VER-O-FATO: ACIDENTE OU SABOTAGEM? MORTE DO MINISTRO TEORI, RELATOR DA LAVA JATO, ABALA O PAÍS

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

ACIDENTE OU SABOTAGEM? MORTE DO MINISTRO TEORI, RELATOR DA LAVA JATO, ABALA O PAÍS

Zavascki: atuação discreta e firme nas fases mais críticas da Lava Jato
Os corpos das vítimas estavam dentro do avião resgatado em Paraty

Eis o avião em que viajava Zavascki e outros 3 passageiros

No começo de fevereiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki iria divulgar o conteúdo de 900 depoimentos que envolvem as delações de 77 executivos da empresa Odebrecht, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável pela acusação nas investigações da Operação Lava Jato. São depoimentos explosivos, com citações de nomes famosos e ligados diretamente ao poder federal no país.


Teori Zavascki faleceu nesta tarde, vítima de acidente aéreo em Paraty, no litoral sul do Rio. Ele estava a bordo do avião modelo Beechcraft C90GT, prefixo PR-SOM pertencente a Carlos Alberto Filgueiras, dono do Hotel Emiliano, em São Paulo e no Rio. A aeronave, que tem capacidade para oito pessoas, deixou o Campo de Marte, em São Paulo, às 13h.

O acidente aconteceu por volta das 13h. Ainda não há qualquer informação sobre as causas do acidente. Nas redes sociais surgiram dúvidas sobre a queda do avião. Muitos falam em sabotagem, apesar de outros dizerem que havia mau tempo em Paraty na hora em que o avião caiu no mar. 


Caberá à ministra presidente do STF, Carmem Lúcia, indicar o novo relator da Lava Jato. Como relator da Lava Jato no STF, caberia a Teori validar as delações. Para isso, uma equipe do ministro analisa todo o material durante o recesso. O material resultou de uma longa negociação, que se estendeu durante quase todo o ano de 2016. 
Nos depoimentos, que serão divulgados em formato de áudio e vídeo, sem transcrições, os delatores relatam propina a políticos e operadores no Brasil e fora do País em troca da conquista de obras públicas, bem como o uso de contas e empresas no exterior para viabilizar pagamentos ilícitos.

Depoimentos bombásticos

De acordo com fontes, aliados próximos ao presidente da República, Michel Temer, serão diretamente atingidos pela delação da empresa, o que deve trazer turbulência política para o governo. Após a homologação dos acordos e divulgação do conteúdo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a força-tarefa da Lava Jato podem realizar operações e solicitar diligências, como quebra de sigilo bancário e telefônico de investigados.

A previsão é de que o processo de investigação ligado à Odebrecht seja longo, com a distribuição das investigações em vários Estados brasileiros. Isso porque o pagamento de propina ocorreu para conquista de obras de todas as esferas - federal, estadual e municipal. Por isso, a investigação não ficará concentrada em Brasília ou Curitiba.

Um dos depoimentos tidos como cruciais é o do herdeiro do grupo e ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht. Considerado o "príncipe" das empreiteiras, Marcelo resistiu a aderir ao acordo de delação. Ele é o único executivo do grupo que continua preso em Curitiba (PR) mesmo após a assinatura do acordo, em dezembro. Com a delação firmada, Marcelo Odebrecht cumprirá dez anos de pena no total, sendo que até o final de 2017 permanecerá atrás das grades.

Já o patriarca do grupo e pai de Marcelo, Emílio Odebrecht, revelou em sua delação informações de contexto e histórico da empresa. Emílio poderá passar um ano comandando a reestruturação da empresa, que se comprometeu com novas regras de compliance, antes de iniciar o cumprimento de pena em regime domiciliar. A avaliação de fontes que acompanharam a colheita dos depoimentos é de que a delação da Odebrecht é politicamente "democrática".

Relações promíscuas
Ou seja, atinge lideranças e siglas de diferentes polos da política nacional. Em dezembro, o vazamento de um anexo da delação do executivo Cláudio Melo Filho mostrou que senadores, deputados e ministros mantiveram relações com a empresa - seja troca de favores ou ao receber valores para atuar politicamente em benefício da Odebrecht.


As revelações do grupo vão gerar os chamados recalls em acordos da Camargo Corrêa e da Andrade Gutierrez. De acordo com investigadores, diante das extensas revelações da Odebrecht, as duas outras empreiteiras precisarão complementar os acordos feitos anteriormente, sob risco de terem os benefícios acertados com o Ministério Público invalidados. (Do Ver-o-Fato, com Agência Estado)

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