segunda-feira, 12 de junho de 2017

É ASSIM QUE ELES AJUDAM A DESTRUIR A AMAZÔNIA: DESCOBERTO MEGAGARIMPO EM TERRA INDÍGENA NO PARÁ




Do alto, é difícil acreditar que um garimpo tão grande atue na ilegalidade: no meio da floresta densa, abre-se uma chaga de centenas de metros de terra exposta e água empoçada, em plena terra indígena mundurucu, no sudoeste do Pará, a 1.190 km de Belém. 



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Na última terça-feira (5), seguindo denúncia das principais lideranças mundurucus, o megagarimpo foi alvo de uma operação do GEF (Grupo Especializado de Fiscalização), a unidade de elite do Ibama. A matéria que você lerá a seguir é do jornal "Folha de São Paulo" e foi publicada na edição de ontem, domingo,11. A "Folha", que acompanhou a operação do Ibama, também produziu o vídeo que você pode acompanhar acima.


"Após viagem de 200 km desde a cidade Novo Progresso (PA), os três helicópteros da missão aterrissaram ao lado do igarapé Água Branca, que, sem a proteção da floresta, se transformou num jorro barrento cruzando a terra estéril.


Seis agentes portando armas longas foram escalados para a ação, em região considerada de alto risco. No ano passado, um PM que dava apoio ao Ibama foi morto por um garimpeiro. Em 2012, a PF matou um mundurucu durante a tomada de um garimpo ilegal.
O objetivo era destruir o maquinário, autuar infratores e levantar informações sobre os donos do garimpo, mas um incidente com um mundurucu fez com que a missão fosse interrompida após meia hora no solo.


Ao ver uma escavadeira, avaliada em cerca de R$ 500 mil, sendo incendiada, um índio avançou sobre um dos agentes, que usou spray de pimenta para pará-lo. Após desconfiarem que a situação sairia do controle, foi dada a ordem de retirada.


Os agentes estavam em ampla desvantagem numérica. No garimpo, há uma currutela (vila) de pelo menos 50 barracos —o local, que ocupa cerca de 400 hectares, segundo imagens de satélite, dispõe até de pista de avião e de internet sem fio.
O imenso garimpo ilegal rasga a floresta


Apesar do pouco tempo no chão, o Ibama conseguiu apreender atas de reunião, informes e recibos de pagamento em ouro dos garimpeiros para a Associação Pusuru, de mundurucus da região.


Nos documentos obtidos, aparecem carimbos com o CNPJ e assinatura dos coordenadores da organização, com sede em Jacareacanga (a 1.190 km a sudoeste de Belém, em linha reta).


Divisões internas - Ao Ibama, o garimpeiro José Barroso de Lima, 60, dono de uma escavadeira, explicou que está no local há dois anos, após acordo com lideranças locais mundurucus pelo qual entrega 10% do ouro produzido —2% para a associação e 8% para uma das aldeias próximas.


A corrida do ouro tem criado tensão entre os mundurucus, etnia de 12 mil pessoas conhecida por protestos ousados, como a tomada por uma semana do canteiro de obras da usina Belo Monte, em 2013.
Principal liderança da etnia, o cacique geral, Arnaldo Kabá, protocolou ou apoiou denúncias de atividade garimpeira em terra indígena à Funai, ao Ministério Público e ao Ibama.


No ano passado, ele foi ao local pessoalmente, mas a reunião não teve resultado: “Fiquei triste porque o meu povo está com ideia tão diferente. Cacique pega ouro, mas não sei se está fazendo alguma coisa pela comunidade”, disse à Folha, por telefone.


“A população está sofrendo muito com os garimpeiros brancos. A água está muito suja, muita tristeza, traz mercúrio, malária, diarreia”, completou.

Embora em minoria, o envolvimento dos mundurucus é significativo. Apenas no garimpo Água Branca, 22 aldeias recebem pagamento em ouro, de um total de 123.
Os agentes do Ibama incendiaram um trator
O número de aldeias participantes foi dado por Waldelirio Manhuary, uma das principais lideranças da associação Pusuru. Ele afirma que a cobrança do percentual é “um direito pelo dano” e afirmou que as lideranças contrárias ao garimpo não são representativas.


Por telefone, Manhuary afirmou que há no local dez escavadeiras e 19 máquinas para garimpo, usadas para lavagem do solo. Dessas, duas escavadeiras e oito máquinas pertencem aos mundurucus.


Ladrões - “Não somos bandidos. Ladrões são os de colarinho branco, os congressistas”, afirmou.
Responsável pela fiscalização do sudoeste do Pará, a gerente executiva do Ibama em Santarém, Maria Luiza de Souza, afirma que, ao poluir os rios, o garimpo traz mortalidade de peixes e doenças para as comunidades indígenas, que em troca recebem um percentual muito pequeno da riqueza produzida.


“Não há aumento na qualidade de vida da aldeia, é um dinheiro que beneficia apenas o garimpeiro. O índio não fica com nada.” (Fabiano Maisonnave Prado, da "Folha").

2 comentários:

  1. Por que é preciso vir um jornal de fora do Pará para fazer esta reportagem? Por que os jornais de Belém não fazem essas reportagens? Parabéns a este blog por publicar essa reportagem da Folha de Sao Paulo. Só assim a gente fica sabendo o que se passa no nosso Estado.

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    1. Os jornais de Belém estão empenhados em notícias esdrúxulas, comerciais de mineradoras e puchação de saco de político.

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