quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A CONFISSÃO DE AMOR DE MÁRIO DE ANDRADE POR BELÉM

"Por esse mundo de águas, junho, 27 

Manu, 
O poeta e romancista Mário de Andrade, em 1927, no Chapéu Virado, em Mosqueiro (foto biblioteca da USP-SP)

Estamos numa paradinha pra cortar canarana da margem pros bois de nossos jantares. Amanhã se chega em Manaus e não sei que mais coisas bonitas enxergarei por este mundo de águas. Porém me conquistar mesmo a ponto de ficar doendo no desejo, só Belém me conquistou assim. 

Meu único ideal de agora em diante é passar uns meses morando no Grande Hotel de Belém. O direito de sentar naquela terrace em frente das mangueiras tapando o teatro da Paz, sentar sem mais nada, chupitando um sorvete de cupuaçu, de açaí. 

Você que conhece mundo, conhece coisa melhor do que isso, Manu (...) Belém eu desejo com dor, desejo como se deseja sexualmente, palavra. Não tenho medo de parecer anormal pra você, por isso que conto esta confissão esquisita mas verdadeira que faço de vida sexual e vida em Belém. 

Quero Belém como se quer um amor. É inconcebível o amor que Belém despertou em mim... Um abraço do Mário".

Mário de Andrade - carta escrita ao poeta Manuel Bandeira durante a histórica viagem à Amazônia, em 1927

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