VER-O-FATO: Editorial - A FALTA DE CREDIBILIDADE E O LIXÃO DE MARITUBA

sábado, 4 de março de 2017

Editorial - A FALTA DE CREDIBILIDADE E O LIXÃO DE MARITUBA

No final de junho de 2015, o Lixão da Revita, em Marituba, começou a funcionar, recebendo diariamente mais de 1,8 mil toneladas do lixo recolhido em Belém, Ananindeua e na própria Marituba. Foi tudo feito às pressas, decidido em gabinetes refrigerados, sem nenhuma discussão com quem seria diretamente afetado pelos impactos ambientais e sociais: as milhares de famílias que vivem nos bairros do entorno do tal aterro sanitário.

Já está mais do que provado - e nem precisa ser engenheiro ou mesmo ambientalista, a menos que seja um "iluminado" pelo saber da obtusidade - para constatar o óbvio ululante. Ou seja, a área onde se localiza esse lixão é totalmente inadequada para a finalidade a qual se propõe. Algum idiota da objetividade encastelado no poder poderá dizer que não. Problema dele.

Primeiro porque, de um lado, o lixão está imprensado entre bairros em constante expansão, ocupados por famílias muito pobres, sem água encanada ou esgoto, que não têm para onde ir. Segundo porque, do outro lado, existe uma reserva biológica habitada por animais cuja espécie encontra-se ameaçada de extinção.

Esses dois aspectos - seres humanos, numa ponta, floresta e animais, na outra - foram desprezados, ou tratados como meros detalhes pelos gênios da raça que se abrigam em secretarias do governo do Estado e nas prefeituras dos três municípios diretamente responsáveis pela decisão de aprovar e instalar o Lixão da Revita no local onde ele se encontra e do qual agora prometem removê-lo.

Aliás, é preciso parar de mentir e enganar a população daquela área, com promessas difíceis de ser cumpridas, porque não há nenhum indicativo, sequer uma área alternativa, de que o lixão será fechado. Até porque, se fosse para fazê-lo, ele sequer lá deveria ter sido instalado. Se o foi, é porque houve muita pressão política para que isso viesse a ocorrer. Pressão na base de milhões de motivos, sem pudor e sem vergonha.

O Ver-o-Fato não vê credibilidade no atual governo, nem na Assembleia Legislativa, ou nas Câmaras Municipais de Belém, Ananindeua ou Marituba, para acreditar que, desses manipuladores de esperanças de um povo descrente e sufocado pelo fedor do lixão, sairá uma solução para o grave problema que esses próprios poderes criaram, por ação ou omissão. Se fizerem algo de bom, porém, nada mais estarão fazendo do que consertar os erros que cometeram. 

O Ministério Público do Estado também carrega parcela de culpa nesse "imbróglio", porque deixou de cumprir seu papel de fiscal da lei para coonestar a vontade política de governantes apressados e inconsequentes. Em vista disso, deveria vir a público reconhecer que falhou na condução de uma solução que satisfizesse todas as partes envolvidas, principalmente o lado mais fraco e desesperado, o da população. 

Tem cheiro de enrolação no ar, e com fedor insuporável à vista, o anúncio de que serão criadas "rodadas de negociações e agenda mínima" em busca de uma solução para o problema. Se é isto, por que então não agiram durante todo o ano de 2016, quando estouraram as primeiras denúncias do odor insuportável que o lixão exalava? 

Já é um pouco tarde para agir. Mas ainda há tempo. A paciência do povo de Marituba acabou. A casa caiu.

As máscaras, também.


Um comentário:

  1. Olá, nesse momento tem um carro da sema dentro do aterro sanitário de Marituba.

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