quarta-feira, 7 de junho de 2017

EXCLUSIVO - PROMOTOR MILITAR PÕE O DEDO NA FERIDA DAS CHACINAS E SE TIVER PM NO MEIO, SUJOU


 


O promotor militar Armando Brasil, em entrevista a mim concedida para o jornal "O Estado de São Paulo" e que será publicada na edição desta quinta-feira,7, informou que no mês passado enviou recomendação ao comandante-geral da PM, coronel Hilton Benigno, para que a corporação exerça um controle sobre a munição ponto 40, que ela utiliza. A providência de Brasil é salutar e revela o descontrole que existe sobre o armamento e a munição utilizados nas ruas.


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Na verdade, resguarda o próprio trabalho dos militares e previne ocorrêncais desagradáveis, servindo até mesmo para identificar quem eventualmente faça parte de grupos de extermínio ou se envolva em troca de tiros no combate a criminosos.

A recomendação, cujo objetivo é colocar em ordem o armamento e a munição cauteladas de todos os mais de 14 mil policiais militares do Pará que integram a PM, foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) do último dia 24 de maio (veja, acima). Com a identificação do número da munição será possível saber quem atirou e de qual arma partiu o tiro.

“O kit de segurança tem a pistola e o colete e suas numerações são lançadas na cautela distribuída pelo quartel a cada militar. A munição, hoje, porém, não tem a numeração na cautela e isso é uma falha que precisa ser corrigida”, disse Brasil, lembrando que é o Exército quem autoriza a distribuição da munição à PM. “O Exército sabe para onde vai e qual estado recebeu a munição”, explicou, citando que a munição ponto 40 é a mais usada pela PM.

Brasil afirmou que a recomendação enviada ao comando da PM até agora não foi cumprida. O prazo final é de vinte dias. O promotor prometeu que se nos próximos dez dias isso não ocorrer, ele ingressará judicialmente com ação de improbidade administrativa contra o coronel Benigno.

O pior de tudo é que esta é a segunda recomendação feita por Brasil. A primeira, também publicada no Diário Oficial, foi há dois anos e literalmente ignorada pelo último comandante-geral, o coronel Roberto Campos. "Não vou aceitar que isso ocorra novamente e acionarei o Poder Judiciário em caso de desrespeito", prometeu o promotor.

Nas chacinas, só bala ponto 40


Se a recomendação de Brasil tivesse sido obedecida, seria possível identificar, na chacina de ontem à noite no bairro da Condor, se as balas que sairam das armas dos "justiceiros" eram ou não de armas e munição oriundas de algum quartel da Polícia Militar. Seria possível até saber quaais os militares, nome e patente, que as utilizaram.

O caso ocorrido ontem foi uma daquelas barbaridades que a população paraense, embora chocada, parece anestesiada a acostumar-se. Isso é terrível para os habitantes e pior para o governo estadual, hoje sem credibilidade para dizer qualquer coisa, porque não age como deveria para identificar e prender os assassinos que agêm à solta.

Belém é a 11ª cidade mais violenta do mundo, com 67,41 homicídios por cada 100 mil habitantes, segundo números de abril passado da Ong mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal. A matança de ontem, com cinco mortos e nove feridos - fala-se que o total seria de 15, ainda não confirmado - soma-se a tantas outras sem nenhuma identificação dos executores.

De janeiro a maio deste ano, cerca de 50 pessoas foram mortas em chacinas praticadas por grupos que ocupam carros das cores prata, preta ou que utilizam motocicletas. Ontem, morreram Rodney Vasconcelos Silva, 26 anos; Jairo Lobato Pimentel, 38 anos, Sebastião Souza Pereira, 46 anos, Evandro Sá, 38 e Ricardo Botelho, 32, que era chefe de bateria da escola de samba Rancho Não Posso me Amofiná, uma das agremiações carnavalescas mais tradicionais de Belém.

A polícia abriu inquérito para investigar as mortes, mas ninguém até agora foi preso. Por meio de nota, o secretário de Segurança, general da reserva Jeannot Jansen, informou Segup informou que as Polícias Civil e Militar e o Centro de Perícias Renato Chaves estão apurando as “circunstâncias, motivações e responsabilidade do crime, incluindo ações de buscas nos bairros da Cremação, Jurunas e Condor, além de barreiras e operações de saturação nas três áreas”.

Triste, abandonado e inseguro Pará.

5 comentários:

  1. até parece que só as polícias PC e PM, portassem a ponto 40...
    na periferia vagabundo tem .40 e 9mm, quem não tem direito de ter armas pra se defender somos nós "o gado".

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  2. Mais uma vez esta de parabéns o nosso intrépido e hábil promotor de justiça militar armando brasil

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  3. enquanto as chacinas estiverem ocorrendo na periferia da RMB e estiverem morrendo negros,pobres e trabalhadores humildes,as autoridades não estão nem aí, agora eu quero ver esses justiceiros fazerem isso com filhinho de papai moradores do bairro de Nazaré, Batista Campos e outras areas nobres da capital, não fazem isso porque são covardes e sabem que os moradores da periferia estão desprotegidos das autoridades incompetentes.

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  4. Luciane Cavalcante: Os moradores das áreas nobres estão desprotegidos também. Até ano passado morava no bairro de Nazaré e francamente a proteção policial é uma piada e os bandidos da baixada chegam no Bairro em dez minutos encima de uma bicicleta.

    A diferença entre nós e os filhinhos de papai é que eles tem dinheiro pra ficar andando de cima pra baixo com carro, e moram em prédios com alguma proteção. Nós não. Depois das sete o centro esvazia.

    Já vi um assassinato na minha frente, do outro lado da rua, em plena praça da Basílica.

    De fato, me sinto mais seguro em minha rua em São Brás/Quase Canudos do que eu me sentia na minha rua, no centro de Belém. Aqui nós asseguramos nossa segurança. Foda-se o estado incompetente.

    Rico de verdade hoje em dia, mora em Condomínio Fechado.

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  5. Tem que intensificar a fiscalização das PMs sim.

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