sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

PF INDICIA PASTOR SILAS MALAFAIA E MAIS 49; BETO JATENE, POR CORRUPÇÃO E LAVAGEM


Beto Jatene recebeu R$ 750 mil, diz PF
A Polícia Federal indiciou 50 pessoas por envolvimento em um esquema de corrupção e desvios de impostos sobre mineração, cujos valores envolvidos somam ao menos R$R$ 66 milhões. O caso foi batizado de Operação Timóteo. As informações são da revista "IstoÉ" desta semana.


Silas Malafaia, pastor, foi indiciado por lavagem de dinheiro por ter recebido R$ 100 mil de um escritório de advocacia que estava no centro do esquema de corrupção. Outro indiciado é Alberto Jatene, filho do governador paraense Simão jatene, acusado de receber R$ 750 mil de um dos escritórios envolvidos no esquema. 
 
"Beto Jatene" foi incluído no relatório da PF por corrupção passiva e organização criminosa. Marco Antônio Valadares Moreira, ex-diretor do DNPM, é que foi indiciado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro é considerado o líder da organização criminosa. 

O relatório policial foi enviado ao Ministério Público Federal. A partir dele, caberá ao procurador Anselmo Lopes decidir se apresenta ou não denúncia à Justiça. Um fato novo no decorrer das investigações, porém, vai tornar mais lento o seu desfecho. O inquérito foi enviado ao Superior Tribunal de Justiça por indícios do envolvimento de autoridades com foro privilegiado. 
 
Foram detectados pagamentos do grupo criminoso a familiares do conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará, Aloísio Chaves, que os investigadores suspeitam terem relação com autorizações obtidas no tribunal. 

Os parentes de Aloísio foram indiciados. Como conselheiros de tribunais de contas têm foro privilegiado, o caso subiu para a corte especial do STJ. Os autos chegaram no dia 17 de janeiro e foram distribuídos ao ministro Raul Araújo. As investigações, agora, ficam a cargo do vice-procurador geral da República, Bonifácio de Andrada.

Silas Lima Malafaia “se locupletou com valores de origem ilícita”. Com esse contundente despacho, a Polícia Federal – em relatório de conclusão de inquérito obtido com exclusividade por ISTOÉ – indiciou o pastor da Assembleia de Deus por lavagem de dinheiro e participação num esquema de corrupção ligado a royalties da mineração.


Em 16 de dezembro, Malafaia havia sido alvo de condução coercitiva pela Operação Timóteo. O nome da operação se baseia em um dos livros do Novo Testamento da Bíblia, a primeira epístola a Timóteo. No capítulo 6, versículos 9-10, está escrito: “Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. 

A Polícia Federal transcreveu o trecho na representação judicial que deu origem à operação. Pelo visto, para o delegado Leo Garrido de Salles Meira, autor do indiciamento, Silas Malafaia caiu em tentação. Agora, o pastor, proverbial arauto da moral e dos bons costumes, terá de explicar aos seus fiéis seguidores porque se dobrou aos pecados da carne.


A investigação detectou que um cheque do escritório de advocacia de Jader Pazinato, no valor de R$ 100 mil, foi depositado na conta de Malafaia. Pazinato, segundo a PF, teria recebido recursos ilícitos desviados de prefeituras e repassado propina, por isso também foi indiciado por corrupção ativa e peculato. O indiciamento significa que a autoridade policial encontrou elementos para caracterizar a ocorrência de crimes. 


Em entrevista concedida após sua condução coercitiva, Malafaia argumentou que um colega de outra igreja apresentou-o a um empresário que queria lhe fazer “uma oferta pessoal”, depositada em sua conta. “Não sou bandido, não tô envolvido com corrupção, não sou ladrão”, declarou à época. Procurado, o advogado de Pazinato, Daniel Gerber, preferiu não comentar.

Ex-dirigente do DNPM, Marco Antônio Valadares foi indiciado como líder da organização criminosa, acusado de corrupção passiva e peculato, dentre outros crimes. Seu advogado, Fernando Brasil, nega o envolvimento com corrupção. “Ele foi vítima de um relatório fantasioso, baseado na divergência de valores entre o seu salário e a aquisição de um imóvel”, disse. 


O episódio envolvendo Alberto Jatene também chamou a atenção dos investigadores. Assessor jurídico do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Pará, ele recebeu R$ 750 mil de Pazinato nas contas de suas empresas. Para o delegado Leo Garrido, o pagamento foi efetuado por que o cargo ocupado por ele poderia render “facilidades” ao grupo criminoso.

Organização criminosa

Segundo o relatório da PF, contratos fraudulentos com prefeituras eram usados para desviar recursos de arrecadação da mineração. Para isso, eram usadas empresas e escritórios de advocacia. “Considerando toda a engrenagem criminosa, com estrutura ordenada que passa por quatro etapas distintas – da captação dos contratos até o branqueamento dos valores – tendo os personagens de cada uma delas funções específicas, concluímos que são fartos os indícios da existência de verdadeira ORCRIM (organização criminosa), responsável pelo desvio de pelo menos R$ 66 milhões”, escreveu o delegado. 



Outra associação religiosa, a Igreja Embaixada do Reino de Deus, também recebeu valores de Pazinato: R$ 1,7 milhão, segundo a PF. A PF usou passagens bíblicas para dizer que o pastor Silas Malafaia “caiu em tentação” ao se locupletar de dinheiro ilícito.

3 comentários:

  1. henrique de Miranda Sandres Neto25 de fevereiro de 2017 08:58

    Este governo Jatene tem ramificações de corrupção em todas as frentes, aliás denunciado pelos Barbalhos que não ficam atrás, agora com acasalamento a nível nacional entre PSDB e o PMDB certamente farão uma composição a nível regional para continuar a corrupção.

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  2. henrique de Miranda Sandres Neto25 de fevereiro de 2017 09:06

    O pastor Silas Malafaia, bradou indignado pela televisão que não é corrupto e que os R$ 100.000,00 depositados em sua conta, foi em agradecimento a uma oração que fez para a pessoa que depositou o dinheiro.
    Vai ver que a oração foi para que não se descobrisse as falcatruas, é preciso se perguntar se esta oração foi para o filho do Jatene, se foi, a oração é fraca, cabe a ele, devolver o dinheiro, para que o Betinho pague um bom advogado.

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  3. Esses casos, como outros, meu prezado Henrique Sandres, refletem apenas a necessidade premente de este país ser passado a limpo, de cabo a rabo, nos níveis federal, estadual ou municipal. O governador esperneia, os Barbalho esperneiam, um acusa o outro, mas os fatos não podem ser obscurecidos por essas dissimulações políticas. O brasil está podre, o Pará está podre, mas é dessa podridão que poderá, no futuro, nascer um país sadio, digno de ser compartilhado por todos. Um abraço.

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