VER-O-FATO: HELDER E JATENE: VEJA AS DOAÇÕES ELEITORAIS QUE NÃO APARECEM NO "DIÁRIO" E "O LIBERAL"

domingo, 19 de março de 2017

HELDER E JATENE: VEJA AS DOAÇÕES ELEITORAIS QUE NÃO APARECEM NO "DIÁRIO" E "O LIBERAL"

Helder e Jatene: jornais escondem a verdade

Abrir os jornais "Diário do Pará" e "O Liberal", todos os dias da semana, é presenciar ataques recíprocos entre os dois caciques da mídia local. Óbvio que as bombas que um despeja contra o outro são teleguiadas pelo controle remoto do poder estadual. A luta é encarniçada para mantê-lo ou conquistá-lo.

Tem sido assim desde 1982, quando o processo de eleição direta para governador foi aberto pela ditadura militar. Ou seja, há 35 anos Barbalho e Maiorana revezam-se nessa disputa e não há perspectiva de que isso vá mudar nos próximos anos. Pelo contrário, a guerra por privilégios, verbas publicitárias, nomeações de apaniguados e apropriação do público pelo privado sempre parece algo que está apenas no começo.

E aí, vale tudo para consolidar as posições de cada lado. A única vítima disso tudo, como em toda guerra, é a verdade dos fatos, sempre negada, distorcida ou moldada ao gosto de quem ataca para produzir estragos na retaguarda do inimigo. 

O novo exemplo está em notas nas principais colunas dos dois jornais, o "Repórter Diário" e o "Repórter 70", sobre quem recebeu doações de empresas como JBS/Friboi e BRF, envolvidas no escândalo desbaratado pela Polícia Federal das carnes apodrecidas e maquiadas empurradas aos consumidores.  

"O Liberal" aponta o dedo e diz que Helder Barbalho, na última eleição para o governo, em 2014, recebeu doações dos magnatas da carne - podre ou não - para sua campanha. Já o "Diário do Pará", na edição deste domingo, afirma que o Grupo JBS/Friboi "dono de grandes negócios no sul do Estado, é o maior financiador das campanhas eleitorais de Simão Jatene e do PSDB". E lembra que em 2014 esse grupo "doou R$ 500 mil" para a campanha do governador.

O que os dois jornais inimigos não dizem, por evidente interesse em sonegar a verdade de seus leitores, é que tanto Jatene quanto Helder receberam fartas doações dos barões da carne. 

O governador recebeu quatro doações da JBS, nos valores respectivos de R$ 315 mil, R$ 114 mil, R$ 45 mil e R$ 25 mil. As quatro doações, totalizando R$ 499 mil, foram pagas com cheques e estão registradas na prestação de contas contida na página eletrônica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "O Liberal" não publica isso, nem vai publicar. Até poderia dizer que as doações foram legais ou coisa que o valha, mas não interessa. 

Helder, por sua vez, recebeu em 2014, da JBS, para a campanha em que foi derrotado por Jatene, exatos R$ 2.175,000,00. Tudo pago com cheques desse grupo empresarial. Outra empresa de carnes envolvida com a PF, o grupo BRF, doou R$ 500 mil. Total das doações do setor de carnes: R$ 2.675.000,00. O valor representa, no caso da JBS, mais de quatro vezes o que ela deu para a campanha de Jatene. "O Diário do Pará" cala-se diante dessas milionárias doações e seus leitores, se depender do jornal, jamais saberão disso. Está tudo na página do TSE, Basta ir lá conferir, como fez o Ver-o-Fato.

Lava Jato

Quanto às doações de empreiteiras envolvidas na Lava Jato, só para lembrar o que o Ver-o-Fato divulgou no ano passado,  Helder Barbalho, hoje ministro da Integração Nacional, recebeu R$ 5,8 milhões, também em 2014, enquanto Jatene levou R$ 2 milhões. Entre as financiadoras de ambos aparecem as construtoras Andrade Gutierrez, OAS, Norberto Odebrecht e Queiroz Galvão, além das empresas Braskem Petroquímica e JBS/Friboi.

A campanha de Helder recebeu os seguintes valores: R$ 900 mil, da Construtora Andrade Gutierrez; R$ 1 milhão, da Braskem Petroquímica; R$ 2,175 milhões, da JBS (Friboi); R$ 1,2 milhão, da Norberto Odebrecht; e R$ 530 mil, da Construtora Queiroz Galvão, totalizando R$ 5,805 milhões.

Jatene, por outro lado, recebeu R$ 400 mil da Construtora OAS; R$ 225 mil, da Queiroz Galvão; R$ 1.075, da Norberto Odebrecht; R$ 560 mil da Braskem Petroquímica; R$ 420 mil, da Tiisa Infraestrutura; e R$ 499 mil da JBS Alimentos ( Friboi), perfazendo o total de R$ 2,105 milhões.

Pelos valores entregues pelas empresas ao comitê das duas campanhas, a de Helder faturou quase três vezes mais que a de Jatene. Juntos, eles receberam R$ 7,8 milhões. Ambos garantem que todas as doações foram feitas respeitando a legislação eleitoral. E mais: suas contas foram integralmente aprovadas pela Justiça Eleitoral. 

Como se vê, "O Liberal" e Diário do Pará" só se unem quando se trata de esconder de seus leitores a verdade sobre doações aos políticos e governantes que ambos protegem em seus noticiários. 

Até quando?

2 comentários:

  1. Essa imprensa é um nojo não compro os dois jornais a bom tempo porque só leio o Ver-o-Fato.

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  2. Todo sabemos que não existe santo na política. Principalmente no estado do Pará. Que coisa feia, um falando mal do outro e no entanto todos dois são "farinhas do mesmo saco". Brigam pelo poder pra surrupiarem dinheiro público, pra enriquecerem ilicitamente, essa a verdade, esquecendo do povo paraense, sem hospitais públicos descentes, sem rodovias seguras, sem reformas na educação, servidores mal remunerados, enfim... Jatene e Barbalhos nunca me enganaram. Desperta povo paraense.

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