domingo, 15 de janeiro de 2017

MAURO NETO SACODE O DIÁRIO DO PARÁ COM BOAS MATÉRIAS: MAS, E O "OUTRO LADO"?

 


O jornalista Mauro Neto estreou neste domingo em grande estilo nas páginas do "Diário do Pará", fazendo aquilo que melhor sabe fazer: reportagem. O problema, que não é de Mauro Neto, mas da linha editorial imprimida pelos Barbalho, é que o "outro lado", sempre importante no encaixe de qualquer boa matéria de fôlego, não foi ouvido nem cheirado, para apresentar sua versão dos fatos narrados. 

Um sintoma cruel de como anda o nosso pobre jornalismo. Mesmo quando poderia mostrar algo melhor, ele resvala no ranço político que foge das redações e restringe-se aos gabinetes refrigerados dos donos das empresas jornalísticas. O leitor percebe isso e o resultado se traduz em queda de vendas e sobra cada vez maior das já reduzidas tiragens. No "O Liberal" não é diferente. O leitor não é bobo.

Não ouvir o "outro lado", quando a matéria jornalística exige aquilo que a política não contempla, virou regra. Já não se lê mais qualquer alusão ao esforço feito pelo repórter para ouvir quem teria de ser ouvido. Sequer o conhecido " fulano foi procurado, mas não quis falar", ou "fulano não foi encontrado". 

A primeira reportagem de Mauro Neto trata das isenções fiscais de R$ 7,5 bilhões que o governo de Simão Jatene concedeu até 2030 à empresa norueguesa Norsk Hydro, "uma das maiores mineradoras do mundo e que controla a maior parte da cadeia do alumínio no Pará". Como bem diz a matéria, no Estado, são de sua propriedade a Mineração Paragominas S/A - que explora uma mina de bauxita no município de mesmo nome -; a refinaria de alumina da Alunorte; a fábrica de alumínio da Albras; e a Companhia de Alumina do Pará, as três no município de Barcarena. 

"Se toda essa fortuna fosse investida em obras no Estado, daria para melhorar, e muito, a vida do povo (veja infográfico). Só para se ter uma ideia, com R$ 7,5 bilhões, seria possível construir e equipar 50 hospitais iguais à Santa Casa do Pará, em Belém, ou erguer 150 mil casas populares, o que resolveria grande parte do déficit habitacional do Estado", escreve Mauro Neto. 

Nem o governo Jatene, nem a Hydro, porém, foram ouvidos. Uma falha grave. As respostas enriqueceriam a matéria, dando a ela a densidade e independência no trato da informação que se espera de um bom jornal. Mas isso preocupa os donos do "Diário do Pará"? Claro que não.

Os interesses em jogo, públicos e notórios, são outros. A Hydro deve responder como matéria paga, já que tem grana de sobra para isso, inclusive das isenções a ela concedidas por Jatene. Melhor para o caixa do "Diário".

A segunda reportagem de Mauro Neto, manchete do jornal neste domingo, trata de um tema relevante, que supera até mesmo o caos na saúde pública: a segurança. Com dados preocupantes, o repórter revela que  "nunca se matou tanto no Pará. No ano passado, o Estado registrou 4.196 mortes violentas, o que representa um aumento de 11,2% em relação a 2015, quando foram notificados 3.772 casos".

Segundo a matéria, a tradução das estatísticas indica que, em 2016, houve praticamente uma morte a cada 2 horas, em todo o Estado. Os dados são oficiais e foram obtidos junto ao Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp), da Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup). 

Mas, por que a Segup não foi ouvida? Houve alguma tentativa nesse sentido? O general Jeannot Jansen, chefe da segurança, foi procurado e não quis falar? E o governador Simão Jatene, também mandou dizer que não falaria? Isso a matéria não diz. 

O "outro lado" foi literalmente ignorado, embora um "oficial superior da PM" e um "veterano delegado" tenham sido ouvidos, inclusive com declarações aspeadas, embora sem ter os nomes citados.

E interessa ao "Diário"?   

Um comentário:

  1. É meu Caro, é isso que faz a imprensa desacreditada!
    A julgar por esses fatos, a "livre" imprensa é, na verdade, prisioneita da liberdade de imprensa.

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