segunda-feira, 20 de março de 2017

COMEÇA PROCESSO DE 9 PMs QUE FAZIAM SEGURANÇA PARA MINERADORA E CURSINHO EM QUARTEL

A mineradora de ouro pagava R$ 25 por mês para ter a segurança dos PMs
Coronéis, majores, um cabo e soldados da Polícia Militar paraense pisaram na bola e envolveram-se num rolo grave. Lixando-se para o crime organizado e para a insegurança da população do sul do Pará, principalmente dos municípios de Floresta do Araguaia e Redenção, onde bandidos assaltavam bancos, aterrorrizando moradores naquilo que ficou conehcido como "Novo Cangaço", os militares prestavam serviço de segurança privada à mineradora de ouro Reinarda Ltda. Além disso, ainda utilizavam as instalações do quartel do 22º Batalhão daquela região para a realização de um cursinho. 
Pela segurança à Reinarda, eles receberam R$ 25 mil mensais durante quatro anos, de 2011 a 2014. Pelo cursinho, cobravam mensalidades e matrícula, que tinham valores de 90 e 10 reais, respectivamente. Ontem, o juiz Lucas do Carmo Gomes, que é titular em vara da capital, mas atua na Justiça Militar, recebeu a denúncia e aditamento oferecidos pelo 2º promotor de Justiça Militar, Armando Brasil Teixeira, contra os nove policiais militares. 
Eles são acusados e responderão de acordo com a conduta adotada em cada um dos dois episódios, por prevaricação, corrupção passiva e desobediência à ordem judicial, crimes previstos no Código Penal Militar (CPM). "As atividades paralelas exercidas pelos policiais militares prejudicaram à sociedade, pois deixaram a população desprotegida e houve um aumento do número de crimes na região, em virtude de a corporação estar ocupada em atividades irregulares", comentou Brasil.

Risco no quartel

Segundo denúncia anônima, acompanhada de um áudio, encaminhada ao Ministério Público, no ano de 2015, o major Daniel Dias patrocinou um cursinho preparatório para o Enem e para concursos públicos utilizando as instalações do 22º BPM, local onde se concentram armas de grosso calibre, coletes balísticos, munições e viaturas da PM, sendo proibida a circulação de civis.

Toda a logística da polícia era utilizada para que as aulas fossem ministradas: salas, retroprojetores, notebook. De acordo com os diálogos anexados à denúncia, também tinham conhecimento do ilícito, o tenente-coronel Lúcio Clóvis Barbosa da Silva e o major Francisco Antônio Paiva Ribas, corregedor do CPRV e subcomandante, respectivamente.

Outro acusado de participar ativamente é o soldado Wendell Rodrigues Barros que juntamente com o civil Silvio Gonzaga Batista, realizava a cobrança das mensalidades e matrícula, que tinham valores de 90 e 10 reais. "Quando inquirido nos autos o major Daniel reconheceu que gerenciava um cursinho utilizando as instalações físicas do quartel e o cidadão Sílvio Batista ratifica a existência do esquema", acrescentou o promotor.

Segurança absurda

Além do funcionamento ilegal de cursinho no interior do quartel, o Ministério Público denunciou à Justiça a contratação de policiais do grupo tático de Redenção que estariam fazendo segurança particular para a Mineradora Reinarda em troca de pagamento da quantia de 25 mil reais. A ação era articulada pelo coronel Claudio Ricardo Lima Julio, pelo tenente-coronel Lúcio Clóvis Barbosa da Silva; pelos majores Francisco Antônio Paiva Ribas e Arthur Daniel Dias da Silva; os soldados Wendell Rodrigues Barros, Pétala Pereira de Souza e Samuel dos Santos Tavares e ainda o cabo PM George Silva dos Santos, todos em total desvio de função.

Tudo teria se originado após um roubo de grandes proporções que ocorreu em outubro de 2010 na mineradora, em que dez homens armados com armas de vários calibres invadiram a empresa e levaram 60 quilos de ouro, fazendo os funcionários reféns e fugindo para o município de Floresta do Araguaia.

Ficou comprovado nos autos que após esse episódio a empresa passou a pagar 25 mil reais para que os policiais militares garantissem a segurança de seu patrimônio. Além disso, restou comprovado que a Reinarda bancava o abastecimento de veículos oficiais.

"Convém reforçar ainda que constam nos autos filmagens apreendidas pela corregedoria, de policiais militares armados fazendo segurança da área interna da mineradora", destaca Armando Brasil. As penas previstas para os crimes cometidos variam de três meses a dois anos de detenção e de dois a oito anos de reclusão.

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