VER-O-FATO: CONGRESSO DO SINTEPP TEVE SISTEMA DE SEGURANÇA PARA CERCEAR OS PRÓPRIOS PROFESSORES

domingo, 5 de março de 2017

CONGRESSO DO SINTEPP TEVE SISTEMA DE SEGURANÇA PARA CERCEAR OS PRÓPRIOS PROFESSORES

 
José Emílio Almeida *

O XXII Congresso Estadual dos Trabalhadores em Educação do Pará terminou neste sábado (4), com uma importante vitória para a nossa categoria: a reinstalação da Sub Sede de Belém, que será inicialmente denominada "Coordenação Municipal de Belém".

Conquista que só foi possível a partir de uma ampla e bem montada unidade da oposição, que derrotou uma das mais absurdas imposições da atual coordenação majoritária.

Aliás, a eternização desta direção na coordenação do sindicato tem acumulado enorme prejuízo para a nossa categoria, hoje fragilizada pelas constantes derrotas nas disputas contra o governo.

A insensível direção do sindicato não permitiu sequer a entrada de alunos, mesmo na condição de convidados, para assistirem importantes debates, como o da famigerada Reforma do Ensino Médio, de Temer e seu Congresso de corruptos. Espaço tinha de sobra. O que não tinha era boa vontade.

Neste congresso, os dirigentes do Sintepp chegaram ao cúmulo de contratar um numeroso grupo de seguranças (foto), com o fim específico de cercear a livre circulação das pessoas em espaços destinados ao evento, intimidando e constrangendo a todos. "Por ordem da direção", eles mesmos diziam.

Os congressistas eram também impedidos de acessar o auditório caso o crachá não estivesse em volta do pescoço. Tive a infelicidade de ser abordado por três seguranças, que me exigiram isso, apesar de o crachá estar em local visível, sobre o bolso na minha camisa. Por "ordem da direção".

Para verificarem se o crachá estava "correto", os seguranças abordavam com descortesia os congressistas e com o mesmo rigor retiravam os delegados do hall de entrada do auditório (espaço utilizado para a venda de livros e camisas), quando não havia debate no plenário. "Por ordem da direção".

A ação dos seguranças, comentavam todos, era semelhante a praticada pela Policia Militar nas nossas greves.

O ápice da intolerância se deu, quando os mesmos seguranças foram convocados para tentar impedir a reação dos delegados que não aceitaram a imposição de resultado de votação, baseado na visão "privilegiada" dos dirigentes do Sintepp, que queriam a qualquer custo a filiação do sindicato em uma central sindical inexpressiva. Não passou, graças à reação justa e democrática da categoria.

Não é saudável para a democracia, a perpetuação no poder de regimes, especialmente os que têm esse caráter opressor, personalista, inexorável e pusilânime.

A vida segue e o nosso sindicato ganhou mais uma chance de voltar a ter o respeito da categoria e com isso a possibilidade de ser o que sempre foi: um sindicato de luta e vitorioso.

* José Emílio Almeida é professor e presidente da Associação dos Concursados do Pará (Asconpa)

Um comentário:

  1. "Democracia é quando mando em você, ditadura é quando você manda em mim"... Sintep em ação!
    Não teve mais churrasco, não?

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