VER-O-FATO: MORTES NA FAZENDA SANTA LÚCIA: A HIPOCRISIA NACIONAL NO ROTEIRO DE UM VELHO FILME

sábado, 27 de maio de 2017

MORTES NA FAZENDA SANTA LÚCIA: A HIPOCRISIA NACIONAL NO ROTEIRO DE UM VELHO FILME


Como se já não bastassem algumas daqui, as autoridades de Brasília padecem de um cretinismo incurável quando alguma chacina, confronto, tragédia ou coisa que o valha ocorre na velha e sangrenta luta pela posse da terra no Pará, sobretudo nas regiões sul e sudeste do estado. 

Depois de a casa arrombada, aparecem os omissos, que nada fizeram para prevenir os conflitos e os confrontos, derramando indignação por todos os poros, dizendo-se chocados, aterrorizados com tanta crueldade. 

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Gastam dinheiro público, deslocam-se de seus confortáveis gabinetes em Brasília e desapegam-se, por alguns dias, das mordomias oficiais, para mergulhar na terra arrasada, de chão batido, de fazendas invadidas, saqueadas e queimadas, ou acampamentos de sem terra onde proliferam a miséria e a desesperança. 

Andam, dão ordens, cobram celeridade e exigem "enérgicas providências", para variar. Mas, depois que os holofotes da mídia se apagam, retornam para seus estados - e a Amazônia é apenas um laboratório dessa indignação seletiva -  e retomam suas vidas como se nada tivessem visto e ouvido de apelos, denúncias e pedidos de socorro.

Há mais de 40 anos nas lides jornalísticas, produzindo sem parar matérias para jornais paraenses, revistas nacionais e para "O Estado de São Paulo" - onde permaneço há 21 anos como correspondente em nosso Estado -, constato,  até com certo desalento, que a hipocrisia nacional é maior do que a própria Amazônia. 

Trata-se de filme velho, de argumento conhecido, roteiro previsível, e final batido, o que ocorreu na última terça-feira dentro da fazenda Santa Lúcia, em Pau D'Arco. Só houve um detalhe: desta vez, nenhuma autoridade de ministério ou diretamente ligada à presidência da República deslocou-se para a região para trombetear a conhecida pirotecnia em casos dessa natureza.

Menos mal. Isso, porém, não modifica a essência do que se viu e ouviu nos últimos dias, tanto das autoridades federais - Ministério Público Federal, Secretaria de Direitos Humanos, etc - quanto das estaduais, estas últimas com sua habitual lenga-lenga.

Será que terei de viver mais 40 anos para ouvir e ver as mesmas coisas de sempre, como esse roteiro perverso de omissões previamente decorado?

Quem contradita?

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