quinta-feira, 25 de maio de 2017

GENERAL PROMETE "APURAÇÃO ISENTA" DE 10 MORTES E SOBREVIVENTES ATACAM OPERAÇÃO


Jeannot Jansen: "não vamos ser hipócritas"

Uma força tarefa, com apoio dos ministérios públicos federal e estadual começou a investigar as circunstâncias que redundaram na morte de dez pessoas na manhã de quarta-feira,24, dentro da fazenda Santa Lúcia, a 35 km da cidade de Pau D'Arco, no sudeste do Pará, durante suposto confronto entre policiais militares, civis e um grupo de 40 invasores da propriedade.



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Segundo a polícia, ela foi recebida a bala pelos invasores quando tentava cumprir 16 mandados de prisão e de busca e apreensão de armas após um ataque que teve como resultado a morte do segurança da fazenda, Marcos Montenegro. Diante do ataque, dizem os policiais, teria havido o revide. A partir daí, começou um tiroteio, com os invasores entrincheirados na mata.

A versão dos invasores, alguns deles sobreviventes do tiroteio, é de que a polícia chegou ao acampamento atirando e sem dar qualquer chance de defesa aos que se encontravam no local. Os corpos das dez vítimas foram periciados no Instituto Médico Legal de Marabá e Parauapebas e seriam entregues aos familiares para sepultamento nesta sexta-feira.

A procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, e o presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), Darci Frigo, além de um representante da Defensoria Pública da União viajaram de Brasília para Marabá, onde iriam acompanhar a liberação dos corpos.

Depois, o grupo iria para Redenção onde reuniria com promotores do Pará, o procurador-geral de Justiça do estado, Gilberto Valente Martins, e um representante da Ordem dos Advogados para discutir o caso e definir algumas linhas de investigação, cobrando celeridade para que tudo seja esclarecido.

“É difícil acreditar que um confronto deixe 10 agricultores mortos e nenhum policial ferido”, declarou o diretor da Comissão de Direitos Agrários da OAB no Pará, Ibrahim Rocha. Ele disse que a avaliação inicial é de confronto entre os policiais e o grupo de invasores. Isto, porém, segundo Rocha, exige “rigorosa investigação”.

Equipe isenta 


Para o secretário de segurança, o general aposentado Jeannot Jansen, as mortes serão apuradas por uma “equipe isenta” de investigadores. "Não vamos ser hipócritas e negar a dimensão do episódio. Essa é a razão porque estamos reunidos, porque devemos satisfação para a sociedade, e essa é a razão porque encarregamos a nossa delegacia especializada para tomar conta dos inquéritos. Uma equipe imparcial, fora do local que realizará o inquérito", resumiu o secretário.

Três sobreviventes, cujos nomes não foram revelados por associações de trabalhadores rurais da região rebatem a versão dos policiais. “Nós estávamos acampados, debaixo de uma lona, quando a polícia chegou e já foi atirando em todo mundo, sem chance de defesa", declarou um deles. 


"Eram 200 famílias que ocupavam a área, e a gente vinha alertando as autoridades que estava na iminência de acontecer um novo massacre de Eldorado de Carajás", disse o advogado José Vargas Júnior, defensor das vítimas.

Incra: fazenda está legal
Asdrúbal: "o Incra tentou desapropriação"

O superintendente do Incra no sul do Pará, Asdrúbal Bentes, informou ao Ver-o-Fato que a fazenda Santa Lúcia é uma propriedade legalmente constituída, titulada e registrada em cartório. “Quanto a isto não há problema. O Incra tentou uma negociação para desapropriar a área, em 2015, mas a informação que tenho é a de que o proprietário não aceitou o preço oferecido”, explicou Bentes, que na época não era o dirigente do órgão em Marabá. 

Não é bem assim. O advogado Ailtamar Carlos da Silva, que atuou na negociação com o Incra como representante dos proprietários da fazenda, disse que o valor de R$ 21,6 milhões pelos 5 mil hectares da área foi aceito pelos fazendeiros, mas o Incra “demorou seis meses e não fez a audiência pública para que a transação fosse fechada”, o que o levou à desistência. “O Incra foi omisso e desidioso, porisso a negociação não avançou”, disse Silva.

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