Linha de Tiro - Gilberto Valente

quinta-feira, 18 de maio de 2017

INTERMEDIÁRIO DE TEMER OFERECEU A JOESLEY, DA JBS, NOMEAÇÕES NO CADE, CVM, RECEITA, BANCO CENTRAL E PFN

Rodrigo Rocha Loures, no papo gravado, complica ainda mais a vida de Temer

A coluna de Lauro Jardim, de "O Globo", acaba de divulgar novos detalhes sobre o encontro do presidente Michel Temer com o chefão do Grupo JBS, Joesley Batista. Coisas muitos graves, além do que já foi publicado, como uma conversa entre Joesley e o deputado Rodrigo Rocha Loures, assessor de Temer. Veja abaixo.

https://www.facebook.com/radionet.assistencia/
"Um dos pontos mais devastadores para o governo Michel Temer está aos 10 minutos da conversa de Joesley Batista com Rodrigo Rocha Loures, no dia 13 de março deste ano, na casa do deputado no Jardim Europa, em São Paulo. Nesta conversa, Rocha Loures mostra que o governo estava à disposição dos interesses dos donos do grupo J&F, que controla a JBS e outras dezenas de empresas.

Havia sido o próprio Temer quem havia dito a Joesley Batista que ele poderia tratar de "tudo" com Rocha Loures. Na conversa gravada entre os dois no dia 7 de março, no Palácio do Jaburu, Joesley pediu a ajuda de Temer para resolver uma pendência da J&F no governo.

— Fale com o Rodrigo — afirmou Temer.

Joesley quis se certificar do que Rocha Loures poderia fazer por ele e perguntou:

— Posso falar tudo com ele?

Temer foi sucinto:

— Tudo.

No encontro com Rocha Loures, seis dias depois da conversa acima com Temer, Joesley explicou a deputado que precisava resolver uma série de problemas de suas empresas em órgãos como o Cade, a CVM, a Receita Federal, o Banco Central e a Procuradoria da Fazenda Nacional.

Joesley afirmou que ele precisa que "posições-chaves" nesses órgãos sejam ocupadas por pessoas que possam lhe ajudar, destravando negócios do grupo J&F.

Aos 16 minutos da conversa, Rocha Loures oferece a Joesley a possibilidade de levar algum nome indicado por ele para o conhecimento de Temer.

Veja a conversa:

Joesley: Eu só preciso é resolver meus problemas, se resolver, eu nem, só pra não confundir, as vezes, não é que eu, a eu gostaria que fosse João ou Pedro, João ou Pedro...

Rodrigo: O importante é que resolva.

Joesley: Resolve o problema, se resolve, então pronto, é que eu tenho algumas questões a ser resolvida, e de repente já vamos chamar a ele e testar, falar ôô, ôô Fulano...

A partir daí, Rocha Loures começa a fazer uma série de telefonemas na frente de Joesley, com interlocutores de alguns desses órgãos, para mostrar o acesso a todos eles. Joesley então muda de assunto.

Presidente do Cade: 'Não aconteceu nada no Cade'

Gilvandro Araújo, presidente interino da Cade, acaba de afirmar à coluna que Rodrigo Rocha Loures, o destacado por Michel Temer para tratar no governo dos interesses de Joesley Batista, não conseguiu concretizar o que prometeu, numa conversa gravada, ao dono da JBS.

— O Rodrigo Rocha Loures me ligou como diversos políticos ligam aqui, pedindo audiência para a empresa A ou a empresa B. Eu disse que receberia. Mas nada foi à frente. O caso em questão ainda está na fase de inquérito e longe de ser resolvido.

O "caso em questão", se resolvido no Cade, geraria um lucro milionário para os Batista. Desde o ano passado, o órgão está para decidir uma disputa entre a Petrobras e o grupo sobre o preço do gás fornecido pela estatal à termelétrica EPE, em Cuiabá, de propriedade do grupo dos Batista desde 2015.

A empresa alega que a Petrobras compra o gás natural da Bolívia e o revende para a empresa por preços extorsivos.

Na conversa com Rocha Loures, Joesley afirmou que sua empresa perde "1 milhão por dia" com essa política de preços. E pediu: que a Petrobras revendesse o gás pelo preço de compra ou que deixe a EPE negociar diretamente com os bolivianos.

O indicado de Temer ligou para Gilvandro Araújo na frente de Joesley e, após a conversa, afirmou ao dono da JBS que tudo seria resolvido no Cade. Gilvandro Araújo garante que isso não ocorreu.

Geddel entrou na conversa entre Temer e Joesley

O ex-ministro Geddel Viera Lima também foi objeto da conversa entre Michel Temer e Joesley Batista na noite do dia 7 de março no Palácio do Jaburu.
Joesley disse a Temer a certa altura da conversa que havia perdido contato com Geddel diante das investigações que o envolviam. Temer demonstrou preocupação:

— É complicado, tem que tomar cuidado.
Logo em seguida os dois passam a falar de Eduardo Cunha.

A gravação mostra que Joesley servia como uma especie de interlocutor ou de bombeiro com fios desencapados da politica nacional que poderiam, de uma forma ou de outra, complicar Temer.

Geddel, um dos mais destacados aliados de Temer e articulador político do governo, teve que pedir demisão em novembro passado. Foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tê-lo pressionado para liberar uma obra no centro histórico de Salvador.

 Aécio quis Janot como seu secretário de Segurança

Responsável no MPF pela operação de hoje, em que um dos protagonistas é o senador, Rodrigo Janot conheceu Aécio Neves no final de 2002 em condições bastante diferentes da atual. 

Eleito governador de Minas Gerais, Aécio convidou Janot para assumir a Secretaria de Segurança. Janot declinou. Disse que preferia investir em sua carreira de procurador. 

Quem sugeriu Janot a Aécio? Antonio Anastasia."


Nenhum comentário:

Postar um comentário