domingo, 16 de abril de 2017

BRT BELÉM, O CALVÁRIO URBANO EM SETE ESTAÇÕES E TAPUMES

Caveira de burro enterrada? Não. É incompetência mesmo


Francisco Sidou - jornalista

Mal concebido, o projeto BRT- Belém já se arrasta há mais de oito anos, com apenas 1/3 de sua execução, embora já tenha consumido quase 300 dos R$ 400 milhões inicialmente previstos para todo o percurso de apenas 20 km, entre Belém e Icoaraci. Anunciado como a "solução mágica" para os problemas de mobilidade urbana de Belém, sua execução atabalhoada só os tem agravado.

Os recursos já "engolidos" com essa obra certamente dariam para construir um BRT aéreo, no sistema monotrilho de Icoaraci até o Ver o Peso, com apenas três estações de integração: Entroncamento, São Brás e Praça Waldemar Henrique. Apenas na Almirante Barroso estão sendo construídas sete estações do BRT, o que tem causado espanto, pois o sistema deveria ser expresso para justificar sua concepção de contribuir para desafogar o tráfego em vias congestionadas. 

No Japão, onde planejamento é levado a sério, já existe o sistema monotrilho aéreo (foto) desde a década de 70, com a ligação entre as cidades de Fujisama e Kamatura, com sete quilômetros hoje percorridos em apenas 14 minutos. Atualmente , são mais de 50 as linhas de monotrilhos interligando a área metropolitana de Tóquio e em outras cidades vizinhas. É o sistema mais adequado para os grandes centros urbanos pela sua funcionalidade e rapidez além de não prejudicar o fluxo de veículos nos corredores de tráfego já existentes. 

Na década de 80, técnicos da Agência de Cooperação Técnica do Japão (Jica) realizaram completo estudo sobre o planejamento de tráfego de Belém, sob encomenda do então prefeito Hélio Gueiros. Eles previam "no futuro" a necessidade de um sistema de trem de superfície ou monotrilho para desafogar o tráfego da cidade. E também linhas de transporte fluvial urbano interligando Belém a Icoaraci,Outeiro,Mosqueiro, Combu e Ilhas no entorno da capital. 

Infelizmente nada do que eles planejaram foi executado. Os "nossos" políticos desconfiaram do Projeto (PDTU) dos japoneses, em razão da seriedade e profissionalismo dos técnicos da Jica, os quais certamente não iriam aceitar "acertos por baixo dos panos" .....A par disso, os japoneses costumam trabalhar em obras públicas durante as 24 horas do dia , em três turnos de 8 horas. Assim, a obra ficaria pronta com muita pressa e não caberia aditivos "adiposos", se é que me faço entender.

O ex-prefeito (interino no lugar de Said Xerfan) Augusto Rezende lançou-se candidato na década de 80 prometendo construir um sistema de trem aéreo entre Icoaraci eBelém, mas não foi levado a sério nem pelos seus pares nem pelos eleitores. Foi até chamado de visionário pelos arautos da cultura do atraso, senhores feudais donos da cidade e dos ônibus sucateados, que preferem manter tudo com está, com seus lucros crescentes.

Mudam os prefeitos, mas não o sistema de transporte coletivo de Belém. Defasado, sujo, sucateado e poluente.

5 comentários:

  1. Não são sete estações
    São DEZ

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  2. É incrível como as pessoas gostam de ficar "catando" erros. O texto é brilhante,o jornalista é muito conceituado e respeitado, como também o é o Carlos Mendes, editor do Blog, mas o sujeito não lê com atenção e só fica catando "o milho" para encontrar algum erro. Triste. Pelo que entendi o jornalista se refere apenas ao trecho de 8km da Almirante Barroso, sem incluir as estações da Augusto Montenegro nem as duas de São Brás.

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  3. Esse é o sexto "S" do Zenada: Safadeza.

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  4. E pior, esse $ é fruto de financiamento que a próxima gestão vai ter que arcar. Daí, lá vem o velho conhecido papo do próximo prefeito: "vamos passar 4 anos saldando as dívidas herdadas, mas vou precisar de mais 4 anos para fazer os investimentos necessários." Isso é Belém, q vota nos mesmos caras sempre!

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  5. Qualquer BRT em qualquer cidade tem por objetivo substituir as linhas de ônibus tradicionais que circulam nos bairros atingidos pelo BRT. Pelo visto, isto jamais acontecerá em Belém: pra começar a quantidade de ônibus BRTs é pequena e tão cedo as obras não serão concluídas. Aliás, os empresários de supermercados, os lojistas dos shoppings e pequenos e médios empresários de toda a extensão da Augusto Montenegro estão sofrendo em seus negócios com as obras, mas permanecem caladinhos: a grande maioria deles elegeu esse prefeito incompetente e agora paga esse preço.

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