quarta-feira, 29 de março de 2017

CARRO PRETO, CARRO PRATA, CARRO DA IMPUNIDADE. A MATANÇA CONTINUA EM BELÉM


José Carlos Lima *

Nesta segunda-feira, o adolescente Caique Silva Melo, filho da líder comunitária Lene, foi assassinado por um grupo de extermínio, os mesmos que assassinam jovens pretos e pobres da periferia, na Região Metropolitana de Belém. 

Caique, era um jovem alegre das Águas Lindas, sem qualquer envolvimento com o crime e cheio de planos. Um inocente menino buscando a felicidade através da superação da pobreza.

Os seus planos foram interrompidos brutalmente por balas que saíram de armas que rondam nas mãos assassinas, em cima de moto, impunemente pelos bairros pobres das nossas cidades violentas. 

No caso de Caique, a Policia agiu com o mesmo padrão. Registra, mas pouco investiga. No geral prefere carimbar a vítima de "vida torta" e crime considerado de trafico. Encontra justificativa na folha corrida do assassinado. Caique, porém, não tinha qualquer envolvimento com crimes. Era uma inocente criança.

Suspeita-se que grande parte destas mortes são cometidas pelos próprios membros da segurança pública. 

Lene, a mãe, uma lutadora e defensora dos direitos de sua comunidade, recebeu a noticia quando participava do velório de seu genitor. A dor dessa mãe e filha é impossível mensurar. A injustiça vivida como líder da sua comunidade agora soma-se a sua própria dor pessoal. 

O Estado brasileiro não garante a paz e nem respeita direitos, principalmente dos mais pobres e, pelo visto, protege matadores profissionais. Justiceiros. Verdugos executores de pena de morte.

Um agente público, pago para propiciar a segurança, a partir do cumprimento da lei, nunca pode ser estimulado a matar, fazendo sua própria justiça. Se um policial, por razões amparadas por lei, matar alguém, este agente deveria ser afastado das ruas e passar por um intensos tratamento, incluindo o psicológico. 

Nem um policial deve ser estimulado a matar. O incentivo deve ser para o cumprimento integral da lei. Agora, se um policial matar pela segunda vez, adotará morte como a única maneira de impor a força do Estado. 

A mãe, a cidadã, a líder comunitária reclama uma resposta do Estado. A impunidade não será resposta.

* José Carlos Lima, ex-deputado, é advogado e ambientalista e postou o desabafo em sua página no Facebook.

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