VER-O-FATO: A AMAZÔNIA E SEUS SOLOS: SEIS DIAS DE PALESTRAS E DEBATES QUE COMEÇAM AMANHA, EM BELÉM

sábado, 29 de julho de 2017

A AMAZÔNIA E SEUS SOLOS: SEIS DIAS DE PALESTRAS E DEBATES QUE COMEÇAM AMANHA, EM BELÉM



Num momento em que a ciência e a pesquisa científica no Brasil se encontram à míngua - massacradas por falta de recursos e investimentos governamentais - e muitas cabeças importantes deixam o país para procurar outros ares onde seus trabalhos são valorizados e bem acolhidos, os que teimam em fazer ciência e discutir seus rumos se deslocam de todos os pontos do Brasil para Belém. Eles vêm para cá fazer o que melhor sabem fazer, o debate sadio de ideias, mas também trazer uma visão diferente e enriquecedora, baseada na técnica e no conhecimento científico.


Pois começa amanhã, dia 30, nesta capital, vai até o próximo dia 4, no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, o XXXVI Congresso Brasileiro de Ciência do Solo (CBCS), maior e mais importante evento da área no país e que reúne professores, pesquisadores, extensionistas, estudantes de graduação e pós-graduação, empresários e profissionais liberais "preocupados com a qualidade dos solos e, consequentemente a sustentabilidade dos sistemas agrícola, pastoril, florestal e da exploração mineral", segundo os organizadores do evento.

O tema central deste ano é “Amazônia e Seus Solos": peculiaridades e potencialidades” e reunirá mais de 2.500 participantes, quantitativo recebido nas suas últimas edições. Este é um evento que visa o avanço do conhecimento científico e a geração de tecnologias, com a preocupação em ser um fórum que contribua com políticas públicas sobre o uso sustentável dos solos como meio para manutenção da vida na terra, a importância do solo para a segurança alimentar, abordando aspectos da capacidade de resiliência e recuperação do solo, quando submetido a sistemas de cultivos e exploração mineral, bem como o aproveitamento de resíduos orgânicos na recuperação e remediação dos solos.

De acordo com a organização do congresso, a escolha da cidade de Belém para a 36a edição do CBCS tem grande relevância por estarmos inseridos neste imenso território amazônico, onde a inovação científica, a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável são fatores primordiais e essenciais e que devem estar na pauta da programação científica dos debates.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, o congresso é uma realização da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e instituições parceiras. A elaboração da programação do evento foi toda baseada no interesse da comunidade, considerando como comunidade o meio acadêmico, o meio técnico, o meio científico e, principalmente o meio rural. Foram ouvidas diversas entidades que trabalham diretamente com o meio rural, assim como
alguns movimentos sociais ligados a terra, para que fossem sugeridos importantes temas a serem discutidos no evento.

Desta forma serão abordados; aspectos importantes quanto ao manejo e conservações dos solos visando um sistema produtivo sustentável. O manejo nutricional de alguns dos principais cultivos de interesse amazônico e do Brasil, também será abordado e ainda a recuperação de áreas degradadas por mineração, alternativas ao uso do fogo e a etnopedologia. Um evento como o XXXVI Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, trará vários impactos positivos para a região amazônica e para o Brasil, contribuindo fortemente para o desenvolvimento sustentável.

Conhecimentos e reciclagem

No caso dos técnicos, afastados dos grandes centros e muita das vezes carentes de novas informações, terão a oportunidade de se reciclarem, recebendo conhecimento científico atualizado, que poderá ser aplicado no seu dia a dia de trabalho posteriormente. Quanto ao meio acadêmico o ganho é imensurável, pois vários novos cursos superiores estão surgindo, assim como novas universidades.

Para os produtores e trabalhadores rurais, em discussões realizadas pelos sindicatos, este evento será um marco para re-impulsionar a agricultura da Região, carente de informações técnicas de qualidade, que muitas das vezes para sua implementação não requerem necessariamente um alto investimento, almas que por não chegar até ao produtor, não geram o estímulo necessário ao desenvolvimento e implantação de novas técnicas e por consequência desestimulam todo o processo produtivo com impacto, inclusive, na permanência dos jovens no meio rural.

Durante o evento vários contatos serão firmados entre os produtores e o meio científico e acadêmico, o que poderá gerar várias ideias de projetos e atividades a serem realizadas futuramente nas propriedades. Politicas públicas também poderão ser geradas a partir das discussões ocorridas no evento. Em termos regionais várias propostas e novas ideias poderão ser levadas aos demais estados participantes do evento, permitindo a integração, a troca de experiências e o desenvolvimento.

Resultados esperados: impactos positivos

Espera-se, promover e incrementar o intercâmbio entre pesquisadores nacionais e internacionais, com atuação destacada e relevante contribuição para a ciência do solo, com estudantes, extensionistas e empresários e produtores rurais; promover a aproximação e discussão das pesquisas realizadas com aqueles que atuam na pesquisa, no ensino, na divulgação ou em atividades técnicas, visando o conhecimento e melhor utilização do solo e da água no Brasil; fortalecer parcerias interestaduais e internacionais, nas atividades de pesquisa e pós-graduação; difundir o conhecimento dos métodos científicos e das técnicas racionais de exploração, tratamento e conservação do solo e da água, visando a sustentabilidade da produção agrosilvopastoril;

Com esse evento, será possível interagir a comunidade científica á acerca das tecnologias sustentáveis disponíveis, que possam ser aplicadas a Amazônia, direcionando o desenvolvimento de pesquisas futuras e a ação políticas públicas. Novos grupos de pesquisa e redes de pesquisa na Amazônia poderão ser formados. Com o contato entre pesquisadores, técnicos e produtores de diferentes regiões, também será possível a otimização no uso de equipamentos e estruturas laboratoriais já adquiridos, bem como a viabilização de parcerias para aquisição de novos recursos por meio de futuros editais de fomento à pesquisa. Outro impacto positivo previsto será na formação de recursos humanos em nível de pós-graduação em ciências do solo e, ou áreas afins.

No setor produtivo, será possível aumentar a interação com indústrias ligadas à produção e comercialização de insumos e com produtores e consultores do sistema produtivo. Essa interação contribuirá para o direcionamento de pesquisas focadas para o aumento da produtividade com maior sustentabilidade ambiental.

No setor da conservação será possível estabelecer maior interação entre pesquisadores e estimular o desenvolvimento de redes de pesquisa, bem como o delineamento de macroprojeto e demandas orçamentarias para a implementação por órgãos fomentadores.

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