quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

POLÍCIA SÓ APURA CASO DE TORTURA CONTRA MULHER APÓS PROTESTO DO MP

A vítima será ouvida por outro delegado, após a intervenção do MP

O delegado de polícia civil Tiago Rabelo poderá responder a procedimento administrativo para apurar o motivo da não lavratura de Boletim de Ocorrência, na noite de terça-feira, para apuração de denúncia de tortura, cárcere privado e lesões corporais em que foi vítima a professora Maria Geuciane Nobre, de 39 anos. 


A vítima procurou a polícia após ter sido atendida na UPA 24 horas, onde recebeu atendimento dos ferimentos, contusões e escoriações por todo o corpo, que teriam sido praticados contra ela pela ex-secretária-adjunta de Educação de Santarém, Marilza Serique, suas filhas Samai e Saron, o filho Júlio Cezar Navarro e Juscelino, genro da ex-secretária-adjunta da Semed.


Ao chegar à delegacia de polícia, o delegado de plantão, Tiago Rabelo, alegou que não faria o registro da ocorrência porque "estaria muito ocupado", conforme relatou a jornalista Debora Cibele, da Tv Tapajós. No período noturno não há atendimento a vítimas do sexo feminino na Delegacia da Mulher de Santarém.


O delegado Tiago Rebelo disse que não recebeu a vítima para fazer o BO porque estava com dois procedimentos de flagrante em curso. Un por tráfico de drogas e outro por direção perigosa. E que teria orientado a vítima a acionar o 190 para ir atrás dos acusados ou então, esperar até a manhã do dia seguinte para registrar a ocorrência.


Somente na manhã desta quarta-feira, após comunicar o fato ao Ministério Público, Geuciane foi ouvida pelo delegado Herberth Farias Jr., que instaurou imediatamente inquérito policial para apurar as acusações contra Marilza e seus familaires por crimes de tortura, cárcere privado e lesões corporais, e encaminhou a vítima para exame de corpo de delito.


O Ministério Público de Santarém deu 10 dias de prazo para que a Polícia Civil de Santarém informe quais procedimentos foram tomados para apuração do caso.



Relato da vítima


Ouvida pelo delegado Herberth Farias Jr., Geuciane, que é casada com um sobrinho do marido de Marilza, Raimundo Navarro, contou que recebeu uma ligação do celular de Juscelino, solicitando que a mesma o acompanhasse até a casa de uma pessoa doente, ligada à família. Tanto Geuciane e Marilza se conhecem há muito tempo e frequentam, inclusive, a mesma igreja.


Informações preliminares levantadas pela reportagem indicam que o motivo dos crimes seria o não pagamento de dívida financeira contraída pela vítima junto a Marilza ou ao esposo dela, Raimundo Navarro.

Chegando à casa, Geuciane foi levada até o interior de um quarto onde, para sua surpresa, foi recebida com ameaças por uma filha de Marilza, Saron que teria lhe aplicado golpe de tesoura e a ameaçada de morte.


Ainda segundo a vítima, Samai, outra filha de Marilza, lhe cortou o cabelo, além de desferir-lhe socos e pontapés. Julio Cezar e Juscelino, então, levaram o filho de Geuciane, M.L, de 14 anos, até a porta da casa da vítima.


O delegado Herbert Farias Jr. informou ainda há pouco ao Portal OEstadoNet que vai tomar novo depoimento da vítima na tarde desta quarta-feira.


O delegado regional de polícia do Baixo-Amazonas, Gilberto Aguiar, está em viagem para Belém, e não pode adiantar quais procedimentos internos serão tomados para apurar se houve ou não omissão do delegado Tiago Rabelo.


O Portal OEstadoNet entrou em contato com o vereador Dayan Serique(PPS) para tentar localizar as acusadas e pedir o contato do advogado da família dele que cuida desse caso, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno. Fonte: OEstadoNet, de Santarém.

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