quinta-feira, 1 de junho de 2017

EXCLUSIVO - RELATÓRIO POLICIAL DIZ QUE GRUPO DE INVASORES ATIROU E HOUVE CONFRONTO

Fotos inéditas do grupo de invasores. Acima, Jane (loura), uma das vítimas. As duas fotos não fazem parte do relatório policial e foram obtidas pelo Ver-o-Fato

Relatório da ocorrência policial sobre os fatos que redundaram na morte de 10 pessoas, dentro da fazenda Santa Lúcia, no dia 24 de maio passado, aponta que os policiais militares e civis que se deslocaram para cumprir ordem judicial de prisões preventivas e temporárias foram recebidos a bala por um grupo armado que já havia matado um segurança da propriedade, ferido outro segurança e praticado atentado contra o dono da área.
 
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O Ver-o-Fato teve acesso ao relatório e ele contradiz a versão apresentada por invasores de que os policiais chegaram atirando e matando a todos sem qualquer chance de defesa.

Leia aqui os principais trechos do relatório policial sobre o que ocorreu da hora em que os militares e civis da Delegacia de Conflitos Agrários (Deca) chegaram ao local para prender os acusados de homicídio, tentativa de homicídio e atentado, o cerco feito na mata, os tiros trocados de parte a parte, até o desfecho, a constatação das mortes.

"Sendo assim, conforme relatado na ocorrência policial, no dia 24 de maio de 2017, por volta das 06h30min, a equipe policial civil da DECA de Redenção e equipe do Grupo Tático Operacional da Polícia Militar do referido município se dirigiram à Fazenda Santa Lúcia a fim de dar cumprimento a Mandados de Prisão Preventivas e Temporárias, deferidos pelo Juízo da Comarca de Redenção, em razão de representação feita pelo delegado titular da DECA de Redenção, visto que havia uma associação criminosa na fazenda Santa Lucia que teria praticado os crimes de homicídio, em desfavor de Marcos Batista Ramos Montenegro, funcionário de uma empresa de Segurança contratado pelo proprietário da fazenda, de tentativa de homicídio, de esbulho possessório, de associação criminosa armada, de dano qualificado e outros. 

De acordo com o relatado, as equipes policiais ao chegarem na sede da fazenda, encontraram o local onde os seguranças ficavam alojados, que há alguns dias havia sido destruído pelo bando, mediante incêndio, porém não encontraram nenhum dos criminosos. No local foram encontrados diversos utensílios domésticos, tais como panelas, copos e outros, escondidos em meio à vegetação. No decorrer da diligência a equipe policial militar avistou um dos criminosos, o qual ao correr deixou cair uma arma no chão e após tal fato os Policiais descobriram a direção, onde os criminosos se encontravam, e por isso se dividiram, novamente, para fazer o cerco na mata, onde o bando se encontrava.

Duas equipes seguiram pelo fundo da mata, com intuito de impedir eventual fuga, ao que a equipe de policiais fizeram o adentramento, a fim de localizá-los e dar cumprimento aos Mandados de Prisão. A medida que os Policiais avançavam pela mata, o bando se sentia acuado e efetuava disparos de armas de fogo, para intimidar a ação policial, sendo que quanto mais as equipes avançavam, mais tiros foram desferidos contra as equipes de policiais, sendo que quando os policiais conseguiram se aproximar dos criminosos, em virtude dos disparos recebidos, tiveram que repelir com tiros à agressão atual e injusta praticada pelo bando armado.

Na ação policial parte do grupo criminoso foi alvejado, ao que maior parte conseguiu empreender fuga. Após o confronto equipe policial averiguou o acontecido, quando constatou que em virtude da ação parte do grupo armado havia sido morto, tendo também percebido no local a presença de onze armas, sendo elas dez armas longas, sendo um fuzil cal. 762, uma pistola Glock, cal. 380, e outras, estando todas municiadas, além de munições intactas e outras capsulas já deflagradas.

No local, foi percebido que em virtude do confronto, foram a óbito as pessoas BRUNO HENRIQUE PEREIRA GOMES, ANTONIO DIVINO PEREIRA LIRA DOS SANTOS ou ANTÔNIO PEREIRA MILHOMEM, vulgo “TOINHO”, HÉRCULES SANTOS DE OLIVEIRA, RONALDO PEREIRA DE SOUSA, vulgo “LICO”, REGIVALDO PEREIRA DA SILVA, vulgo “GURI”, OSEIR RODRIGUES DA SILVA, WCLEBSON PEREIRA MILHOMEM, vulgo “KLEBER”, NELSON SOUSA MILHOMEM, vulgo “NEGUINHO DO VIGILATO”, WEDSON PEREIRA DA SILVA e JANE JULIA DE OLIVEIRA.

No dia 24 de maio de 2017, após os acontecimentos ocorridos tudo foi levado até a Delegacia de Redenção, onde foi registrado o Boletim de Ocorrência Policial nº 73/2017.002178-4. Na data de 25 de maio de 2017, uma equipe da Divisão de Investigações e Operações Especiais - DIOE se deslocou até o município de Pau D'arco visando a completa apuração dos fatos ocorridos em decorrência da ação de cumprimento de mandado de busca e prisão. Na mesma data foi instaurado o Inquérito Policial nº 208/2017.000019-8, presidido pelo DPC Aurelio Walcyr Rodrigues de Paiva. Após as mortes, no mesmo dia, 24 de maio de 2017, a advogada dos proprietários da Fazenda Santa Lúcia registrou Boletim de Ocorrência Policial nº 351/2017.000007-3, relatando ameças à familiares dos proprietários.

Finalmente, informamos que encontra-se no Fórum de Rio Maria o Processo Criminal nº 0000136.61.2003.8.14.0047, de Homicídio Qualificado, tendo como réus WCLEBERSON PEREIRA MILHOMEM, LINDOMAR BEZERRA DE SOUZA, FRANCISCO DE ABREU DO NASCIMENTO, OLIMPIO LUIZ DE FARIAS, ANTONIO PEREIRA MILHOMEM e RONALDO PEREIRA DE SOUSA, vulgo “LICO” e Outros, os quais na data de 28 de junho de 2003 mataram a Fazendeira IRAILDES DE SOUZA MACIEL e tentaram contra a vida do vaqueiro HELIO QUIRINO DOS SANTOS, com intuito de tomarem a Fazenda de nome “IRMÃOS MACIEL”, localizada na Gleba Araguaxim, Município de Bannach/Pa. Após quatro dias, em 02 de julho de 2003, os invasores incendiaram a sede da referida Fazenda.

Tal fato foi apurado pela Delegacia de Redenção através do IPL nº 2003.0127777.

2 - INFORMAÇÕES SOBRE AS PESSOAS MORTAS EM ENFRENTAMENTO NA FAZENDA SANTA LÚCIA, MUNICÍPIO DE PAU D'ARCO/PA.

Em relação ao enfrentamento ocorrido na ação policial realizada no dia 24 de maio de 2017, para cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão, constatou-se óbito dos nacionais ANTONIO DIVINO PEREIRA LIRA DOS SANTOS ou ANTÔNIO PEREIRA MILHOMEM, vulgo “TOINHO”, BRUNO HENRIQUE PEREIRA GOMES, HÉRCULES SANTOS DE OLIVEIRA, RONALDO PEREIRA DE SOUSA, vulgo “LICO”, REGIVALDO PEREIRA DA SILVA, vulgo “GURI”, OSEIR RODRIGUES DA SILVA, WCLEBSON PEREIRA MILHOMEM, vulgo “KLEBER”, NELSON SOUSA MILHOMEM, vulgo “NEGUINHO DO VIGILATO”, WEDSON PEREIRA DA SILVA e JANE JULIA DE OLIVEIRA.

Com efeito, 06 (seis) dos 10 (dez) mortos em confronto estavam com mandados de prisão decretados pela justiça acusados dos crimes de homicídio, associação criminosa, incêndio, dentre outros, além de alguns deles apresentam antecedentes policiais pela prática de outros crimes, conforme se verá a seguir.

1 - ANTÔNIO PEREIRA MILHOMEM, ou ANTONIO DIVINO PEREIRA LIRA DOS SANTOS, vulgo TONHO.

Antônio Pereira Milhomem, mais conhecido como TONHO, era tido como um dos líderes do grupo armado que invadiu a Fazenda Santa Lúcia, sendo o mesmo acusado pelo homicídio do vigilante da fazenda Marcos Batista Ramos Montenegro, ocorrido no dia 30 de abril de 2017, razão pela qual foi expedido mandado de prisão preventiva em seu desfavor.

Em 2002 foi denunciado por Roubo em Conceição do Araguaia, ação penal no 0000754-84.2002.8.14.0017. Em 2003 foi instaurada ação penal por crimes contra o patrimônio em desfavor de Antônio, em Santana do Araguaia, ação penal no 0000102-03.2003.8.14.0050.
Além disso, o mesmo figura como réu na ação penal nº. 0000136-61.2003.8.14.0047, da vara única da Comarca de Rio Maria, acusado da prática de homicídio contra uma fazendeira. 

Já em 2006 foi instaurado procedimento para apurar a sua fuga do sistema prisional de Redenção, processo 0003349-66.2006.8.14.0045.
Em 2007 foi aberto também contra ele a ação penal no 0003887-16.2007.8.14.0045 e em 2013 uma ação por Esbulho/turbação/Ameaça em Redenção, processo 0007127-33.2013.8.14.0045.

Mais recentemente, 2016, foram registradas denuncias criminais pelos crimes de Ameaça e violência doméstica (2 processos).

2 - RONALDO PEREIRA DE SOUSA, vulgo LICO

Ronaldo Pereira de Sousa, mais conhecido como LICO, era tido como integrante do grupo armado que invadiu a Fazenda Santa Lúcia, sendo o mesmo também acusado pelo homicídio do vigilante da fazenda Marcos Batista Ramos Montenegro, ocorrido no dia 30 de abril de 2017, razão pela qual foi expedido mandado de prisão preventiva em seu desfavor.

Além disso, tem-se que o mesmo figurava igualmente como réu na ação penal nº. 0000136-61.2003.8.14.0047, da vara única da Comarca de Rio Maria, acusado também da prática de homicídio contra uma fazendeira, dentre outros crimes.

Por fim, em consulta a bancos de dados, verificou-se que o mesmo já foi autuado por posse ilegal de arma de fogo no ano de 2005, no município de Santana do Araguaia/PA, bem como preso e autuado em flagrante por tráfico de drogas em Redenção (processo 0000988-02.2012.8.14.0045), na data de 18 de Março de 2012. Mais que isso, LICO era réu na comarca de Conceição do Araguaia pelos crimes de ameaça(processo 0003731-98.2014.8.14.0017) e dano (processo 0000869-23.2015.8.14.0017).

3 - CLEBSON PEREIRA MILHOMEM , vulgo KLEBER

Clebson Pereira Milhomem, mais conhecido como KLEBER, sobrinho de Ronaldo Pereira de Sousa, o LICO, era integrante do grupo armado que invadiu a Fazenda Santa Lúcia, sendo o mesmo também acusado pelo homicídio do vigilante da fazenda Marcos Batista Ramos Montenegro, ocorrido no dia 30 de abril de 2017, razão pela qual foi expedido mandado de prisão temporária em seu desfavor.

Além disso, tem-se que o mesmo figurava igualmente como réu na ação penal nº. 0000136-61.2003.8.14.0047, da vara única da Comarca de Rio Maria, acusado também da prática de homicídio contra uma fazendeira, dentre outros crimes. Ano 2003 – Crime Contra Patrimônio – Comarca de Santana do Araguaia – Processo: 0000136-61.2003.8.14.0047. Ano 2003 – Petição/Acusado – 1ª Vara Cível e Penal de Conceição do Araguaia – Processo: 0000108-37.2003.8.14.0017. Ano 2006 – Pétição/Denunciado – Santa Izabel – Processo: 0001733-91.2006.8.14.0049.

Por fim, em consulta a bancos de dados, verificou-se que o mesmo já foi autuado por posse ilegal de arma de fogo no ano de 2005, no município de Santana do Araguaia/PA, bem como preso e autuado em flagrante por tráfico de drogas em Redenção, na data de 18 de Março de 2012.

4 - REGIVALDO PEREIRA DA SILVA, vulgo GURI

Regivaldo Pereira da Silva, mais conhecido como Guri, era integrante do grupo armado que invadiu a Fazenda Santa Lúcia, sendo o mesmo também acusado pelo homicídio do vigilante da fazenda Marcos Batista Ramos Montenegro, ocorrido no dia 30 de abril de 2017, razão pela qual foi expedido mandado de prisão temporária em seu desfavor.

5 - JANE JULIA DE OLIVEIRA

Jane Júlia de Oliveira, companheira de Ronaldo Pereira de Sousa, o LICO, era tida como uma das líderes do grupo armado que invadiu a Fazenda Santa Lúcia, sendo a mesma também acusada pelo homicídio do vigilante da fazenda Marcos Batista Ramos Montenegro, ocorrido no dia 30 de abril de 2017, razão pela qual foi expedido mandado de prisão preventiva em seu desfavor. Responde ainda um processo criminal na comarca de Redenção por Esbulho/Turbação/Ameaça, processo no 0007127-33.2013.8.14.0045.

6 - NELSON SOUSA MILHOMEM, vulgo NEGUINHO DO VIGILATO

Nelson Sousa Milhomem, mais conhecido como Neguinho do Vigilato, era integrante do grupo armado que invadiu a Fazenda Santa Lúcia, sendo o mesmo também acusado pelo homicídio do vigilante da fazenda Marcos Batista Ramos Montenegro, ocorrido no dia 30 de abril de 2017, razão pela qual foi expedido mandado de prisão temporária em seu desfavor. Responde ainda processo criminal por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido na comarca de Conceição do Araguaia, processo no0001997-85.2007.8.14.0017.

7 - WEDSON PEREIRA DA SILVA

Wedson Pereira é réu em processo criminal por furto registrado no TJ PA sob o no 0004008-35.2009.8.14.0045, responde ainda por crime cometido conduzindo veículo automotor em Redenção, processo no 0000461-11.2016.8.14.0045."
Aguarde mais detalhes sobre o relatório policial.

5 comentários:

  1. Esse relatório da polícia é ridículo, óbvio que eles não diriam que não houve confronto... Qual a dúvida?

    Essas fotos não são "inéditas", elas são imagens de um vídeo que circula na internet, com registro de um momento anterior ao dia 24/05 em que alguém que não está claro quem é "visitava" os agricultores e estes se sentiam ameaçados.

    Agora, a sequência de matérias desse blog sobre esse caso [com a denuncia do fazendeiro que omite a grilagem de terras, depois a revelação de fichas criminais de vítimas que parece tentar justificar a chacina, e agora essa sobre a versão da polícia como se fosse algo de revelação da verdade], além da linguagem usada ["grupo de invasores", termo usado na criminalização de movimentos sociais], me parecem colocar uma sombra sobre a imparcialidade do jornalista.

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  2. Talvez o que você queira Evandro é que o blogue incorpore sua visão dos fatos e escreva o que você quer ler. Trabalho com fatos e versões, estas checadas, até que se chegue à verdade dos fatos. Se você já tem sua opinião formada e mesmo que as provas amanhã não sejam de seu agrado você não mudará de opinião. Sinto lhe dizer que continuo em busca de saber realmente o que ocorreu, ao contrário de você, que já sabe, mesmo que não apresente provas do que diz e utilize como base apenas o que lhe disseram.

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  3. Chacina o caralho! O caralho!

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  4. Evandro vai invadir terras lá em cuba, China ou Coréia do norte pra te ver o que é bom kkkkk

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  5. se os policiais falam que os posseiros estavam mortos no local, apos o tiroteio, porque eles tiraram todos os corpos do local. Claro e evidentemente para dificultar o trabalho da pericia e garantir a sua impunidade.

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