Linha de Tiro - Gilberto Valente

sexta-feira, 26 de maio de 2017

GENERAL AFASTA 29 POLICIAIS ENVOLVIDOS EM MORTES NA FAZENDA SANTA LÚCIA

Os mortos foram sepultados esta manhã em Redenção e Pau D'Arco
Objetos e utensílios dos invasores foram abandonados na fazenda



O secretário de segurança do Pará, o general aposentado Jeannot Jansen, determinou ontem o afastamento dos 29 policiais – 21 militares e 8 civis – envolvidos no confronto que resultou na morte de dez invasores dentro da fazenda Santa Lúcia, a 35 km da cidade de Pau D'Arco, no sudeste do estado. Eles não podem mais participar de qualquer missão policial e devem colaborar com as investigações que estão sendo feitas pela polícia civil para esclarecer os fatos. Dependendo do que for apurado, poderão voltar ao serviço ou ser definitivamente afastados.


https://www.facebook.com/radionet.assistencia/

Os policiais alegam que cumpriam ordem judicial de prisão e de busca e apreensão de armas contra invasores da fazenda quando foram recebidos a tiros, revirando e dando início a um tiroteio que resultou nas dez mortes. Alguns invasores que estavam na área relataram em depoimento sigiloso ao Ministério Público que os policiais chegaram atirando contra o grupo, matando três das dez vítimas com tiros na cabeça e pelas costas.


Peritos do Instituto Renato Chaves estiveram na fazenda e foram aos locais que eram ocupados pelos invasores. Em um acampamento estavam guardadas cestas básicas, enquanto no outro os invasores se reuniam e dormiam. Neste local foram encontradas cápsulas deflagradas de projéteis calibre 380, que coincidem com o calibre de algumas armas apreendidas pela polícia após o tiroteio.


As marcas de bala na vegetação também indicam que houve ali um tiroteio, o que coincidiria com a alegação policial de que teria havido disparos de armas de fogo pelos invasores. Além de aprofundar a perícia na área do confronto e nos acampamentos, os técnicos vão vistoriar duas motocicletas que estavam escondidas num matagal próximo da sede da fazenda, totalmente destruída pelos invasores.


Críticas - A Ordem dos Advogados do Pará acusa os policiais terem mexido no local do confronto, retirando os corpos antes da chegada dos peritos, o que prejudica as investigações. O promotor militar Armando Brasil também criticou a atitude dos policiais. “Não podiam ter feito isso, deveriam ter esperado a perícia fazer seu trabalho, com as vítimas no local, para só depois haver a remoção”, disse Brasil em entrevista ao Estado.


Quando o inquérito civil for concluído, dentro de no máximo 45 dias, toda a parte que envolve a participação de 21 policiais militares nas mortes terá de ir para as mãos de Brasil, que fará uma apuração específica, podendo requerer novas diligências, para finalmente decidir se pedirá o arquivamento à Justiça Militar ou se abrirá processo contra os PMs.


“Não posso aceitar que isso tenha acontecido. A cena dos crimes ficou inidônea, porque provas importantes podem ter desaparecido com a retirada dos corpos”, resumiu o promotor. A polícia civil informou que tudo está sendo apurado, mas disse que não comentaria as acusações da OAB e de Brasil até que tudo fique esclarecido.


Enterro – Familiares das dez vítimas enterram seus mortos na manhã de ontem, sendo oito no cemitério municipal de Redenção e dois na cidade de Pau D'Arco. Integrantes de movimentos sociais, de direitos humanos e sindicatos compareceram e prestaram solidariedade às famílias. Houve protestos pelo fato de o governo ter entregue, em sacos plásticos, os corpos das vítimas em estado de decomposição após as autópsias. 

A Polícia Federal foi acionada para garantir a integridade física de oito pessoas que teriam sobrevivido durante o tiroteio. Mas apenas uma estaria sob proteção da PF. (Carlos Mendes, "O Estado de São Paulo")

Nenhum comentário:

Postar um comentário