domingo, 16 de abril de 2017

15 PMs MORTOS EM 3 MESES DE 2017 NO PARÁ: A VIOLÊNCIA TAMBÉM ATINGE QUEM A COMBATE



O advogado Eliezer Borges, em comentário feito aqui no blogue, faz uma provocação, a propósito de postagem feita sobre a execução da jovem conhecida por Senhorita Andreza: "Ontem morreu um policial... Espero que o Ver-o-Fato faça uma análise sobre o extermínio de policiais. Estaremos aguardando", disse  Borges. 

Acredita-se que o advogado não acompanha o Ver-o-Fato, porque se acompanhasse veria o que temos dito aqui: o policial militar, assim como o policial civil, são tão vítimas da violência, fora de controle do governo, quanto o cidadão comum, aquele que também trabalha e produz para sustentar a família.

Os números de PMs assassinados impressiona e aumenta a cada ano no Pará. Só para se ter uma ideia disso, em 2016, segundo as estatísticas, foram 26 vítimas. Em 2017, somente nos primeiros três meses e 15 dias do ano, mais da metade de PMs já foi morta, em comparação com 2016. Até ontem, sábado, para ser mais exato, foram 15 policiais militares, contando o assassinato mencionado por Eliezer Borges. 

Um dos motivos desses assassinatos, de acordo com investigações, seria a cobiça dos bandidos pelas armas usadas em serviço pelos PMs, sobretudo as pistolas calibre 380 e a Ponto 40. De posse das armas, os criminosos saem pelas ruas, lojas, escritórios e residências praticando assaltos e latrocínios, que é o roubo seguido de morte. 

Mas há um outro lado cruel nas mortes dos PMs, que é o fato de eles simplesmente usarem a farda da corporação. Ser policial militar hoje, em todo o país, especialmente no Pará, é profissão de extremo risco. O militar se apresenta cedo no quartel para tirar serviço, vai para as ruas combater a criminalidade, mas não sabe se volta vivo para casa. O grau de estresse e medo que ele experimenta no dia-a-dia é o mesmo de seus familiares.


O que isto quer dizer? Resposta: o Estado - a quem esses militares servem sob o argumento de proteger a sociedade - trata o PM como cidadão de quinta categoria, um ser humano para o qual um manual de deveres é imposto sem que isso se reverta em reconhecimento de seus mínimos direitos. 

O próprio Estado viola os direitos humanos daquele a quem deveria oferecer toda a assistência, com remuneração digna, moradia decente e condições de trabalho para suportar a disciplina espartana que lhe é imposta pelos superiores dentro do quartel e na relação impessoal cotidiana das ruas. Muitas vezes, o PM mora da mesma rua do bandido a quem combate.

Não falamos aqui do comportamento daqueles que extrapolam e violam suas condutas, às vezes aliando-se aos criminosos, como traficantes de drogas e integrantes de milícias, para promover matanças. Há, aliás, um número, sobre isso, inquietante: o de que para cada dois militares assassinados haveria 159 civis mortos por PMs. 

Os que extrapolam sua missão representam um percentual ínfimo em relação aos mais de 18 mil PMs da força estadual, que a toda hora arriscam suas vidas para proteger os cidadãos, porque já são pagos por todos nós para isto. Conhecemos policiais militares que, além do combate ao crime, dedicam-se nas horas vagas ao trabalho social de recuperação de civis dependentes de drogas e álcool.

Qualquer profissão tem os que a desonram e dela são indignos. Jornalistas, médicos, engenheiros, professores, advogados, promotores, juízes, policiais civis e militares. O limite, para cada um desses e outros profissionais, é a lei. 

A lei que deve punir quem a viola, mas também amparar quem a  defende. 

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