VER-O-FATO: O EX-SENADOR PEPECA, JADER E A MATÉRIA NO ESTADÃO SOBRE DESVIO DE U$$ 13 MILHÕES

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O EX-SENADOR PEPECA, JADER E A MATÉRIA NO ESTADÃO SOBRE DESVIO DE U$$ 13 MILHÕES



Não é de hoje que o ex-senador Luiz Otávio Campos tem seu nome envolvido em irregularidades. Em 2012, Campos, também conhecido por Pepeca, foi condenado  a 12 anos de prisão e pagamento de multa. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Campos é acusado de falsificação de documentos, fraude e desvio de mais de US$ 13 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

O dinheiro deveria ter sido usado para construção de 13 balsas para incentivar o transporte fluvial no Pará, mas os empreendimentos só existiram no papel. O juiz da 4ª Vara Federal, Antonio Carlos Campelo, que decidiu, no entanto, não decretar a prisão preventiva dos acusados até o trânsito em julgado do processo. Os crimes ocorreram, em 1992, quando o ex-senador estava à frente do Grupo Rodomar, uma empresa familiar especializada em transporte fluvial. 

Além de Campos, foram condenados na ação André Moraes Gueiros e Paulo Érico Moraes Gueiros, filhos do já falecido ex-governador do Pará, Hélio Gueiros, e que eram proprietários do Estaleiro da Bacia Amazônica (Ebal); José Alfredo Heredia, então diretor financeiro da Rodomar; David Jacob Serruya, diretor comercial da Ebal; Manoel Coriolano Monteiro Imbiriba Neto, diretor do Banco do Brasil; e José Roberto Lobão da Costa, gerente do Banco do Brasil. 

Foram inocentados no processo, os fiscais do Banco do Brasil Enio Erasmo da Costa Alves e Lauro da Costa Nery Filho. Já Alfredo Rodrigues Cabral, dono da Rodomar e sogro de Luiz Otávio, teve a pena prescrita e foi excluído da ação.

Em fevereiro de 2000, como correspondente no Pará do jornal "O Estado de São Paulo", função que ainda exerço, assinei a matéria contando toda a história desse caso ( Veja acima, clique na matéria e a amplie para ler). Campos foi indiciado pela Polícia Federal e o MPF entrou no caso. Ele concedeu entrevista a mim, como você pode ver acima, acusando seu então inimigo político - hoje aliado -, o senador Jader Barbalho, então líder do PMDB no Senado.

Pepeca disse que Jader estava por detrás da matéria que eu assinara no Estadão e também na revista IstoÉ, com o propósito de persegui-lo. Nessa época, além do Estadão, eu também era repórter do jornal "O Liberal". Da tribunal do Senado, Jader se defendeu da acusação de Pepeca. Da íntegra do pronunciamento de Jader Barbalho, que tenho em meus arquivos, destaco apenas o trecho em que ele cita meu nome: 

" Quero, desde logo, Sr. Presidente, dizer que compreendo o estado de espírito do Senado Luiz Otávio Campos. Compreendo que o seu estado de espírito acabou por fazer com que S. Exª subisse à tribuna do Senado e, de forma destemperada, tratasse de acusação pública que lhe é feita. E, em lugar de procurar esclarecer as acusações, procura transformar o episódio da acusação a ele dirigida num episódio político e numa dificuldade de relação com um companheiro de Bancada, Líder do PMDB nesta Casa.  

Sr. Presidente, o Senador Luiz Otávio, do meu Estado, em lugar de vir à tribuna para contestar o Ministério Público Federal, procura se desviar e diz que seu colega de representação estaria a patrocinar essa acusação. Acusou a revista IstoÉ de estar tratando o assunto por interesse partidário ou seja lá o que for.  

Sr. Presidente, esse primeiro assunto foi tratado não pela revista IstoÉ, mas pelo Jornal O Estado de S.Paulo . Antes que a revista IstoÉ publicasse a matéria, o Jornal O Estado de S.Paulo , de sábado, dia 12 de fevereiro, publica o assunto, na sua página 11 do primeiro caderno, sob o título: Senador é Acusado de Desviar US$13 milhões . Aqui está a publicação do Jornal O Estado de S.Paulo . 

Quem produziu essa matéria foi o Jornalista Carlos Mendes, correspondente do jornal O Estado de S.Paulo, em Belém do Pará. Um dado: o Jornalista Carlos Mendes não tem nenhuma relação pessoal nem política nem funcional comigo. O Jornalista Carlos Mendes integra o jornal O Liberal , vinculado ao Senador Luiz Otávio, inclusive por estreitas relações pessoais. Portanto, o jornalista que redigiu para O Estado de S. Paulo não é uma pessoa ligada a mim. 

Esse jornalista insistiu num telefonema e queria ouvir-me sobre o assunto. Disse a ele que eu desconhecia o assunto. Mas ele disse que queria me ouvir, porque o Senador Luiz Otávio estava me atribuindo a responsabilidade do caso. Eu disse ao jornalista que não tinha contribuição a dar, pois desconhecia os detalhes deste episódio. 

Conheço um outro episódio, mas este episódio, do Finame e do Banco do Brasil, desconheço. E dei a entrevista para o rapaz nesses termos. Creio que é totalmente descabida a afirmação; não sei do que se está tratando".  


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