VER-O-FATO: O PARÁ NAS ÚLTIMAS: POVO SEM ÁGUA, ESGOTO E EDUCAÇÃO É MAIS FÁCIL DE MANIPULAR

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O PARÁ NAS ÚLTIMAS: POVO SEM ÁGUA, ESGOTO E EDUCAÇÃO É MAIS FÁCIL DE MANIPULAR

 


Essa pirotecnia midiática protagonizada por caciques políticos do PMDB e PSDB - hoje na costura de um casamento entre tapas e beijos, ou, quem sabe, de nada disso - é o enredo de um velho filme cujo cenário principal é o completo abandono do Estado do Pará. Juntos ou separados, nada muda. Na melhor das hipóteses, muda para continuar como está. 

Não há renovação de quadros políticos. As lideranças que surgem assentam-se sobre bases arcaicas, mumificadas pela mesmice e pelo oportunismo de chegar ao poder e esvaziar os cofres públicos. Ou da política compensatória do "rouba, mas faz". 

Balelas como "dar-se as mãos pelo Estado", ou "união em benefício do povo" só servem para anestesiar uma população indiferente, sem nenhuma consciência política do estado de degradação social e ambiental em que vive, e incapaz de se mobilizar para derrubar as velhas estruturas de consolidação de poder que se perpetuam há décadas e décadas. 

A cada movimento das pedras no tabuleiro desse viciado jogo de xadrez em que os dirigentes partidários armam suas estratégias de ataque e defesa, o resultado é sempre previsível. Nada melhoramos em índices sociais de miséria e pobreza, apesar do derrame de verbas publicitárias em veículos de comunicação domesticados para vender a mentira embrulhada em papel celofane.

Os fatos - que é o que na verdade importa - desmentem os discursos vazios, a propaganda e o bom mocismo. Nossos políticos, com raríssimas exceções, aproveitam-se da inércia da população de ir às ruas, exigir seus direitos e defenestrar os velhos oligarcas, para fazer as maiorias acreditarem que eles possuem o que nunca tiveram: credibilidade. 
   
Fora do poder, cacarejam do fundo do galinheiro contra as injustiças sociais, até mesmo contra a corrupação. Mas, quando chegam ao topo da cadeia de comando e pegam as chaves do cofre, transformam-se, ou revelam sua verdadeira personalidade: a de saqueadores dispostos a raspar o fundo do tacho, distribuindo penduricalhos ao povo para distraí-lo com argumentos de que estão fazendo "obras e serviços". 

Quadro dantesco

No dia 7 de janeiro passado, o blogue Ver-o-Fato publicou um estudo do Instituto Trata Brasil, que devasta e desmente todos os discursos de figuras como Simão Jatene, Manoel Pioneiro, Zenaldo Coutinho, Helder Barbalho e de seu pai, o senador Jader Barbalho, além de outros caciques e índios menos votados. 

Nesse estudo, Ananindeua aparece como o pior município do país num quesito fundamental para aferir a qualidade de vida de um povo: água tratada e esgoto.  Detalhe: Manoel Pioneiro (PSDB), já caminha, sozinho, para 16 anos no poder, enquanto Helder Barbalho (PMDB) governou o município por 8 anos seguidos. 

Belém, que já tem 12 anos de gestões tucanas, aparece na 90ª colocação entre as 100 piores cidades brasileiras. Nos dois casos, o de Ananindeua e de sua irmã-gêmea, Belém, uma vergonha nacional completa. Digna de jogar na lata de lixo da história os políticos e gestores que temos. Santarém, para variar, ficou no antepenúltimo lugar.

Pois bem. O programa "Fantástico", da Rede Globo, mostrou ontem para todo o país os números deprimentes do Pará, os mesmos que o Ver-o-Fato havia mostrado um mês atrás. A questão agora é a seguinte: o que dirão esses senhores que têm o poder nas mãos, seja federal, estadual ou municipal? O que eles pensam ou dizem não tem nenhum importância. O que vale é o que eles fizeram ou fazem para que o Pará supere esses índices imorais de pobreza e abandono. 

Miséria e ignorância 

Caso tivessem o mínimo de vergonha na cara, esses políticos e seus governantes ineptos investiriam maciçamente em saneamento e educação. Em saneamento, porque para cada 1 real que nele aplicassem, a economia com o gasto em saúde pública seria de 4 reais. Isto é, teríamos cada vez menos pessoas doentes.

Caso investissem na construção maciça de escolas -  oferecendo ensino de qualidade e de tempo integral aos alunos, sem esquecer da valorização de professores e trabalhadores da educação - e também reformassem as salas que estão caindo aos pedaços, o Pará sem dúvida daria a volta por cima. E o povo teria uma vida mais feliz. 

Mas para quê investir em esgoto e água potável de qualidade? Os políticos chamam a isto de "obras invisíveis", porque ficam debaixo da terra. Ou seja, não se traduzem em votos em época de eleições. Então, que fique tudo como está. 

Mas para quê investir em educação? Simples: iríamos formar gerações de pessoas que, pelo conhecimento e informação, aliados à capacidade crítica, seriam livres e independentes para julgar os próprios políticos e maus gestores que subjugam o povo. 

Povo na miséria e sem educação é mais fácil de manipular. 

Viva a ignorância !


Um comentário:

  1. Pois é, uma vergonha! Se não fizeram nada antes, não farão nada agora, a desculpa será a crise! Bando de parasitas!

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