VER-O-FATO: FILHO DE TEORI ZAVASCKI CITOU AMEAÇAS; PF ABRE INQUÉRITO E JUÍZES COBRAM APURAÇÃO

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

FILHO DE TEORI ZAVASCKI CITOU AMEAÇAS; PF ABRE INQUÉRITO E JUÍZES COBRAM APURAÇÃO


 
O chefe da Delegacia de Polícia Federal de Angra dos Reis, Adriano Soares, abriu inquérito para investigar as circunstâncias do acidente aéreo que matou o ministro da Lava Jato, Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, na tarde desta quinta-feira. Uma equipe de Brasília já está se deslocando para o Rio de Janeiro. O grupo é formado por um delegado, peritos e papiloscopistas para atuarem em conjunto em Paraty.

Enquanto isso, o presidente da Associação dos Juízes Federais  (Ajufe) do Brasil, Roberto Veloso, manifestou pesar pela morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki e pediu o esforço das autoridades no trabalho de apuração das circunstâncias da queda do avião que tirou a vida do magistrado, relator da Operação Lava Jato. Outras quatro pessoas - e não três como havia sido divulgado anteriormente - que viajavam na aeronave morreram.

“Os juízes federais brasileiros estão consternados com a prematura morte do ministro Teori Zavascki. O Supremo Tribunal Federal e o Brasil perdem um magistrado culto, sério, honesto e cumpridor de seus deveres. Diante das altas responsabilidades a ele atribuídas, em especial a condução dos processos da Lava Jato no STF, é imprescindível a investigação das circunstâncias nas quais ocorreu a queda do avião em que viajava”, afirmou o presidente da Ajufe.

A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), por meio de seu presidente, Germano Silveira de Siqueira manifestou o seu "mais profundo pesar pelo falecimento do ministro Teori Zavascki", e também afirmou que é "absolutamente fundamental que as causas e circunstâncias do acidente sejam apuradas com a maior rapidez e transparência possível".

Em maio de 2016, o filho de Teori, Francisco Prehn Zavascki, postou no Facebook ( veja acima) sobre ameaças que a família dele estava recebendo. À época, o próprio Teori minimizou o fato. Em junho de 2016, ele chegou a afirmar "não tenho recebido nada sério", sem dar detalhes sobre o assunto.

Hoje, Francisco Zavascki afirmou à reportagem da Agência Brasil que não cogita, no momento, que uma sabotagem tenha sido a causa da queda do avião que matou o pai dele. "Eu realmente temia, mas agora isso não está passando pela cabeça de ninguém. Acho que fatalidades acontecem. Paraty, chuva. O avião arremeteu, e é isso aí. Deu zebra", disse.

Causa? É cedo

Ainda é muito cedo para determinar as prováveis causas do acidente, diz Jorge Eduardo Leal Medeiros, engenheiro aeronáutico e professor de transporte aéreo e aeroportos da Escola Politécnica da USP. Ele ressaltou, no entanto, que as condições do clima podem ter contribuído para a queda.

Relator da Lava Jato na Corte, o ministro era o responsável por conduzir os desdobramentos da maior investigação de combate à corrupção no País que envolvem autoridades com foro privilegiado. Teori estava empenhado, nos últimos meses, na análise da delação premiada dos 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht, o mais importante acordo celebrado pela operação até aqui e que aguarda homologação.

Até então, o ministro já havia homologado 24 delações premiadas no âmbito da operação que implicam políticos dos principais partidos do País, da base e da oposição do governo federal. Teori foi ministro do Supremo Tribunal Federal a partir de 29 de novembro de 2012. O ministro foi presidente da 2ª Turma da Corte entre 2014 e 2015.

Como foi

Segundo a assessoria de imprensa da FAB, o avião de modelo Beechcraft C90GT, prefixo PR-SOM, saiu do aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, às 13h (horário de Brasília). De acordo com funcionários do aeroporto de Paraty, a aeronave caiu no mar por volta das 13h30, momento em que chovia na região.
O aeroporto de Paraty teria dado a permissão para o pouso da aeronave. No entanto, a instabilidade do tempo poderia ter prejudicado a aterrissagem do avião, que caiu a 2 km da pista do aeroporto.

A baixa visibilidade, causada pela chuva, pode ter contribuído para a queda do avião. O aeroporto de Paraty não conta com equipamentos para pouso por instrumentos. Assim, o piloto precisa se localizar e fazer toda a aproximação por meio de contato visual com a pista.


De acordo com os regulamentos de tráfego aéreo brasileiro, o pouso visual só pode ser feito com uma visibilidade horizontal mínima de 5 km e teto de 300 metros. Se as condições do tempo estiverem pior do que esse mínimo, os pousos não podem ser feitos.

No caso do aeroporto de Paraty, no entanto, não é possível determinar com precisão quais eram as condições de teto e visibilidade no momento do acidente. O aeroporto não tem torre de controle, tampouco uma estação meteorológica. Nesse casso, a decisão sobre se há condições ou não para o pouso cabe ao piloto do avião.

Ulysses, lembra?

Na mesma região, em 12 de outubro de 1992, quem morreu em acidente foi o ex-deputado e presidente do PMDB, Ulysses Guimarães.   O helicóptero onde estava caiu após sair de Angra dos Reis, litoral do Rio de Janeiro, com destino a São Paulo. Seu corpo não foi encontrado, mas sua morte foi oficialmente reconhecida. (Do Ver-o-Fato, com agência Estado e Uol)



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