida foi criada há 10 anos e nas redes sociais já possui mais de 90 mil seguidores.

Para Suane, o episódio das agressões já foi superado e jamais deveria ter ocorrido. “Sei que ainda há medo e algumas ameaças que nossos companheiros sofrem pelas redes sociais, mas não desistiremos de frequentar os estádios e incentivar o que clube que tanto amamos”, resumiu ela.

Sérgio Ferreira, um dos diretores, condenou a “versão distorcida” que alguns veículos da imprensa se encarregaram de difundir sobre o episódio, dizendo que nas páginas da torcida nas redes sociais há uma nota em que tudo foi esclarecido.

Dirigentes das duas torcidas já se reuniram com diretores do Paysandu e fizeram as pazes. Na partida de terça-feira, 17, no Mangueirão, contra o Náutico (PE), pela Série B, o time do Paysandu entrou em campo com uma grande faixa, afirmando que o clube rejeita “toda e qualquer forma de preconceito”.( Carlos Mendes e Márcio Dolzan, de "O Estado de São Paulo).

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