domingo, 4 de junho de 2017

A QUASE MORTE DO JORNALISMO INVESTIGATIVO NO PARÁ E A LETARGIA DO MERCADO PUBLICITÁRIO


Carlos Mendes

É possível, para um repórter, sonhar aos 67 anos de idade? Ou acreditar que o jornalismo investigativo no Pará ainda não está morto, nem de morte morrida - pelas facadas editoriais - ou de morte matada, pelo fuzilamento patronal?

Minha teimosia diz que sim. Ela se recusa a aceitar o determinismo imposto pelos dois maiores jornais do Pará, "O Liberal" e o "Diário do Pará", que estão morrendo aos poucos, como veículos impressos. E, pior, levando com eles para a sepultura o jornalismo investigativo, porque deixaram de investir na qualidade da informação e nos bons profissionais.


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As redes sociais - autêntica terra de ninguém, onde notícias falsas às vezes substituem as verdadeiras com inacreditável audiência e credibilidade até ser desmentidas - estão aí com seus "repórteres" e notícias instantâneas.

São "repórteres" que produzem e reproduzem informações não apuradas, notícias que lhes chegam com rapidez e logo são passadas adiante, na base do compartilhamento compulsivo, oriundas de fontes ideologicamente comprometidas, ou até mesmo de agências que fazem questão de dizer que estão "isentas da verdade".

Por outro lado, quem já cansou de ler os jornais impressos, com suas notícias rapidamente envelhecidas de um dia para o outro, atropeladas de morte em alta velocidade pela dinâmica das informações digitais, também clama por um jornalismo investigativo e de qualidade dos sites e blogues.

O Ver-o-Fato, ciente disso, tenta persuadir o mercado publicitário de Belém para a realidade que ele ainda se recusa a admitir: a de que a boa informação, exclusiva, aquela que penetra nos bastidores do poder, investiga e revela suas entranhas e tramas que, não raras vezes, conspiram contra o interesse público, é buscada por milhões de pessoas na Internet todos os dias. 

É um público que quer e está disposto a pagar para ler aquilo que o jornalismo impresso paraense abandonou, substituindo a reportagem linha de frente, bem apurada, ouvindo todos os lados - regra básica do jornalismo sem subserviência a governos, empresas ou interesses políticos - pela venda de espaços para defesa de poderosos de plantão. 

No mínimo, uma traição aos seus leitores, subestimados e enganados, mas que acordaram para a realidade de que estavam e continuam a pagar para financiar briguinhas paroquiais que nada têm a ver com acesso à informação de qualidade. 


Quando esse mercado vai acordar, se é que pretende abandonar o sono letárgico, que também compromete sua própria sobrevivência?


Um comentário:

  1. Aqui em casa não compramos jornais impressos há anos, primeiro pela credibilidade dos dois veículos de (des)comunicação. Segundo pois a notícia de divulgam já são velhas. Acompanho aqui o Ver-o-Fato.

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